O poder jovem na lista Nielsen PublishNews

Paula Pimenta, Isabela Freitas e Christian Figueiredo mostram o poder dos jovens leitores na lista que apura os autores nacionais mais vendidos

Christian Figueiredo emplacou dois livros na lista Nielsen PublishNews de não ficção | © Divulgação

Christian Figueiredo emplacou dois livros na lista Nielsen PublishNews de não ficção

Em outubro, a lista Nielsen PublishNews, que apura os autores nacionais mais vendidos em livrarias e supermercados brasileiros, mostrou, mais uma vez, a força dos jovens leitores. Dos 20 livros da lista de ficção, 12 são voltados para esse público. Saem na frente Isabela Freitas, que emplacou o primeiro e o segundo lugar com Não se iluda não e Não se apega não (ambos da Intrínseca) respectivamente. Completando o pódio, um outro quarteto vendedor: Paula Pimenta, Babi Dewet, Bruna Vieira e Thalita Rebouças colocaram Um ano inesquecível (Gutenberg/Autêntica) no terceiro lugar. Paula Pimenta, aliás, emplacou sete títulos na lista.Velhos figurões da literatura nacional permanecem firmes e fortes na lista de ficção: A hora da estrela (Rocco), de Clarice Lispector, e Vidas secas (Record), de Graciliano Ramos, quase sempre presentes na lista Nielsen PublishNews, aparecem respectivamente em 17º e 18º lugares.

Na lista de não ficção, o poderio dos jovens consumidores de livros também mostra a sua cara. O best-seller juvenil Christian Figueiredo emplacou os dois livros da série Eu fico loko (Novas Páginas/Novos Conceito). O Eu fico loko 2 ficou em segundo lugar e o primeiro livro da série apareceu em sexto. Mas quem encabeça a lista de não ficção é padre Marcelo Rossi, com Philia (Principium/Globo) e, completando o pódio, em terceiro lugar, Augusto Cury, com Ansiedade: como enfrentar o mal do século (Saraiva). Andressa Urach, com o apoio dos fieis da Igreja Universal do Reino de Deus, ficou em quarto lugar com o seu livro Morri para viver (Planeta).

A lista de não ficção traz alguns estreantes na lista Nielsen PublishNews: a biografia de Carlos Wizard, escrita por Ignácio de Loyola Brandão e Negócios digitais, de Alan Pakes, ambos lançados pela Gente, aparecem na sétima e na 12ª posição.

No ranking das editoras, a Autêntica, puxada pela Paula Pimenta, encabeça, com oito livros na lista Nielsen PublishNews. No segundo lugar, a Sextante, com quatro títulos. A terceira posição é dividida entre quatro editoras: Gente, Grupo Companhia das Letras, Grupo Editorial Record e Intrínseca, com três títulos cada. Globo, Novo Conceito, Planeta, Rocco e Vida e Consciência emplacaram dois títulos cada e Ediouro, Hedra, L&PM, LeYa, Saraiva e Senac São Paulo emplacaram um título cada.

(Fonte: Publish News)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Cynara Menezes lança livro em que discute temas como maconha e política

‘Zen socialismo’ será lançado hoje, às 19h, na Livraria Cultura do Iguatemi

Lula Marques/Divulgação

A jornalista Cynara Menezes lança nesta terça-feira (17/11), às 19h na Livraria Cultura Iguatemi (Lago Norte), o livro Zen socialismo. A obra reúne as principais publicações do blog Socialista Morena, administrado pela escritora. “Quando eu comecei a fazer o blog, em 2012, eu tinha cerca de mil seguidores. Hoje eu tenho quase 200 mil. Muita gente não viu os primeiros posts e eu queria espalhar isso. Acho que um livro é sempre mais bacana”, explica.

A obra tem 238 páginas e é dividida por hashtags, como Socialismo, Comunismo, Maconha e Literatura. “Aproveitei muito o formato da internet e assuntos que são uma demanda do próprio leitor. Como o blog não tem nenhuma interferência editorial, eu posso fazer do jeito que eu quiser, com muita liberdade”, conta a jornalista, que não se preocupa em tocar em assuntos considerados polêmicos ou tabus. O livro será lançado amanhã em Salvador, na Livaria Saraiva.

Entrevista // Cynara Menezes

Como você escolhe os temas do blog e também aqueles que iriam para o livro?
Tem alguns assuntos que são uma demanda do próprio leitor. Eu sinto que as pessoas estão querendo ler coisas que não encontram nos veículos convencionais. Como o blog não tem nenhuma interferência editorial, eu posso fazer do jeito que eu quiser. Por exemplo, eu falo sobre maconha da maneira que eu vejo, que é muito mais liberal. Lembro que fiz uma matéria quando estava na Folha de São Paulo sobre presidentes que fumavam maconha (que está no livro) e recebi um chamado do chefe dizendo que eu estava muito a favor da liberação da droga.

No livro, você também destaca a literatura…

Eu gosto muito de resgatar escritores brasileiros e valorizar muito a nossa história cultural. A Carolina Maria de Jesus (autora do livro Quarto do despejo e tema de um dos capítulos do livro) marcou época e estava meio que esquecida mesmo em seu centenário. Não me lembro de ter saído nenhuma grande matéria e eu fiz. Às vezes as matérias de resgate fazem com que as pessoas percebam como eu vejo o mundo. Escuto as pessoas falando que não temos grandes escritores, mas é porque eles não conhecem a história do país. É um complexo de vira-lata cultural e que estou sempre trabalhando contra no meu blog. Ele fala de literatura, de política, que acho que é um papel de compartilhar conhecimento que tem sido muito esquecido.

Em um dos momentos do livro, você fala sobre essa tendência do brasileiro de valorizar a cultura americana, mas de não seguir ideias como aborto, legalização da maconha. Como você vê isso?

Eu acho que infelizmente hoje o pensamento de direita é muito pobre, eles enxergam a esquerda de uma maneira caricata. Quando a gente critica o governo dos Estados Unidos, não critica o país, a cultura e as pessoas. Eu tenho uma formação literária fortemente americana, que é a terra da contracultura do underground, tem muita coisa boa. As coisas boas, em geral, não é o que a direita quer imitar. Só as ruins.

No livro, você também fala de feminismo e mostra um pensamento diferente de algumas linhas do movimento. Para você, qual é a importância do homem participar da luta contra o machismo?
Existe uma postura de certos femininismo que acham que o homem não deve participar da luta. Eu discordo, e nisso batemos de frente. Temos que nos juntar para lutar contra o machismo. Falta um pouco disso. Existe esse pensamento bobo de homem contra mulher. Já foi assim, mas hoje é homem e mulher contra o sistema. Acho que muita gente se deu conta que é preciso chamar o homem pra essa luta. Eu tenho visto muitas mulheres falando sobre isso, como a Emma Watson na campanha HeforShe da ONU.

Em meio a tantas crises, como você vê a situação do país hoje?
Eu ando muito preocupada com o crescimento de uma direita facista e extremamente conservadora. Estou com medo do que vem acontecendo no Congresso para tirar o Partido dos Trabalhados do governo. A oposição está brincando com o Brasil. Você não pode jogar o país na mão de fundamentalistas religiosos em nome de derrubar o PT. Não pode ser a razão para o Brasil entrar na Idade Média. Acho que é obrigação do PT e do PSDB afastar essa ameaça sobre o país. Eles devem isso aos eleitores. Estamos em 2015 e é muito assustador. Isso me preocupa muito mais do que a inflação e a crise econômica. A oposição está sendo irresponsável e falta ao PT uma posição dura.

(Fonte: CorreioWeb)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Mia Couto inicia trilogia em que reflete sobre a memória

Moçambicano lança o livro ‘Mulheres de Cinza’

O escritor moçambicano Mia Couto é notável por sua prosa poética, cuja força, especialmente em um país tão marcado por problemas como o seu, permite que o povo não abandone sua capacidade de sonhar. Mia agora se volta para um projeto mais audacioso: a trilogia As Areias do Imperador, que narra os derradeiros dias do chamado Estado de Gaza, o segundo maior império da África dirigido por um africano. E o primeiro volume, Mulheres de Cinza, chega agora, com lançamentos no Rio e em São Paulo, com a presença do autor.

A trama gira em torno de Ngungunyane (ou Gunguhane, como preferiam os portugueses), último dos imperadores que governou a metade sul de Moçambique, no século 19. Derrotado pelas forças portuguesas em 1895, ele foi deportado para os Açores. Dois narradores se alternam na condução da história: Imani, uma adolescente da tribo VaChopi que foi educada por jesuítas, e Germano de Melo, sargento português que foi degredado depois de apoiar revoltas contra a monarquia. Duas visões que permitem ao autor exercitar escritas distintas, entre o poético e o burocrático. Também a reavaliar o passado. Sobre isso, Mia conversou com o Estado, por e-mail.

Mia. 'Quanto de ficção e falsidade se fez a história solene'

Mia. ‘Quanto de ficção e falsidade se fez a história solene’

A história habitualmente é contada pelos vencedores. E o passado serve, muitas vezes, para justificar o presente. Quais inverdades ou falsificações históricas você confronta com a trilogia?

 O passado é sempre uma narrativa construída seja a nível individual, seja a nível coletivo. A intenção nesse livro não é denunciar algo em particular. Quero sobretudo mostrar como é grave estarmos a fundar um presente na base de uma única versão do passado. Sem uma narrativa do passado que não seja diversa e diversificada, seremos mais pobres. Não temos que proclamar que a História oficial de uma nação é uma “mentira”. Mas é preciso dizer que aquilo que sabemos não é o que foi provado por alguma caução científica, mas aquilo que se elegeu entre luzes e sombras. Existe, por exemplo, a tendência de reduzir diversidades e anular a complexidade dos tempos passados. Subsiste a ideia romântica de que o passado africano, antes da chegada dos europeus, consistia em um convívio harmonioso e sem conflito. Isso é felizmente falso porque as sociedades africanas, como todas as outras no mundo, têm o direito ao seu conflito interno, sendo esse o motor da sua evolução histórica. Curiosamente, a ideia da ausência de conflitos é uma herança que parece querer promover o que foi o nosso continente. Mas essa ingenuidade condescendente resulta da teoria europeia do bom selvagem, que infantiliza as sociedades e a gente africana.

Como será a trilogia?

 A trilogia fala de uma figura africana que foi mistificada pelos dois lados, Portugal e Moçambique. Os portugueses reinventaram nesse imperador um homem mais poderoso do que era realmente. Era preciso mostrar às potências colonizadoras rivais que Portugal tinha poderes militares para aniquilar esse império africano que, tendo sido grandioso, era já vazio e morto quando os portugueses decidiram pelo assalto final. Por outro lado, os moçambicanos precisavam de heróis nacionais e nacionalistas. E investiram na mistificação de um personagem que nunca foi realmente aquilo que hoje é proclamado.

A figura de Gungunhana, que se esfarela à medida em que se acredita na versão de seu caixão carregado de areia, seria uma representação de fragilidade de um povo?

 Não creio. A metáfora das “areias” usada para o título da trilogia refere à condição frágil não de um povo, mas do próprio imperador e do império mantido de 1884 a 1895 no sul de Moçambique. Esse império foi erguido por via de uma migração da etnia VaNguni, vinda da África do Sul para escapar da prepotência de Shaka Zulu. Esse império a que os portugueses chamaram de “Estado de Gaza” foi, como todos impérios, construído a ferro e fogo. Muitos dos povos que viviam na região ocupada rebelaram-se e foram incorporados à força. Outros foram absorvidos e colonizados pelos invasores. Não se pode, em suma, falar da fragilidade de um povo. Havia um Estado que congregava vários povos com várias línguas e várias culturas.

Essa não foi a primeira vez que um fenômeno real inspirou tão fortemente sua escrita. 

 Já no romance O Outro Pé da Sereia, eu tinha ensaiado um registro histórico. Mas não se pode dizer que proponho ali um “romance histórico”. É antes um livro construído em diálogo com a História. Acho que o tema, no fundo, não é a História, mas a identidade e as suas construções através do tempo. Essa identidade questionada é aquela que buscamos hoje. Mas nós somos muito aquilo que já fomos. Dentro de nós, subsiste vivo um passado que ainda não passou.

As diferenças no estilo da escrita também determinam a alternância de narradores. Como foi o processo da escrita polifônica?

É recorrente na minha escrita a existência de vozes plurais, de narradores diversos que espelham diferentes olhares sobre o mundo. Essa é a minha condição de uma pessoa distribuída entre universos. O nosso poeta José Craveirinha dizia: “não sou um homem dividido – sou uma pessoa repartida”. Partilho dessa percepção múltipla, desse mosaico de identidades. Tive de consultar fontes que eram radicalmente diferentes: do lado português, os documentos históricos que são muito ricos e produtivos. E tive que, do lado Moçambique, recorrer às fontes da oralidade. E percebi que, numa e noutra fonte, havia o registro de variadíssimas e contraditórias versões. Isso é ótimo porque encoraja o autor a escolher sua própria verdade.

A História se mostra cada vez mais interessada em detalhes. A literatura toma o seu lugar? 

 A relação entre as pequenas histórias e a grande História já foi questionada por Guimarães Rosa, que sugeriu renomear a pequena narrativa como sendo a “estória”. A História e a estória parecem excluir-se reciprocamente. Infelizmente, o passado, que é cristalizado numa única versão oficial, aquela que aprendemos nas escolas e nas famílias, está fortemente contaminada por uma visão simplificadora e maniqueísta. Só cabem no passado os grandes heróis e os grandes traidores, num cenário que não permite nenhum espaço entre Inferno e Paraíso. Mas o grande tecido do passado foi feito por gente comum, que não teve direito à memória coletiva. Por gente que nasceu e morreu no anonimato do Purgatório. A literatura pode devolver humanidade a esses infinitos tecedores do tempo.

Você e o angolano José Eduardo Agualusa (com A Rainha Ginga) buscam mostrar como os africanos foram parte ativa em ações no passado, ao contrário do que habitualmente é mostrado, e de uma forma mais vigorosa.

Em Angola e em Moçambique, decorreram percursos históricos diferentes, mas com um grande paralelismo. São nações recentes, que precisaram de, ao mesmo tempo, atualizar e reescrever numa única temporalidade os seus passados que eram muitos e permaneceram vivos e misturados no presente. Como construir heróis, como inventar para eles uma história depurada de impurezas se os nossos avós foram seus contemporâneos? Para se criar uma nação única, é preciso ter um passado único. É isso que legitima a existência de uma voz única no presente. Mas esta recriação implica não apenas uma reelaboração da memória (e muito da obra de Agualusa trata exatamente neste tema), mas implica sobretudo um trabalho comum de esquecimento. O que devemos esquecer? Quem escolhe o que é deitado nesse abismo escuro? A verdade é a seguinte: esquecer não é um lapso, não é uma passiva ausência que tomba naturalmente como uma folha seca e morta. O esquecimento é, como a memória, uma fabricação, uma narrativa construída e partilhada. O que nos faz ser nação não é apenas o que juntos lembramos. Mas é sobretudo o que esquecemos e como esquecemos juntos. A literatura pode colocar a nu esse processo sem que intente exatamente denunciar ou proclamar verdades. O ficcionista sugere o seguinte: eis a minha obra, é uma ficção, uma mentira que diz que mente. Vale a pena perguntar quanto de ficção e falsidade se fez a história solene e oficial das nossas nações. O importante, afinal, é que essas duas construções sejam sedutoras e instigadoras de um futuro em que nos podemos recriar.

MULHERES DE CINZAS

Autor: Mia Couto

Editora: Companhia das Letras (344 págs.,R$ 39,90)

Lançamento. Sesc Pompeia. Teatro.

R. Clélia, 93. Tel. 3871-7700. Leitura de trechos por Milton Hatoum, Mariana Lima e Maria Fernanda Cândido. Dia 25/11, 20 h. Grátis.

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Social Comics anuncia parceria com o Instituto Ayrton Senna e outras novidades Por Samir Naliato

A plataforma de quadrinhos digitais Social Comics aproveitou a presença no FIQ 2015 para anunciar uma parceria com o Instituto Ayrton Senna. Esse acordo possibilitará disponibilizar todos os quadrinhos do Senninha, inclusive as histórias mais antigas do personagem.

Outra empresa que firmou acordo com a plataforma foi a editora JBC, que começará a disponibilizar alguns títulos digitalmente, a começar por Henshin! Mangá. Em seguida, estão nos planos Combo Rangers e Robô Esmaga.

Por fim, a Social Comics confirmou uma novidade para a CCXP 2015. Trata-se de Um Cara Que Caiu do Céu (e não conhecia a vida). A história de Charlles Lucena conta com desenhos de grandes quadrinhistas brasileiros, como Vitor Cafaggi, Shiko, Felipe Nunes, Camilo Solano, Jack Herbert, Thobias Daneluz, Luciano Salles, Gustavo Borges, Mario Cau, Magno Costa, Leonardo Romero, Renato Quirino, Jean Diaz, Gabriel Jardim, Igor Tadeu, BRÄO, Daniel Hdr, Rogê Antonio, Eric Peleias e Mika Takahashi.

O lançamento acontecerá juntamente com a versão impressa.

Recentemente, a Social Comics foi adquirida pelo Grupo Omelete, com um investimento de R$ 2 milhões e planos de expansão para o exterior. Eles estarão na Comic Con Experience com estande próprio.

Senninha

Um Cara Que Caiu do Céu (e não conhecia a vida)

(Fonte: Universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

FNDE atrasa pagamentos de didáticos

Atraso é de R$ 468 milhões segundo Abrelivros

Mário Ghio, vice-presidente da Abrelivos:

Mário Ghio, vice-presidente da Abrelivos:

Em 2015, os programas de compras de livros pelo governo federal viveram um turbilhão de grandes emoções. Incertezas e atrasos marcaram a relação entre Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pelas compras, e as editoras. A notícia agora é que os pagamentos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) estão atrasados. De acordo com a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), o atraso chega a R$ 468 milhões referentes à reposição de exemplares negociados em anos anteriores e ao PNLD Campo, negociados em julho. Nessa conta não entram as negociações de compras do PNLD tradicional iniciadas no final de setembro. “O FNDE diz que está empenhado em conseguir os recursos, mas não consegue nos dar um cronograma. Ainda se tivéssemos um cronograma, tentaríamos nos ajustar”, disse ao PublishNews, Mário Ghio, vice-presidente da Abrelivros. “Estamos muito preocupados, todo o fôlego que a indústria tinha acabou. A pressão em cima do setor é inimaginável”, completou.Ainda de acordo com Ghio, o governo evita falar em atraso na entrega dos livros, mas isso pode acontecer. “Associados estão com muitas dificuldades e já pediram a postergação do prazo”, disse. Em nota, o FNDE disse que “a entrega dos livros pelas editoras ocorre em três etapas. A primeira e a segunda ocorreram normalmente e a terceira está em andamento. As entregas estão sendo monitoradas e ocorrem dentro da normalidade, com previsão de encerramento no dia 18 de dezembro”. Ainda de acordo com o FNDE, as aquisições correspondem a 120.810.759 livros, dos quais 20.565.668 ainda não foram entregues.

PNBE
Outro programa do governo federal que sofreu grandes emoções em 2015 foi o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), dado como suspenso e depois reavivado pelo FNDE. Depois de fazer cálculos, a equipe do FNDE percebeu que havia uma sobra de orçamento do PNLD e que isso poderia ser utilizado na compra do PNBE Temático negociado em 2014. “É louvável que aproveitem o excedente do PNLD para realizar o PNBE, mas eles precisam pagar”, disse Ghio. A proposta do FNDE aos editores é que os livros fossem vendidos ao mesmo preço negociado no final do ano passado, mas, apesar do aceno positivo, editores ouvidos pelo PublishNews disseram enfrentar dificuldades com o PNBE também. “Depois de nos obrigar a orçar impressão, cotar, reservar papel, eles nos informaram que há a intenção, mas não há previsão. Foi trabalho jogado fora e tempo às traças. Isso sem contar o prejuízo de ter que vender agora ao preço orçado em fins de 2014. A perda é sensível depois do aumento do papel e de todos os insumos atrelados ao dólar”, desabafou Marcos Marcionilo, sócio-proprietário da Parábola Editorial. Dentro do cronograma inicial do PNBE, o prazo para envio dos livros começa hoje.

(Fonte: Publish News)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Muna Ahmad lança primeiro livro, no Martinica Café

A goiana Muna Ahmed lança o primeiro livro de poesias, Muxarabi

A goiana Muna Ahmed lança o primeiro livro de poesias, Muxarabi

Poesias se inspiram nas treliças árabes

Nesta quarta-feira (18/11), será a vez de a poetisa goiana de raízes árabes Muna Ahmad lançar seu primeiro livro, às 19h, no Martinica Café. Desde criança, ela é fascinada pela capacidade das palavras de assumir significados diferentes quando combinadas, mas a coragem para mostrar os poemas só chegou agora. Muxarabi é uma compilação de 50 poesias escritas, principalmente, durante a juventude. O termo refere-se às treliças árabes, que se assemelham de longe aos cobogós de Niemeyer. Este tipo de janela é utilizado para filtrar a luz e permitir a passagem de ar. %u201CQuem está do lado de dentro vê o que se passa lá fora, mas quem está de fora não consegue ver nada%u201D, explica Muna. A intenção é que, ao abrir o livro, o leitor adentre o mundo antes invisível da poetisa e possa interpretá-lo conforme o que enxerga através das palavras entrelaçadas.

Muna é lírica sem transbordar romanticismos. %u201CEu trabalho a imagem mental que as palavras conseguem criar.%u201D Geograficamente, os versos remetem a Planaltina, onde viveu a maior parte do tempo, ao rock da capital e ao verde das ruas. Esteticamente, as páginas são estampadas com mandalas e contrapõem textos e espaços livres. O livro será relançado, no dia 25, no Museu Histórico e Artístico de Planaltina.

(Fonte: CorreioWeb)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Página virada: editoras e autores LGBT investem em ficções com diversidade

Sem tom militante, livros querem romper padrões heteronormativos

"Livros são particularmente importantes porque convidam os leitores a se colocar no lugar dos personagens", diz a autora Lisa Williamson Foto: Departamento de arte

“Livros são particularmente importantes porque convidam os leitores a se colocar no lugar dos personagens”, diz a autora Lisa Williamson

Aos 14 anos, David Piper está decidido: quer ser uma menina. Os desafios da complexa transição, acompanhada de perto pelos melhores amigos, Essie e Felix, foram a matéria-prima de Lisa Williamson em “A arte de ser normal” (Rocco). A escritora, cujo trabalho com adolescentes transgênero no sistema público de saúde inglês ajudou a dar substância ao romance, parte desse pressuposto para construir uma jornada de amizade e autodescoberta da protagonista.Sem tom militante ou didático, a obra aposta numa prosa simples e atrativa, que explora a dimensão humana da protagonista. Numa elogiosa resenha, o diário britânico “The Guardian” apontou: “O livro destaca-se não só pelo sensível retrato da vida de um adolescente transgênero, mas pela construção vívida e convincente dos personagens”.

— Como administradora do setor de identidade de gênero, uma de minhas tarefas era digitar as notas das sessões de terapia. O resultado disso é que ouvi centenas de histórias incríveis. Felizes, tristes, dolorosas e triunfantes. Todas elas me tocaram profundamente — conta a autora, por e-mail.

Desde o título, “A arte de ser normal” representa um novo momento para o mercado editorial LGBT, com obras panfletárias dando espaço a tramas complexas, em que personagens com o signo da diversidade ocupam os principais papéis. Lisa defende que livros como o dela são fundamentais para que a discussão se amplie e, assim, transforme os preconceitos:

— Acho que livros são particularmente importantes porque convidam os leitores a se colocar no lugar dos personagens, coisa que uma matéria de jornal ou um panfleto não consegue. Recebi muitas mensagens de jovens transgênero que deram o livro a parentes e amigos para ajudá-los a entender a transição. Os livros detêm um grande poder emocional e possuem uma força quase única para mudar corações e mentes.

EDITORA APOSTA EM FICÇÃO

É nessa força que está também a aposta da Hoo Editora, a mais recente empresa do mercado editorial voltada ao público LGBT. Numa área em que, até pouco tempo atrás, os volumes de não ficção e os estudos acadêmicos eram maioria, a publisher Juliana Albuquerque resolveu publicar apenas obras ficcionais, como romances e histórias em quadrinhos.

Os dois primeiros títulos da editora foram lançados neste mês, com tiragem inicial de 3 mil exemplares: “Nicotina zero”, de Alexandre Rabelo, e “Torta de Climão”, série de tirinhas de Kris Barz.

— A gente entende que estudos de gênero estão muito em pauta, por isso achou melhor focar na literatura. É o que mais falta. Escolhemos dar voz aos autores de ficção — diz Juliana.

Apesar de ousada, a escolha da Hoo Editora surtiu efeito: dezenas de escritores enviaram material para avaliação. A intenção de Juliana, ela conta, é que os livros da empresa não fiquem confinados às prateleiras reservadas às obras LGBT nas livrarias. Ela quer que estejam junto a todos os outros livros, espalhados pelas seções de ficção.— A Hoo não é uma editora de nicho. Nosso público em potencial é todo mundo que consome literatura — explica. — Uma ficção de temática LGBT não necessariamente envolve drama. Precisamos tratar a homossexualidade de maneira natural, precisamos romper com a heteronormatividade.

NOVA FASE

Criador do Mix Brasil, portal que aglutinava notícias sobre a cultura LGBT e se converteu num festival de cinema sobre diversidade, André Fischer afirma encarar com bons olhos a nova fase da militância. Para ele, sair do nicho é uma estratégia interessante, sobretudo num país onde os números do mercado editorial voltado para a diversidade são incertos e pequenos:

— Esse é o caminho. No exterior, livrarias exclusivamente LGBT fecharam as portas. Antigamente, as grandes livrarias separavam um espaço para os livros do gênero, hoje isso não é mais comum. Você só descobre um livro LGBT quando lê a contracapa ou a orelha. Houve uma mudança. A militância cultural cumpriu um papel importante. Através dela, a gente chegou a um momento diferente.

Leia um trecho de “A arte de ser normal”:

Um silêncio se instala entre nós. O Leo está brincando com a barra desfiada da calça jeans, e só me vem à cabeça a ideia de que o apavorei e que ele cansou de me ouvir. Fui burro em pensar que ele reagiria de outro jeito. Afinal, não é todo dia que alguém se vira para você e diz que quer ser do sexo oposto, muito menos um garoto que você conhece há apenas alguns meses.

– Acho que agora você também pensa que eu sou uma aberração – falo, minha voz saindo baixa e triste.

O Leo olha diretamente para mim. Nossos olhos se fixam por um instante, e as sardas âmbar do Leo cintilam sob a luz da lua.

– Não acho que você seja uma aberração, David – diz ele com a voz lenta e cuidadosa.

– Não?

Seus olhos estão com um brilho vidrado. Não são lágrimas (acho que nem consigo imaginar o Leo chorando), mas algo parecido.

Leia um trecho de “Nicotina zero”:

– Com licença, você teria um cigarro?

Era o diabo. Conseguiu entrever uma chama em seus olhos. Olhou direto nas pupilas como se não tivesse visto nada de extraordinário, como se fosse cego. Fingiu não ter percebido nada além do alcance da razão. Quis sair de manso, mas o outro já sorria seu riso revelado de trevas.

– Tem?

– Não. Eu parei de fumar.

O diabo riu:

– Então, que maço é esse na sua mão?

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Tutty Vasques junta noticiário e bom humor em novo livro

Em tempos de barbáries no Brasil e mundo afora, é difícil encontrar espaço impresso para o humor. O jornalista carioca Alfredo Ribeiro de Barros – com seu alter ego Tutty Vasques – encarou a missão de conciliar o noticiário com uma dose de bom humor na imprensa diária por 30 anos – os últimos sete, até 2014, no Estado. Parte dessa produção está agora reunida no livro Ô, Raça, que sai pela Editora Apicuri – o lançamento em São Paulo ocorre hoje na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073), às 18h30.

Desde dezembro do ano passado, Ribeiro se dedica aos seus perfis nas redes sociais e, desde setembro, trabalha no Instituto Moreira Salles. “Tem sido ótimo, acho que estamos virando uma única pessoa. Tutty todo dia, nunca mais!” Sobre o livro – que traz frases e comentários sobre fatos noticiados pela imprensa desde 2001 e perfis “pessoalíssimos” escritos sobre personalidades como Gerald Thomas e Nelson Motta –, ele respondeu às seguintes questões.

 

 

É engraçado como algumas frases que você coloca no primeiro capítulo, de 2001 ou 2006, soam tão atuais, poderiam ser de hoje ou de semana passada.

O bom e o ruim de revisitar os últimos 15 anos do Tutty foi perceber com grande alegria profissional e enorme apreensão pessoal que há, no que escrevi ao longo deste tempo, uma substância atemporal, que eu temia perecível pelo próprio caráter do noticiário que serve de matéria-prima ao humor do Tutty. Acho que o livro propõe ao leitor que dê um desconto ao DNA da História do Brasil: isso aqui nunca foi bom, está custando a melhorar, mas também já esteve pior. Pode haver alguma graça neste caminho.

O humor hoje é um pouco mais necessário do que há 10 anos, você concorda? Especialmente esse em relação ao noticiário…

Sou suspeito para concordar, mas desconfio que estamos de acordo com uma ideia que não combina muito com o estado de espírito dominante na imprensa e nas redes sociais. O Brasil virou o país dos indignados. Não que a indignação não faça sentido, pelo contrário, vivemos uma época de lascar, tempos especialmente pervertidos, mas reagir como se estivesse com dor, gritando, “eu não aguento mais”, “a que ponto chegamos”, “basta!”, francamente, além de não mudar nada, é chato pra caramba. O noticiário alimenta esta chateação. Acho um engano. Daqui a alguns anos, não ligaremos mais o nome à pessoa do Eduardo Cunha, quer apostar? Eu mesmo já esqueci do nome daquele deputado que construiu um castelo em Minas, lembra dele?

As últimas semanas viram nas redes sociais um levante feminista em busca da preservação de direitos das mulheres. Como você acha que o humor pode se relacionar com esse movimento?

Esse movimento das mulheres é uma luz no fim da gritaria. Elas estão dizendo coisas objetivas, corajosas, ocupando espaços de forma inteligente. Tem vida no que elas estão levando às ruas. Há décadas, o Brasil não se pronunciava com tamanha propriedade – tomara que vá além do fora ‘Fora Cunha!’ –, mas isso não livra ninguém, no caso a mulherada, do humor. Não se faz piada só com gente ruim. Tenho me relacionado direto com o movimento em busca de graça nas redes. Exemplo de um post publicado: “Entreouvido nos bastidores do #Agoraéquesãoelas, a bela campanha de ocupação pelas mulheres de espaços em jornais cedidos por homens colunistas: ‘Escrever a coluna do Gregório Duvivier é mole, quero ver escrever a do Merval Pereira.’”

O politicamente correto é algo que te preocupa?

Houve um tempo em era bacana. Depois ficou chato. Hoje, virou a coisa mais cafona do mundo. Ninguém quer ser. E ninguém faz o menor esforço para não sê-lo, basta ver a ala dos indignados que defende abertamente a volta da ditadura. Acho que a única regra que serve para o humor é o compromisso de tentar não atravessar a fronteira entre a graça e a grosseria. O problema é que, quanto mais próximo da linha imaginária que separa uma coisa da outra, melhor a piada. Nessa busca pelo extremo da graça, não tem jeito, todo mundo que trabalha com humor de vez em quando se esborracha no lado errado. É horrível, mas é do jogo.

Leia algumas das frases do primeiro capítulo de Ô, Raça:

“2004:

Aécio Neves foi ausência sentida no aniversário de Naomi Campbell, em Saint-Tropez. Luciano Huck, Pedro Paulo e João Paulo Diniz, Mario Garnero, a galera estava toda lá;

A revista Isto É deu a José Dirceu o título de “Brasileiro do Ano”;

2007:

A proposta de cercar o vão livre do masp com grades foi, de longe, a ideia de jerico do ano;

“Independência ou Marta!”, LULA, presidente

2010:

José Serra inaugurou maquete da ponte Santos-Guarujá;

Violaram o sigilo fiscal da Ana Maria Braga;

“Quem não viveu a época da escravidão não pode falar se ela era boa ou não”, DUNGA, técnico da Seleção

2012:

Uma feira de livros em Ribeirão Preto (SP) terminou em conflito com a polícia;

Mário de Andrade atingiu, salvo engano, a marca da milésima carta publicada em livros;

“Michael Jackson me pediu em casamento!”, XUXA MENEGHEL, sem mais nem menos

O ator José de Abreu cismou de querer ser mais amigo do José Dirceu que o escritor Fernando Morais;

2013:

Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin dividiram Afif Domingos em regime de guarda compartilhada;

2014:

“O que faz de um sujeito um homem, hein? Pipa ou pinça? Moela ou camarão?”, PEDRO BIAL, se superando no bbb

Alexandre Padilha foi o primeiro poste que Lula não elegeu;

Falta d’água em sp não prejudicou negócio de lavagem de dinheiro.”

Ô, RAÇA!

Autor: Tutty Vasques

Org.: Fábio Rodrigues

Editora: Apicuri (360 págs., R$ 39)

Lançamento: Terça-feira, 17, 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073)

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Jaboatão dos Guararapes recebe evento de cultura pop

O Jaboatão Pop abrigará o I Encontro da Cultura Pop de Jaboatão e o 3° Encontro HQ, ocorrendo de 25 a 28 de novembro, na Faculdade Guararapes/Piedade e na UFRPE.

O evento surgiu a partir da articulação e fundação do Grupo Interdisciplinar de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos, Charges e Cartuns – GIP-HQ, sediado na Faculdade Guararapes de Piedade, cidade de Jaboatão dos Guararapes/PE, e formado por professores, estudantes e pesquisadores da área.

O Jaboatão Pop contará com um conjunto de atividades simultâneas em ambos os locais e apresentações de trabalhos em grupos coordenados, que depois se tornarão artigos a serem compilados em um livro publicado em 2016.

Além disso, os visitantes podem assistir a conferências de pesquisadores sobre histórias em quadrinhos do Brasil e de desenhistas pernambucanos, além de participar de minicursos e workshops.

Para fechar, uma exposição de estátuas de personagens de quadrinhos e fanzines, lançamentos de livros e cartilhas em quadrinhos, banners de trabalhos e apresentação de cosplays e animês.

Para participar do evento não é necessário ser aluno da FG, basta se inscrever. Interessados em apresentar trabalhos precisam enviar um resumo de 250 linhas explicando o conteúdo do material de forma sucinta.

A expectativa do evento é reunir desenhistas, pesquisadores, curiosos e demais interessados para inserir o evento no calendário cultural de Pernambuco.

Estão confirmadas as presenças conferencistas Dr. Amaro Braga (UFAL), Dr. Edgar Franco (UFG), Dr. Iuri Reblin (EST/RS), Dra. Valéria Bari (UFSE), Lailson de Holanda, Natália Lima e Júnior Ramos (Sapo Lendário), Luciano Félix, Eduardo Schloesser, Rafael Anderson, Marília Feldhues, Yarles Silva e Dr. Paulo Ramos (Unifesp).

Confira aqui a programação oficial.

jaboatao_pop

(Fonte: Universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Em novo livro, o tempo das fotos de Evandro Teixeira

Aos 80, fotojornalista revisita meio século de carreira

Imagem de pequenos baianos brincando em uma ladeira de Salvador estampa a capa do livro de Teixeira

 

Se o clique de uma câmera fotográfica serve para congelar uma cena eternamente, Evandro Teixeira se converteu em um dos maiores especialistas em manejar o tempo atrás do instante decisivo. Ao longo de mais de meio século de carreira, o fotojornalista encontrou, em anônimos e famosos, metrópoles e pequenas vilas, material de sobra para tornar eterno. Ele reuniu 160 imagens marcantes no livro “Retratos do tempo” (Edições de Janeiro).Conhecido por andar sempre com uma escada de alumínio a tiracolo, Teixeira procurava um ponto de vista mais amplo das situações. Do alto dos degraus, foram feitos registros das manifestações contra a ditadura e fotos da Copa do Mundo de 2014, todos incluídos no livro. Nesta segunda-feira, a partir das 19h, o autor autografará a obra na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

Nas 240 páginas do livro, estão o sorriso aberto de Chico Buarque durante um desfile da Mangueira na avenida e o olhar esperançoso de freiras baianas à espera do Papa João Paulo II. Carnaval, religião, futebol, tudo que apaixona o brasileiro mereceu a atenção das lentes do fotógrafo que completou 80 anos em 2015:

— A verdade é que eu não me incomodo em ser chamado de operário da fotografia. Trabalhei para mostrar a fotografia do Brasil. Nossa fotografia não deve nada a ninguém.

COTIDIANO DO POVO

Nordestino alimenta cabras na região de Canudos

Grandes personagens da história mundial também mereceram a atenção de Teixeira. O fotógrafo cobriu, de perto, a morte de Pablo Neruda no Chile de Pinochet, assim como fotografou a visita da princesa Diana ao país. Mas é com pessoas comuns que Teixeira prefere trabalhar.

— Eu gosto muito de flagrar o cotidiano do povo — afirma.

Os registros meticulosos de sertanejos nordestinos, feitos durante viagem à região de Canudos, às vésperas do centenário da revolta de Antônio Conselheiro, são prova disso. O baiano conta que mantém uma relação muito próxima com o lugar até hoje.

— Canudos é uma história importante da minha vida. Cresci ouvindo relatos. Quando estudante, pude ler “Os sertões”. Já jornalista, pude fazer o trabalho em homenagem aos 100 anos de Canudos. Acho que fui tarde, se fosse antes poderia encontrar mais velhinhos que testemunharam tudo. Eles me ensinaram muito da vida. O livro foi lançado em 1997. Desde então, volto religiosamente todo ano para lá.

Evandro explica que planeja um novo volume do livro, com fotografias que ficaram de fora e outras que ainda pretende fazer.. Algumas destas imagens, por sinal, podem ser vistas na exposição “Evandro Teixeira: A constituição do mundo”, em cartaz no Museu de Arte do Rio (MAR) até o dia 31 de janeiro.

“Retratos do tempo”

AUTOR: Evandro Teixeira.

EDITORA: Edições de Janeiro.
Publicidade
PÁGINAS: 240.
PREÇO: R$ 100.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button