Arquivos diários: 1 de fevereiro de 2017

ELA DESISTIU…

mulher-gargalhando

 

Ela era incapaz de enumerar a quantidade de vezes em que se deparou com alguma situação que jurava que não conseguiria resolver. E sofreu, porque sofrer é muito mais fácil do que reagir. E ao se permitir sofrer sem freios, machucou várias partes do seu eu. Tornou-se aquela pessoinha frágil que se quebrava com qualquer sopro mais forte.
O seu coração precisou se regenerar de tantas maneiras que chegou a considerar que, no seu caso, o que pulsava do lado esquerdo do peito era um fígado. Perdeu a esperança, caiu, errou, chorou, sentiu-se sem rumo, sem paz e sem razão… E a vida, que não olha para baixo, pisou nela em todas as oportunidades que teve de se deparar com ela largada ao chão.
O pior é que tudo o que ela fazia para tentar sair da sua condição de vítima, não dava certo, porque ela vivia abraçada a sua dor. Foi perdendo o ânimo e a vontade de lutar. Em pouco tempo percebeu que não havia buraco fundo o suficiente para que ela coubesse juntamente com os seus problemas, então passou a cavar cada vez mais rápido, mesmo sentindo-se esgotada.
Ela descobriu que escavar exige menos esforço do que escalar… Ainda mais quando o terreno é instável.
Algumas pessoas tentaram fazê-la perceber o mal que ela estava fazendo a si mesma, mas ela não deu ouvidos; outras incitavam-na a sentir-se pior e nessas ela prestou atenção. Acontece que, em pouco tempo, todas cansaram e se afastaram dela. As boas pessoas porque preferiram gastar energia com quem lhes dava crédito e as más porque perceberam que ela já fazia sozinha um excelente trabalho de autodestruição.
Matou os sonhos, as perspectivas e os seus melhores desejos. Para todo lugar que olhava só via o buraco no qual se meteu.
Um dia, extremamente cansada de tudo, sem saber o que fazer para que a dor fosse menos angustiante, resolveu rezar. Não que esperasse ser ouvida. Estava tão acostumada a se lastimar que achou que a sua oração seria só mais um dos seus lamentos.
As palavras dela, a princípio, pareceram sem nexo, mas percebeu que se tornavam mais audíveis e mais coerentes a cada nova frase proferida. Imaginou que algum anjo surgiria para resgatá-la, porque ser resgatada dela mesma era o que ela mais precisava… E porque, na sua mente, só um milagre conseguiria fazer com que a vida dela melhorasse.
Rezava com bastante afinco. E nada acontecia. Mas mesmo nada de concreto acontecendo foi percebendo que a cada dia se sentia mais fortalecida. Com as forças se renovando, notou que conseguiria dar um basta na situação e foi aí que resolveu desistir…
Desistiu de ser covarde, de se esconder das responsabilidades, de se esquivar da luta e resolveu encarar cada problema de frente. E foi quando não aceitou mais ser refém da sua fragilidade, quando rejeitou o papel de vítima indefesa, quando se recusou a acreditar nas desculpas que inventava para justificar as próprias fraquezas, que se deu conta que a dor não cura nada. A dor só serve para fazer lembrar que tem algo errado, mas não é ela que importa de verdade. O que importa é como reagimos.
Ela compreendeu que diante de qualquer perda, decepção, frustração ou problema, a dor chega e é impossível ignorá-la, até porque ignorar a dor não é uma boa ideia, dor negada é dor dobrada. Mas, depois de ter chegado ao fundo do buraco mais fundo que ela mesma escavou, aprendeu a deixar a dor lhe mostrar os lugares machucados, não para lamentar os ferimentos, não para se concentrar no sofrimento que eles lhe causavam, não para culpar-se por tê-los provocado ou recebido… E sim para cuidar deles. E ferimento tratado corre menos risco de infeccionar e cicatriza mais rápido.
E foi agindo dessa maneira que ela se tornou a protagonista da sua história, nem vilã nem heroína, apenas alguém que descobriu que a força dela habita nela mesma.
Adquiriu o hábito de rezar, pois assim afasta a escuridão da sua alma e se prometeu nunca mais esquecer que tudo tem que ter começo, meio e fim, tipo livro… Tipo a dor.
E agora, mesmo quando não está feliz, ainda sim está bem, escalando montanhas com os olhos voltados para o céu.

(Elaine Elesbão)

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O ritmo e o estilo de diferentes obras literárias brasileiras

Número de palavras por frase é um dos principais responsáveis por definir ritmo e musicalidade de um texto. Veja como diferentes autores equilibram frases em suas obras.

(Por Rodolfo Almeida e Daniel Mariani – NEXO)

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Para ler a matéria completa clique no link abaixo:

NEXO

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