AS FACETAS SECRETAS DE VINICIUS DE MORAES SÃO TEMA DE DEBATE NA CASA DO SABER O GLOBO

André Miranda, Miguel Jost, Eucanaã Ferraz e José Castello

André Miranda, Miguel Jost, Eucanaã Ferraz e José Castello

A palavra foi o foco do terceiro e último debate do projeto “Vinicius em 3 tons”, da série Encontros O GLOBO. Reunidos na terça-feira na Casa do Saber O GLOBO, na Lagoa, com mediação do repórter André Miranda, especialistas em Vinicius de Moraes se debruçaram sobre o legado desse grande nome da cultura brasileira (que completaria 100 anos em 2013) e chegaram a um consenso: ainda há que se fazer justiça à grandeza poética de Vinicius.
— Ele é um poeta em construção, e não só para mim. Vinicius começou com um tom e depois foi para outro. Quando se dedicou à música, ganhou um outro perfil. E ainda hoje há Vinicius secretos, facetas inexploradas em sua obra — observou o poeta Eucanaã Ferraz, coordenador da edição completa das obras do autor.
O pesquisador Miguel Jost, que prepara uma grande exposição sobre Vinicius para o ano que vem, na nova Biblioteca Pública do Rio de Janeiro, lembrou uma das consequências do grande envolvimento do poeta com a canção popular (na qual se fez célebre sozinho ou em parcerias com Tom Jobim, Toquinho, Baden e outros):
— Havia a imagem do poetinha, do poeta menor, mas o nível de dedicação dele ao labor poético é impressionante.
Autor de uma biografia de Vinicius (“O poeta da paixão”, de 1994) e colunista de O GLOBO, José Castello contou ter encontrado um poeta “inteiramente esquecido, para não dizer desprezado” quando iniciou sua pesquisa.
— A poesia de Vinicius é uma espécie de reportagem interior, ele vivia caçando pedaços da vida para jogar na palavra. Ele falava de lua, amor, mulher, de tudo aquilo que tinha sido expulso pelo modernismo. O drama do Vinicius nunca foi a forma. Ele estava mais preocupado em construir uma grande vida, e que essa vida se refletisse em sua obra.
— O Vinicius inventa um modernismo próprio, sem abrir mão do laço entre vida e poesia. Ele tem a ambição da poesia grande — arrematou Eucanaã, aproveitando para ler um de seus Vinicius secretos: o do mórbido poema “Balada da moça do Miramar”.

(Fonte: O Globo)

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