Arquivos mensais: maio 2016

Que tal sorrir?

 

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Como alguém que em um gesto de desespero resolve deixar a vida cortando os pulsos, ela também decidiu que já era a hora do basta. Mas o basta dela não era para a vida, era para tudo o que a levava para mais perto da morte dos seus sonhos. Bastava de medos, de culpas, de ressentimentos, de remoer o que nunca foi dito e de relembrar tudo de ruim que já lhe disseram. Era tanta agonia em cada suspiro que ela não conseguia mais nem esvaziar-se da dor. Algo precisava ser feito, urgentemente, antes que ela já não se pertencesse mais.
Então, em um gesto de coragem, ela cortou seu cordão umbilical com a tristeza. Foi fria e certeira. Chegou a achar que não sobreviveria, pois há tempos vivia sendo alimentada por esse sentimento. Mas para não deixar dúvida de que estava pronta para vibrar de outra maneira, deu um salto em queda livre tendo como alvo o “eu me aceito”.
Ela não estava louca… Também não era otimista demais, longe disso. Ela apenas havia descoberto que não adiantava nada desgastar-se, esgotar-se ou limitar-se. Queria sentir-se plena, gostar de si, livrar-se das culpas e das amarras invisíveis que a prendiam a padrões de comportamento que só faziam com que ela se achasse inadequada.
Claro que daria muito trabalho ser leve, ela sabia, mas tinha certeza de que dava mais trabalho ainda não ser.
O que ela queria de verdade era sossegar o coração. Com o coração tranquilo seria possível dormir melhor, pensar melhor e ser uma pessoa melhor. Com tudo melhorado, ela tinha fé de que iria rir mais, divertir-se mais e perdoar-se mais.
Não há tratamento de saúde que seja tão eficaz quanto o exercício de sorrir… Ela conhecia pessoas assim, que traziam o sorriso nos lábios e no olhar. Pessoas que não se deixaram viciar pela tristeza e que optaram por acreditar nelas mesmas.
E foi aí que ela sorriu…
Ah, e como ela ficava bonita sorrindo!

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DO AVESSO

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DO AVESSO

Você vai pensar em mim
O tempo todo assim
Querendo me querer,
mas com medo do meu jeito
que te rabisca por dentro

Vai tentar deter a onda
Vai pensar que é passageiro
Vai me comparar a outras
Embriagado do meu cheiro

E eu te deixo livre pra sentir
Não sou igual as que existem por aí
O meu querer não depende do seu…
Mas vou te encaixar no meu céu
E te virar do avesso ao ler seu ser

Vai tentar deter a onda
Vai pensar que é passageiro
Vai me comparar a outras
Embriagado do meu cheiro

E quando pensar que sou sua
Que me tem como bem quiser
Vou te mostrar que me pertence
Que sou eu que faço o seu roteiro
E te inebrio com meu cheiro

(Elaine Elesbão)

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