Arquivos mensais: maio 2015

Plataforma promete reduzir custos com metadados

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Ferramenta começou a ser desenvolvida em 2014 e está em operação desde março

A gestão de metadados ainda é um dos grandes vilões do mercado editorial brasileiro. Foi pensando nisso que Rafael Schäffer criou a Ubiqui, uma plataforma que promete redução de até 70% nos custos de cadastro de livros, sejam eles impressos ou digitais. A ferramenta começou a ser desenvolvida em 2014 e entrou em operação em março passado. O que o Ubiqui faz é estandardizar os dados conforme os padrões de cada uma das 200 livrarias (físicas ou on line) com as quais a ferramenta conversa. A redução, nas contas de Schäffer, é graças à economia de tempo, de trabalho e de pessoal que as editoras têm ao assinar o serviço. Pelo painel de controle da Ubiqui, a editora faz um único cadastro e a ferramenta distribui o cadastro conforme as necessidades e o sistema (Onix, XML, CSV, TXT ou Excel) de cada livraria, dispensando a necessidade de refazer o cadastro para cada varejista. “Há uma redução real no tempo de cadastro. Além disso, o sistema faz a checagem se o livro está nas livrarias, acessa os links e quando há qualquer alteração no cadastro nas livrarias, o sistema é avisado”, garante o desenvolvedor. A remuneração da Ubiqui é feita pela quantidade de livros hospedados. Até 500 títulos, é cobrado um preço pela faixa de hospedagem. A partir de 500 cadastros, é cobrado um valor unitário.

(Fonte: Publish News)

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‘Inviável’, Livraria Leonardo da Vinci anuncia fechamento

Milena Duchiade, herdeira da livraria: “nosso modelo de negócio é inviável”

Milena Duchiade, herdeira da livraria: “nosso modelo de negócio é inviável”

Loja frequentada por intelectuais e artistas fez fama por vender obras importadas; liquidação começa em junho

Depois de 63 anos de serviços literários prestados ao Rio de Janeiro, a Livraria Leonardo da Vinci perdeu a batalha para os novos tempos e vai fechar as portas ainda em 2015. A loja, fundada pelo romeno Andrei Duchiade, realizará uma queima de estoque a partir de 1º de junho. Milena Duchiade, herdeira do negócio, afirma que é impossível continuar operando com prejuízo. Numa tentativa de diminuir as perdas, a casa já começou a desocupar as quatro salas do histórico Edifício Marquês de Herval, na Avenida Rio Branco. Até o mês que vem, serão apenas duas, abertas até o fim da liquidação.

— Teimosia tem limite. Nosso modelo de negócio é inviável. Nós estamos sendo punidos por nossas qualidades. Nossas virtudes tornaram-se defeitos. Não temos um café, não vendemos papelaria, nem informática. Vendemos pouca autoajuda e poucos best-sellers. Temos um nicho, muito específico, que está sob pressão — admite.

Desde 1952, a livraria é reduto de intelectuais e universitários que buscam obras importadas. Em tempos anteriores à internet, era responsável por suprir os leitores com os últimos lançamentos editoriais da Europa e dos EUA. Aos poucos, foi adicionando títulos nacionais às prateleiras. Carlos Drummond de Andrade homenageou a loja, que fica no subsolo do prédio, com versos. Na época da morte de Andrei, em 1965, quem assumiu o comando foi sua mulher, Giovanna Piraccini. Em 1996, Milena se juntou à mãe na gerência dos negócios.

Nas estantes da Leonardo da Vinci ainda repousam livros cujo preço original era cotado em pesetas espanholas e francos, da França, por exemplo. As obras, que fazem parte de um estoque estimado em mais de cem mil exemplares, foram compradas antes do surgimento do euro, em 2002, e esperam até hoje para serem vendidas. O modelo de negócios, baseado em fidelização da clientela, títulos especializados e, por conta disso, em um ritmo lento de vendas, esgotou-se de vez com o protagonismo de lojas virtuais e megalivrarias, diz Milena. Nem a incursão na Estante Virtual, site que reúne sebos e livrarias, foi capaz de reduzir as perdas. Milena afirma que as obras no Centro da cidade, nos últimos anos, aceleraram o processo:

— Foi a pá de cal que faltava. Nos dias seguintes às manifestações de 2013, as calçadas ficavam cheias de cacos das vidraças dos bancos. Quem anda na rua assim? Com a Rio Branco cheia de estilhaços e tapumes? No fim de 2014, em novembro, começaram as obras que destruíram a avenida. As pessoas não conseguem circular mais por aqui.

Embora esteja decidida a fechar a Livraria Leonardo da Vinci, Milena admite que gostaria de ver o negócio perpetuado por outras mãos:

— Estou aberta a conversas e propostas. Meu sonho é que alguém continue a livraria. A Confeitaria Colombo, por exemplo, não pertence à mesma família, mas continua. No exterior, existe um movimento de jovens que retomam livrarias antigas e botam sangue novo, dinheiro novo, ideias novas.

(Fonte: O Globo)

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Lei das Biografias está nas mãos de Romário

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Projeto estava perto de ser aprovado, mas seguiu para outra comissão

O projeto para mudar a Lei das Biografias que tramita no Senado, permitindo que os livros sejam lançados sem a autorização prévia dos biografados ou seus herdeiros, está mais longe do fim. Pedidos dos senadores Agripino Maia e Ronaldo Caiado, ambos do DEM, conseguiram com que o assunto deixasse a Comissão de Constituição e Justiça e fosse parar na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, que tem o ex-jogador Romário como presidente.

Ao saber do projeto, Romário pediu para ser o relator (“avocou”, na linguagem técnica da Casa). Uma informação não oficial apontava que seria esta uma estratégia para se prorrogar a votação ao máximo, já que não haveria interesses internos em sua aprovação. Mas, procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do senador comunicou sua posição oficial sobre o assunto. “Essa é uma informação bizarra. Romário é a favor das biografias não autorizadas e acredita que, quem se sentir lesado, pode procurar a Justiça. Mas censurar uma biografia, jamais”, disse sua assessora.

O próprio senador já havia se manifestado por meio de sua página no Facebook, em 28 de abril, quando o projeto caiu em suas mãos. “Anunciei agora há pouco, durante audiência com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que serei relator do projeto de lei que autoriza a publicação de biografias não autorizadas de pessoas públicas ou aquelas cujos atos são de interesse da coletividade. Já antecipo que sou favorável à proposta – antes mesmo de falar como senador, falo também como pessoa pública que sou. A legislação brasileira já tem mecanismos para punir aqueles que publicam inverdades e o biografado tem o direito de ver obras mentirosas saírem das prateleiras.”

Na tarde de ontem, o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (à qual cuidava do tema antes da migração), enviou uma carta a Romário, que o Estado teve acesso. Ferraço mostra-se preocupado com a demora na votação do tema. “Aqueles que fazem uma opção pela vida pública possuem, sim, diversos bônus, mas também precisam arcar com os ônus advindos dessa escolha. Estar exposto ao interesse da coletividade acarreta, inevitavelmente, um estreitamento de sua intimidade. Vincular a liberdade de escritores, biógrafos, jornalistas ou historiadores de retratar a vida de personagens públicos à prévia autorização é uma ameaça à memória coletiva do país. E um país que não preserva sua memória não tem como refletir sobre seu presente nem como construir com bases sólidas o seu futuro.”

Romário tem agora 14 dias para apresentar seu relatório sobre o assunto, que será colocado em votação – um prazo que pode ser prorrogado. Depois disso, ele volta para ser analisado novamente na Comissão de Constituição e Justiça, onde estava e só saiu a pedido de Caiado e Maia.

No STF, uma outra frente que tenta mudar a legislação, a ministra Cármen Lúcia promete colocar em votação uma ação para mudar a lei nos próximos 40 dias.

(Fonte: O Estadão)

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O Talentoso Ripley | Série de livros que inspirou o filme homônimo ganhará adaptação para a TV

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Ainda não há emissora envolvida na negociação

O Talentoso Ripley está a caminho da TV. Segundo o THR , a série de livros de Patricia Highsmith (1921-1995) estaria sendo adaptada pelas produtoras Television 360 e Endemol Shine em parceria com a editora Diogenes.

Ainda não há mais informações sobre trama. A série, que ficou conhecida como Ripliad, tem cinco livros: O Talentoso Ripley (1955), Ripley Subterrâneo (1970), O Jogo de Ripley (1974), O Garoto que Seguiu Ripley (1980) e Ripley Debaixo D’Água  (1991). Todos eles já foram adaptados aos cinemas, sem nunca repetir o ator que viveu o protagonista, Tom Ripley.

O time de produtores pretende contratar um conhecido cineasta ou roteirista para encabeçar a série, além de conseguir um bom protagonista, antes de oferecer o produto às emissoras premium ou serviços de streaming estadunidenses.

(Fonte: Omelete)

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Serra Comics 2015 abre inscrições para concurso de HQ

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A organização do Festival Brasileiro de Quadrinhos, Cinema de Animação e Mangá na Serra Carioca, também conhecido como Serra Comics, abriu inscrições para a mostra competitiva de quadrinhos e animação para a edição deste ano.

Para mais informações, clique aqui e acesse o site oficial.

Neste ano, o festival vai comemorar os 85 anos da Walt Disney Comics e 80 anos da DC Comics. Dentre as premiações do festival estão Pen Tablets (mesas digitalizadoras) e quadrinhos da Panini Comics.

O Serra Comics 2015 acontecerá no Sesc Teresópolis, nos dias 27 e 28 de agosto. O evento é gratuito e sem fins lucrativos, organizado pelos produtores Rodrigodraw Miguel e Giselle Couto.

(Fonte: Universo HQ)

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Encadernados da DC serão vendidos com animações em DVD e Blu-ray

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Nos meses de setembro e outubro, a DC Comics planeja publicar uma série de encadernados em capa dura com um atrativo a mais: eles virão acompanhados com DVDs e Blu-rays de animações baseadas nas respectivas histórias ou com alguma relação com o personagem.

Desde 2007, a Warner Bros. tem produzido diversos longas-metragens animados com os personagens da editora, para o mercado de home vídeo. A maioria deles adapta histórias conhecidas.

Estão na lista os seguintes encadernados:

Batman – Black and White (240 páginas, US$ 26.99) – Uma antologia de histórias em preto e branco produzidas por grandes nomes do mercado, como Neil Gaiman, Joe Kubert, Frank Miller, Jim Lee e outros. Acompanha a animação Batman – O Cavaleiro de Gotham, com seis contos escritos por Greg Rucka, Brian Azzarello, David S. Goyer, Jordan Goldberg e Alan Burnett.

Batman – Year One (144 páginas, US$ 26.99), por Frank Miller e David Mazzucchelli – A história que redefiniu a origem do Cavaleiro das Trevas, incluindo extras como reproduções de artes originais, páginas do roteiro, material promocional e desenhos nunca vistos antes. Acompanha a animação de mesmo nome.

The Death of Superman (168 páginas, US$ 26.99), Por Dan Jurgens e outros – Quando um monstro chamado Apocalypse surge causando destruição, somente o Superman poderá detê-lo. Acompanha a animação A Morte do Superman.

JLA – Earth 2 (144 páginas, US$ 26.99), por Grant Morrison e Frank Quitely – Nunca nada ameaçou o poderoso Sindicato do Crime, formado pelos maiores vilões do mundo. Até que uma versão similar de outra realidade surge: a Liga da Justiça. Acompanha a animação Liga da Justiça – Crise em duas Terras.

Justice League – Origin (144 páginas, US$ 26.99), por Geoff Johns e Jim Lee – A nova origem da Liga da Justiça após o reboot de 2011, conhecido como Novos 52. Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Aquaman e Ciborgue se juntam para impedir a invasão de Darkseid. Acompanha a animação Liga da Justiça – Guerra.

Wonder Woman – Gods and Mortals (192 páginas, US$ 26.99), por George Pérez – Reúne as histórias publicadas em Wonder Woman # 1 a # 7 (1987), que reconta a origem da Princesa Amazona e sua chegada ao mundo dos homens. A Mulher-Maravilha precisa enfrentar Ares antes que a Terceira Guerra Mundial aconteça. Acompanha a animação Mulher-Maravilha.

Além dessas edições, a editora lançará ainda DC Comics Book and DVD/Blu-ray Slipcase Set, uma coleção que reunirá todos os seis encadernados e as respectivas animações, ao preço de US$ 145.99.

(Fonte: Universo HQ)

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Frankfurt investe em plataforma global de direitos

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Feira do Livro de Frankfurt passa a ser sócia da IPR License

A Feira do Livro de Frankfurt acaba de anunciar “um investimento significativo” na IPR License, plataforma online que permite a aquisição subsidiária de direitos de livros e licenciamentos em escala global. Com isso, a Feira de Frankfurt passa a ter uma participação minoritária na IPR. Juntas, as duas empresas vão trabalhar estratégias de vendas, marketing e de tecnologia com o objetivo de consolidar a plataforma como uma ferramenta padrão para licenciamentos e vendas de direitos na indústria editorial em nível global. A parceria quer, além de promover a venda de direitos e de licenciamentos, permitir que editores internacionais façam transações de seus catálogos de formas simples, rápida e com custo eficiente.

Em comunicado enviado à imprensa, Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, disse: “nos últimos anos, editores têm encontrado novas oportunidades para seus conteúdos. Atividades envolvendo direitos autorais têm crescido no nosso portfólio. Assim, nós identificamos nesse tipo de negócios uma área na qual podemos avançar com nossas ofertas atuais – ou seja, Literary Agents & Scouts Centre, o International Rights Directors Meeting e o nosso envolvimento com o RightsLink e muitos outros eventos especializados para um público mais amplo, ao redor do mundo, onde ainda não temos uma presença”.

“A indústria editorial é um negócio global e os direitos são o coração desse negócio. A Feira do Livro de Frankfurt não é apenas o maior e mais importante marketplace para negócios e licenciamentos, é onde também profissionais desse mercado se informam sobre os últimos acontecimentos que impactam a área de direitos autorais. A Feira do Livro de Frankfurt tem uma visão clara para gerar oportunidades extras de negócios para editores e vamos trabalhar em conjunto para garantir que mais oportunidades sejam geradas e monetizadas em nível global. Trabalhar junto com os escritórios da Feira de Frankfurt ao redor do mundo, nos assegura que teremos momentos emocionantes à frente”, declarou Tom Chalmers, diretor da IPR License.

(Fonte: Publish News)

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Fenômeno internacional, escritora italiana diz que romance não precisa de seu autor depois de escrito

Violência contida é marca da tetralogia napolitana

Violência contida é marca da tetralogia napolitana

Tudo é mistério em torno de Elena Ferrante. Sucesso há mais de 20 anos em seu país, a escritora italiana é tão notória quanto oculta. Nunca revelou sua real identidade. Não promove seus livros. Jamais recebe prêmios. Concede raras entrevistas (e, se o faz, só fala por e-mail). Quando lançou seu primeiro livro, “L’amore molesto”, em 1991, disse a seu editor: “Já fiz o suficiente por esta história, escrevi-a”. Apesar disso — ou por esse exato motivo —, o enigma de Elena Ferrante se espalhou pelo mundo. E agora chega ao Brasil.

Lançando aqui “A amiga genial” (Biblioteca Azul), primeiro livro de sua tetralogia napolitana, que chega às livrarias no sábado, a autora concordou em falar ao GLOBO em março. As perguntas foram enviadas para sua agente internacional, que as encaminhou para o editor italiano, um dos poucos a conhecer sua identidade. As respostas voltaram seguindo o mesmo protocolo. Com a condição de que só fossem reveladas perto do lançamento do livro. Após um longo período de reclusão total, Elena deu algumas entrevistas à imprensa americana desde o fim de 2014. O que mudou para ela resolver falar?

— No que posso, participo da vida pública, mas tenho uma opinião negativa do protagonismo e de todas as amplificações e distorções da mídia. Prefiro me expressar com a escrita, um meio de amplo controle — diz a autora. — Quanto às entrevistas, faria tudo o que me pedem se não tivesse medo de resultar chata, repetitiva, e sobretudo se pudesse, como neste caso, escrever eu mesma as respostas. Não confio em minha oralidade, nas palavras improvisadas e, perdoe-me, em como os entrevistadores frequentemente abusam delas, quando as colocam por escrito.

“UMA MENTIRA QUE DIZ VERDADES”

Há muita incerteza sobre o pouco que se sabe da escritora. Ela teria nascido em Nápoles, morado na Grécia, estudado os clássicos gregos e latinos (a “Eneida”, de Virgílio, é uma referência recorrente em “A amiga genial”). Parece que é mulher mesmo, apesar de boatos antigos de que Elena Ferrante fosse pseudônimo do autor italiano Domenico Starnone (que nega de pés juntos). E teria sido mãe. Só uma coisa é certa: ela acredita que, depois de escrito, um romance não precisa de seu autor.

‘Sentia que as pessoas com quem convivia podiam, do nada, sair da bondade à fúria. Mas não é esse o ponto. A violência está não só sob os sentimentos maus, mas também sob os bons. Uma história que prescinde da violência é insuficiente e cega’

– Elena Ferrante

Suspeita-se que a tetralogia tenha viés autobiográfico. “A amiga genial” começa com a protagonista, também Elena, recebendo uma ligação do filho de Lila, sua amiga de toda a vida, dizendo que a mãe desapareceu, aos 66 anos. No armário de casa, nenhum rastro de seus objetos. Mesmo nas fotos de família, a mulher havia recortado sua imagem. Elena, irritadiça, resolve escrever as histórias das duas, que se espelham: enquanto a protagonista é estudiosa, comportada, Lila é transgressora, a “má”. Enquanto a narradora relembra o passado, o mistério do desaparecimento fica em suspenso.

A história, contada de forma fluida, se passa na periferia de Nápoles, logo depois da Segunda Guerra. É difícil resumir a quantidade de temas tratados por Elena Ferrante. Ela fala não só da formação das amigas (que querem ser escritoras), mas também descreve as relações entre vizinhos após a derrocada do fascismo. E a violência — em especial contra mulheres e crianças — tem um papel crucial em sua literatura. A máfia também domina o comércio local. A tensão da narrativa é mantida pelo medo, nunca concretizado, de que a violência possa eclodir a qualquer momento.

— O ambiente no qual cresci era e ainda é violento. Sentia que as pessoas com quem convivia podiam, do nada, sair da bondade à fúria. Mas não é esse o ponto. A violência está não só sob os sentimentos maus, mas também sob os bons. Uma história que prescinde da violência é insuficiente e cega — afirma a autora.

A italiana é dona de frases cortantes. A crítica literária tem visto uma “brutal honestidade” em suas narrativas. E, questiona-se, é claro, se essa honestidade só não é possível devido ao anonimato. Para Elena, um autor não pode ter pudor nem medo.

— Uma boa narrativa é uma mentira que diz verdades que de outra forma são impronunciáveis — diz.

Quando era jovem, a autora conta ter pensado que, para escrever bem, era preciso escrever como homem. Afinal, muitas das personagens femininas mais icônicas da literatura — como Emma Bovary, Anna Kariênina — foram criadas por homens.

— Graças ao feminismo, descobri a potência das poucas vozes femininas que conseguiram um espaço. Comecei já tarde a estudá-las, e algumas ainda estou estudando. Parecem-me inigualáveis. Gosto de representar mulheres que escrevem sobre si — afirma Elena, destacando que, apesar da influência feminista, costuma jogar fora o que escreveu se sentir que está “traindo” seus personagens ao obedecer a “uma tese”.

Uma das marcas de seu estilo é a narrativa que se alterna entre a tranquilidade e rupturas. A italiana conta que demorou para encontrar seu modo de narrar, mas agora não pode fazer diferente.

— Faz parte de mim. Preciso de um tom lento que crie uma espécie de cobertura. A cobertura, a um certo ponto, vai pelos ares, e é preciso recolhê-la, comprimir o magma que sai, mas sabendo que ela voltará a pular — diz.

Elena Ferrante defende sua invisibilidade como uma forma de lutar contra a “preponderância” do autor em detrimento da obra. Para ela, é claro que a individualidade é importante. Por outro lado, diz, todo ficcionista faz parte de uma inteligência coletiva:

— Não se deve esquecer que todos nós, na nossa unidade/singularidade, somos o ponto de confluência dos outros, os nossos antepassados, os nossos contemporâneos. Somos inteligência acumulada nos grandes depósitos da tradição, e a nossa individualidade se alimenta continuamente, permitindo e discordando, conformando-se e inovando.

SERVIÇO

“A amiga genial”

Autora: Elena Ferrante

Tradutor: Maurício Santana Dias

Editora: Biblioteca Azul

Quanto: R$ 44,90

(Fonte: O Globo)

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Morre Manuel Graña Etcheverry, poeta, genro e tradutor de Drummond

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Manolo e Julieta se casaram em 1949

Autor de ‘Antologia Hede’, o argentino tinha 99 anos

Manuel Graña Etcheverry, genro e tradutor de Carlos Drummond de Andrade e de outros poetas, morreu na madrugada desta quarta-feira, ao 99 anos, na Argentina. Manolo, como era conhecido, nasceu em Córdoba e foi também poeta, advogado e deputado do Congresso Nacional aos 30 anos.

Em 1949, ele se casou com Julieta, filha única de Drummond, com quem teve três filhos: Carlos Manuel, Luis Mauricio e Pedro Augusto. Eles se separaram em 1971.

Manolo e Julieta se casaram em 1949

No Brasil, ele lançou, em 2012, pela Companhia das Letras, Antologia Hede, um “manual da literatura fantástica” em que exalta a poesia de um povo fictício. É dele, também, o estudo erudito sobre versificação, La Equivalencia de Oxítonos, Paroxítonos y Proparoxítonos a Fin de Verso, publicado em 1957 na Revista do Livro, dirigida pelo Alexandre Eulálio.

Manolo faria 100 anos em novembro.

(Fonte: O Estadão)

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Robert Rodriguez, de Sin City, deve dirigir filme sobre Jonny Quest

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Projeto de live-action baseado no desenho animado dos anos 1960 está “na gaveta” há alguns anos

O clássico desenho animado Jonny Quest deve finalmente ser transportado para as telas de cinema, em versão com atores reais. Robert Rodriguez (Sin City: A Cidade do Pecado, Pequenos Espiões e Um Drink no Inferno) foi escolhido para ser o diretor da produção.

O projeto envolvendo a história do garoto Jonny Quest, seu pai cientista, o amigo Hadji e o cachorro Bandit, em aventuras pelo mundo tem sido adiado nos últimos anos.

Os produtores Dan Lin e Adrian Askarieh tentaram colocar a ideia de pé e, entre 2009 e 2010, Zac Efron (High School Musical) foi cotado para interpretar Quest e Dwayne Johnson (Velozes & Furiosos 7) para fazer o guarda costa da família, Race Bannon.

Dan Mazeau chegou a escrever um roteiro para o longa-metragem, trabalho que agora será adaptado por Rodrigues e por Terry Rossio.

Jonny Quest surgiu em 1964, no canal de TV ABC, e logo foi cancelado por problemas com altos custos de produção. Nos anos 1980 e 1990, a série ganhou força e voltou à tona.

Durante a semana passada, o desenho animado virou notícia por conta de um triste acontecimento: John Stephenson, dublador que fazia a voz do pai do personagem principal, Benton Quest, morreu aos 91 anos.

(Fonte: Rolling Stone)

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