Arquivos mensais: outubro 2014

Autor do livro Misturando sabores conta o segredo do bom tempero

Renato Freire: o excesso de temperos pode alterar o sabor da comida

Renato Freire: o excesso de temperos pode alterar o sabor da comida

Receitas em geral recebem pouco tempero de antemão, para preservar a integridade de saladas

Temper, em latim, significa misturar corretamente. Em restaurantes, seja self-services seja à la carte, é comum existir uma ampla oferta de temperos e condimentos extras, geralmente colocados à mesa. E é aí onde mora o perigo. Será que existe uma regra da boa combinação?

“Esta abundância de temperos acaba, na maioria das vezes, confundindo o cliente, que, em vez de melhorar o sabor da comida, acaba transformando bons pratos em verdadeiras gororobas”, critica o chef Renato Freire, coautor do livro Misturando Sabores — Receitas e harmonização de ervas e especiarias. “O crime mais grave, e também o mais comum, é colocar temperos na comida antes de prová-la”, ressalta.

Segundo ele, antes de saber qual tempero adicionar ao prato, é preciso prestar atenção ao tipo de serviço. “No caso dos restaurantes à la carte, os pratos já saem da cozinha devidamente temperados”, explica. Então, vale a regra de que menos é sempre mais. Se necessário, basta o cliente corrigir o sal. Já em casas que operam no sistema self-service, as receitas em geral recebem pouco tempero de antemão, para preservar a integridade de saladas, principalmente as de folhas.

Dicas
Confira como usar alguns temperos disponibilizados em restaurantes e lanchonetes.

– Sal ou molho shoyu
A função primordial do sal na culinária é realçar o sabor natural dos alimentos, além de ajudar a preservá-los. Em pequenas quantidades, é capaz de acentuar os sabores doces e atenuar os amargos. As combinações de solo e condições climáticas fizeram com que sais assumissem cores e sabores distintos (como o sal rosa do Himalaia). O sal negro, por exemplo, tem um sabor defumado.

– Açúcar e temperos adocicados
Ideal para contrabalançar os sabores ácidos e realçar a sensação do salgado.

– Azeite
Normalmente, o azeite usado para cocção é o refinado, de sabor menos intenso, enquanto o azeite extra-virgem deve ser usado para valorizar os sabores de pratos já prontos. Pode servir até para intensificar sabores de sobremesas, mas sem exageros.

– Ketchup, maionese e mostarda
Sanduíches como os hambúrgueres, que são ricos em gorduras, combinam bem com o agridoce do ketchup. A textura crocante das batatas fritas casam bem com a oleosidade da maionese, enquanto a acidez e o ligeiro amargor da mostarda combinam com os dois paladares.

– Vinagre
Por sua acidez, ele serve perfeitamente para combinar com pratos adocicados. O mais famoso vinagre da atualidade, o aceto balsâmico, tem sido usado à exaustão na cozinha contemporânea.

Na medida
De acordo com Freire, o paladar humano é capaz de reconhecer o sabores doce, amargo, azedo, salgado e o umami, ou o quinto sabor, oriundo das proteínas.

Entrevista completa

Em sua origem, temperar, em latim, significa misturar corretamente. Em restaurantes, sejam eles self-services ou com atendimento à la carte, é comum as casas oferecerem uma série de temperos à mesa. Existe uma regra da boa combinação?

Esta é uma questão muito ampla e que envolve diversos aspectos, entre eles, do tipo de serviço, do tipo de restaurante, de modismos e de estratégias de marketing. Tradicionalmente, nos restaurantes com serviço à la carte, os pratos em sua maioria já saem corretamente temperados da própria cozinha, e em muitos destes restaurantes o serviço de mesa era composto basicamente por um saleiro e um pimenteiro. Apesar do tempero de um prato ser de atribuição de quem o prepara, nem sempre o paladar do cliente é equivalente ao do cozinheiro. Caso o cliente, depois de provar o prato, perceber a necessidade de adaptar o ao seu paladar, colocando um pouco mais de sal e/ou pimenta, isto é uma coisa perfeitamente normal e não uma provável falha da cozinha, se bem que isso também pode acontecer.

Quantos temperos / condimentos podemos usar, uma vez que o prato já está servido, sem alterar a proposta do chef, mantendo a verdadeira essência do produto?

Acontece que a percepção gustativa varia de pessoa para pessoa. Isso valia mais para pratos que já chegavam à mesa finalizados. Naqueles tempos, era comum que alguns tipos de serviços fossem finalizados à mesa, principalmente saladas e outros pratos frios, nestes casos, os temperos básicos além dos já citados eram azeite de oliva e algumas vezes, limão espremido na hora. Este tipo de serviço era quase predominante nos restaurantes de tempos atrás. Hoje está bastante mudado, a popularização dos restaurantes de self-services contribuiu muito para o aumento, muitas vezes exagerado, da oferta dos mais diferentes tipos de condimentos a disposição da clientela.

Por quê isto acontece?

Uma das explicações disso é que nos serviços de bufê, para preservar a integridade de saladas, principalmente as de folhas, evita-se temperá-las de antemão, deixando isso, para o momento que o cliente se serve. Tentando agradar a mais ampla variedade de clientes, restaurantes com este tipo de serviço costumam oferecer uma grande variedade de temperos/condimentos. Restaurantes de comidas típicas oferecem condimentos de acordo com suas tradições. Os japoneses, por exemplo, servem o sashimis sem tempero algum, ficando o cliente encarregado de dosar seu tempero, como também pode ocorrer num restaurante árabe que serve quibe cru. Basta dar uma olhada nos balcões dos restaurantes self-services para notar a presença de acetos balsâmicos, shoyu, vinagres de vinhos ou de frutas, variedade de pimentas, de tipos de sais e tudo mais que posso ser usado como instrumento de marketing para se diferenciar da concorrência. Esta abundância de temperos acaba na maioria das vezes confundindo o cliente, que muitas vezes ao invés de melhorar o sabor da comida, acaba transformando bons pratos em verdadeiras gororobas.

Qual a regra para a boa combinação?

A regra principal de uma boa combinação é usar o bom senso, pois não existem formulas especificas para isso. Em princípio, tudo combina com tudo, o segredo de uma combinação perfeita está na proporção dos ingredientes utilizados. Nosso paladar é capaz de reconhecer o sabores doce, amargo, azedo, salgado e o umami, que é atualmente reconhecido como o quinto sabor, o sabor oriundo das proteínas. As infinitas proporções de combinações entre estes sabores é que vão dar diferentes paladares aos pratos. O sal em pequenas quantidades é capaz de acentuar os sabores doces e atenuar os amargos, os sabores ácidos podem atenuar ou acentuar as sabores doces, podem ampliar os sabores umamis de acordo com proporção utilizada. O açúcar ou temperos adocicados são capazes de contrabalançar os sabores ácidos e realçar a sensação do salgado. Desta maneira, é importante conhecer e identificar nos temperos e condimentos, quais seus sabores básicos, o molho shoyu, por exemplo, é salgado e forte presença do sabor umami, um bom aceto balsâmico é agridoce. Para iniciantes ou com paladares restritos, a regra de que menos é sempre mais, poderia ser uma saída, mas é importante mencionar que o paladar se aprimora, que a memoria gustativa pode estar sempre em evolução. Uma boa maneira de testar combinações em restaurantes de self-services é procurar fazer pratos e amplia-la cada vez mais, é importante ousar, testar combinações, tendo sempre em mente evitar os excessos.

Qual o crime mais grave que as pessoas costumam cometer na hora de escolher os condimentos e especiarias para finalizar seus pratos, já à mesa?

O crime mais grave, mais estúpido e também o mais comum é colocar temperos na comida mesmo antes de prová-la. A escolha de um ou de outro condimento depende muito do gosto pessoal e nisso é difícil impor regras, pois depende de fatores até mesmo culturais. Como gosto não se discute, não se pode repreender alguém que goste de colocar pimenta malagueta no sorvete.

O azeite, por exemplo, muitas vezes já é usado durante o preparo, e depois, volta novamente regando carnes, saladas e vegetais. Há algum problema? Uso em excesso, o óleo precioso das oliveiras pode apagar o sabor dos pratos?

O uso não só de azeite, como de qualquer tempero em excesso pode arruinar sabores de pratos delicados. Normalmente o azeite de uso para cocção é um azeite refinado, de sabor menos intenso, sendo capaz de suportar altas temperaturas de cozimento, enquanto que o azeite extra-virgem deve ser usado para valorizar os sabores de pratos já prontos. Seu uso não tem limites, podendo servir até para intensificar sabores de sobremesas, mas as quantidades sim, nada de exageros.

Em lanchonetes e pizzarias, é comum oferecerem ketchup, maionese e mostarda como complementos. O cliente, muitas vezes confuso, acaba colocando tudo, independente do que tem no prato. Afinal, que o que os condimentos citados combinam?

O advendo das redes de fast-food de sanduíches popularizou o uso destes condimentos. Sanduíches como os hambúrgueres, que são ricos em gorduras, combinam bem com o agridoce do ketchup, a textura crocante das batatas fritas casam bem com a suntuosidade das maioneses e a acidez e o ligeiro amargor das mostardas comuns servem para os mesmos propósitos. A pizza quando saiu das cantinas italianas para as redes de fast-food encontrou este trio de condimentos já colocados nas mesas e dai para os pratos, foi um pulo. Os tradicionalistas torcem os narizes e os que gostam se fartam. Tudo depende um pouco de modismos, em Napoli berço da pizza tradicional, a juventude consome pizzas tradicionais, mas com cobertura de batatas fritas. A moda parece que ainda não chegou por aqui, mas se chegar, o ketchup, maionese e mostarda estão à espera dela.

Há quem diga, por exemplo, que é um pecado colocar estes condimentos na pizza, no hot dog ou no hambúrguer, principalmente os gourmet, e que deveriam ser consumidos puros. Vocês concordam?

Chamar pizza, hot dog, hamburguer de produtos gourmet, é uma das maneiras de tentar justifucar preços inflados para produtos muitas vezes frutos de invencionices mediocres. Qualquer alimento em principio tem que ser saboroso e saudavel. O recente uso da palavra gourmet para produtos até à pouco considerados como fast-food na grande maioria das vezes é pura jogada de marketing.

O ketchup, em geral, vai bem com carnes vermelhas, enquanto a mostarda harmoniza com as brancas, ou isto é um mito?

Não é mito e nem muito menos uma regra. O ketchup vai bem com pratos onde os sabores agridoces e umami agem como intensificadores de sabor. Comidas gordurosas como as frituras por exemplo, podem harmonizar bem com este condimento. Mas as carnes em geral, vermelhas ou brancas, combinam bem com ketchup ou mostarda, mas vale lembrar que tudo depende também de quais outros condimentos foram utilizados na preparação dos pratos.

E o polêmico vinagre, vai bem somente com saladas ou é possível fazer outras misturas bacanas com ele?

Não, o uso do vinagre é muito mais amplo do que apenas tempero para saladas. Por sua acidez, ele serve perfeitamente para combinar com pratos adocicados. O mais famoso vinagre da atualidade, o aceto balsâmico tem sido usado a exaustão na cozinha contemporânea. Condimento que a poucos décadas, era pouco conhecido até mesmo em muitos regiões da Itália, hoje é usado para harmozinar com queijos duros, parmesão por exemplo; para combinar com frutas, como morango, melões, etc.

E quanto ao molho shoyu, geralmente a comidas orientais, pode extrapolar esta fronteira e ser útil para finalizar outros pratos?

Sim, o molho shoyu é um condimento fermentado feito com soja, rico no sabor umami e com sabor salgado, o shoyu serve tanto para temperar pratos prontos como também para uso na cozinha, muitas vezes em substituição ao sal. Outros molhos orientais, como o teriyaki ou para yakisoba por exemplo, se tornaram muito comum e hoje são encontrados facilmente nos mercados e mesmo em restaurantes que não têm nada a ver com comidas asiáticas.

 Quando falamos em pimenta, geralmente encontramos em forma de molhos e também a pimenta-do-Reino. Em qual tipo de prato elas caem bem e com que o, de maneira nenhuma, podem ser associadas?

Apesar da confusão dos nomes, a pimenta-do-Reino não tem nada a ver com os demais tipos de pimenta, enquanto a primeira é da familia das Piper nigrum as demais pimentas usadas para os molhos tradicionais são classificadas como das familias das Capiscum. Não existe regrar para a utilização das pimentas, antigamente, quando a pimenta-do-Reino era ainda uma especiaria rara e cara, seu uso na cozinha dos nobres, não encontrava limites, ela era usada em tudo até nos doces. As demais pimentas deixaram também de ficar apenas restritas ao uso em comidas típicas regionais e passaram a ser usadas nos mais diferentes tipos de pratos. As geleias picantes de frutas servem bem para mostrar isso. É comum o uso de ambas num mesmo prato, uma vez que cada uma delas oferece sabores diferentes uma das outras.

Outra moda atual é os restaurantes oferecerem sais especiais, como o sal rosa do Himalaia e o sal negro. Qual seria sua função e sua combinação ideal, pois dizem que a função do sal é somente ressaltar o sabor, certo?

A função do sal primordial na culinária é realçar o sabor natural dos alimentos, além claro de ajudar a preservá-los. Todos os tipos de sal tem como origem a evaporação da água do mar. Locais que hoje estão nos picos de montanhas como o Himalaia, já esteve um dia no leito do mar. As combinações de solo e condições climáticas fizeram que sais assumissem cores e sabores distintos. O sal negro por exemplo, tem um sabor defumado. O modismo sobre o uso deste tipos de sais, bem mais caros que os demais, acabou por favorecer um mercado de falsificações onde o uso de corantes e cristalizações forçadas colocam em xeque a qualidades destes produtos.

Entre todos os condimentos e temperos dos restaurantes brasileiros, existe um denominador comum, algo que encontramos de Norte a Sul do Brasil?

Acredito que o molho de pimenta é quase onipresente, sem falar de sal e pimenta-do-Reino claro.

SERVIÇO

Misturando sabores
Receitas e harmonização de ervas e especiarias. De Renato Freire, Isabel Lacerda e Neto Linguanotto. Editora Senac São Paulo, 160 páginas. Preço médio: R$ 45.

(Fonte: CorreioWeb)

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Zuenir Ventura é eleito para a Academia Brasileira de Letras

Zuenir Ventura comemora sua eleição para a ABL

Zuenir Ventura comemora sua eleição para a ABL

Jornalista, escritor e colunista do GLOBO ocupará a cadeira que foi de Ariano Suassuna

Zuenir Ventura agora é imortal. O jornalista e escritor, de 83 anos, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras na tarde desta quinta-feira, com 35 dos 37 votos. O colunista do GLOBO e autor de best-sellers como “1968, o ano que não terminou” ocupará a cadeira de número 32, que pertenceu a Ariano Suassuna.

Zuenir concorreu ao posto, aberto com a morte do autor de “Auto da Compadecida” em julho deste ano, com Thiago de Mello e Olga Savary, que tiveram um voto cada.

– O Zuenir é querido por sua dedicação, lucidez e argúcia com que acompanha a vida social e econômica do Brasil. A Academia está muito contente em recebê-lo – declarou o presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti.

Esta foi a última das três eleições para a ABL no último mês. Na semana passada, foi eleito o historiador Evaldo Cabral de Mello para a vaga de João Ubaldo. No dia 9 deste mês, o eleito foi Ferreira Gullar, na vaga deixada por Ivan Junqueira.

Gullar tomará posse no dia 5 de dezembro, enquanto os outros dois vencedores assumirão os cargos em março, quando os acadêmicos voltarão do recesso de fim de ano.

(Fonte: O Globo)

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Game of Thrones | Série garante elenco para uma possível sétima temporada

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Atores receberão aumentos graduais e significativos

Com seis temporadas oficializadas, Game of Thrones já garantiu o seu elenco principal para uma possível sétima temporada. De acordo com o Hollywood Reporter, os atores renovaram seus contratos e conseguiram um aumento gradual nos seus salários. Se a série chegar ao seu sétimo ano (o que é bastante provável) o elenco chegará à marca dos mais bem pagos da TV.

Ainda de acordo com o HR, a HBO  trabalha com diversos níveis de pagamento na série. Kit Harington (Jon Snow), Peter Dinklage (Tyrion Lannister), Lena Headey (Cersei Lannister), Emilia Clarke (Daenerys Targaryen) e Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister), o tipo A, ganham mais que o tipo B, Natalie Dormer (Margaery Tyrell), Sophie Turner (Sansa Stark) e Maisie Williams (Arya Stark), por exemplo. Ainda assim, os dois níveis receberão aumentos significativos até o sétimo ano. Já outros atores de participações regulares manterão números mais modestos. A renovação dos contratos, porém, não garante que os personagens permanecerão vivos para ver a cor do dinheiro.

A quinta temporada de Game of Thrones estreia em março na HBO, ainda sem data definida.

(Fonte: Omelete)

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Orgulho e Preconceito e Zumbis | Veja a primeira imagem da adaptação

Longa chega aos cinemas em 2015

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A adaptação ao cinema do livro-paródia Orgulho e Preconceito e Zumbis  ganhou a sua primeira imagem

Lily JamesSam RileyBella Heathcote  protagonizam o filme, em que a clássica história de época de Jane Austen sobre amor e independência feminina se passa em meio a uma epidemia de mortos-vivos. Charles Dance, Lena Headey, Jack Huston,Douglas BoothMatt SmithSuki Waterhouse também estão no elenco.

Burr Steers (17 Outra Vez, A Morte e Vida de Charlie) comanda o longa, que já teve Mike WhiteDavid O. Russell,  David SladeJonathan Demme e Matt Reeves como possíveis diretores. Steers coescreveu o roteiro com O. Russell.

Escrita por Seth Grahame-Smith, a versão trash de Orgulho e Preconceito  foi publicada no Brasil pela editora Intrínseca.

(Fonte: Omelete)

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Confira os 20 vencedores do ProAC deste ano

Hoje, dia 30 de outubro, foi publicado no Diário Oficial os projetos que serão contemplados pelo ProAC – Programa de lamina-proac-400x180Ação Cultural do Estado de São Paulo, no Concurso de Apoio a Projetos de Criação e Publicação de Histórias em Quadrinhos no Estado de São Paulo.

Pela primeira vez, o programa premiará 20 projetos (cinco a mais que em 2013 e 15 a mais que em 2012). Cada um deles ganhará R$ 40.000,00 para o material ser publicado. São eles, sem qualquer ordem classificatória:

  • Mute, de Marcos Leandro de Oliveira;
  • Bichos, homens e deuses, de Sergio Ribeiro Lemos;
  • Como um cavalo salvou a vida de um preso político, de Evaldo Novelini;
  • Arlequins, pierrôs e colombinas, de Marcelo Scaff Marques;
  • Nessa arca tem bicho, de Fabio Roberto Vitor;
  • Uma noite em L’enfer, de Davi Calil;
  • Gargantua, de Daniel Rosini Dimas Machado;
  • Quina, de Julia Nascimento Bacellar (Julia Bax);
  • Ye, de Guilherme de Sousa Petreca;
  • Mulheromem, de Hector Lima;
  • Quadrinhos A2, de Paulo Rodrigo Vieira Funfas (Paulo Crumbim);
  • A salamanca do Jarau, de Henrique Antonio Kipper;
  • Carolina, de João Carlos Pires Pinheiro;
  • Por mais um dia com Zapata, de Daniel Esteves Macedo Pereira;
  • Paraíba, de Olavo Costa Frade de Paula;
  • Pogando, de Priscilla Judith Camacho;
  • Daruma, de Walmir Americo Orlandeli;
  • A sereia de Mongaguá, de Thiago Moraes Martins;
  • Hitomi, de Ricardo Hirsch;
  • Nosferatinho, de Wander Antunes de Souza.

Além dos contemplados, foram indicados 20 suplentes (descritos abaixo por ordem de classificação), para o caso de algum titular ser desclassificado.

  • O santo sangue, de Laudo Ferreira Junior;
  • Contos de um Macaco Albino, de Leandro Moura Robles;
  • Complexo de um parafuso solto, de Gilmar Machado Barbosa;
  • A verdade, de Roberto de Souza;
  • Opala 76, de Eduardo Augusto Ferigato;
  • Pedágio, de Thiago Daniel Arruda Cruz;
  • Zé Louquinho e Urubunaldo – Ingressos para o temporal, de Wilson Gandolpho;
  • Castanha do Pará, de William de Lima Busanello;
  • Jihanki – Lives from vending machines, de Rodrigo Ciola Solsona da Silva;
  • Bulldogma, de Wagner Willian Menezes de Araújo;
  • Offline, de Rafael de Latorre;
  • Tita, de André Luiz da Silva Pereira;
  • O clube do Imperador, de Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior;
  • Cid & Adão, de Anderson Nunes;
  • Jambocks – Sentando a pua na Itália, de Celso Oliveira Menezes;
  • Biografia em quadrinhos “Apolonio de Carvalho: o herói de três guerras”, de Carlos Frederico Melo Paiva;
  • Half-pipe, de Aluísio Cervelle Santos;
  • Is Barrot, de Ivan Rodrigues Freire;
  • Odor Vazio, de Marcelo Ruis Vargas Martinelli;
  • Veludo Azul, de Antonio de Souza Mendes Neto (Toninho Mendes).

A comissão deste ano foi presidida por Luiz Humberto Evangelista (da Secretaria de Cultura de São Paulo) e teve como demais integrantes o quadrinhista Bira Dantas, José Alberto Lovreto (o Jal, organizador do Troféu HQ Mix), Sidney Gusman (editor da Mauricio de Sousa Produções e editor-chefe do Universo HQ) e Worney Almeida de Souza (organizador do Prêmio Angelo Agostini).

(Fonte: Universo HQ)

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O livro das mentiras

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Após um atentado contra a vida de seu pai, Calvin Harper é envolvido numa investigação ligando a história bíblica de Caim e Abel ao assassinato do pai de um dos criadores do Superman.

Agora, ele precisa lutar para sobreviver enquanto tenta desvendar o enigma.

Positivo/Negativo

Uma cena decisiva do romance O livro das mentiras, assinado pelo versátil Brad Meltzer, é passada na casa em que Jerry Siegel deu forma à lenda do Superman – território “sagrado”, segundo um personagem.

Esse encontro de um fenômeno da cultura pop com elementos místico-religiosos dá o tom à obra de suspense e mistério de um dos grandes expoentes do gênero. O livro relaciona a tragédia bíblica de Caim e Abel ao caso nunca explicado da morte do pai de um dos criadores do Homem de Aço, investindo em conspirações arcanas e sucessivas reviravoltas.

É válido notar como o super-herói que iniciou uma era repercute de tal forma, que inspirou toda uma mitologia no mundo real, mas encontra-se ele próprio envolto em tramas históricas dignas de nota.

Neste caso, Meltzer pesquisou detalhes e conseguiu elaborar uma teia intrincada de realidade e fantasia, em que nada é o que parece e as situações se transfiguram a cada segundo.

O escritor que conquistou fãs de quadrinhos em suas passagens pelas revistas do Arqueiro Verde e Liga da Justiça, além da bombástica minissérie Crise de Identidade, sempre foi um entusiasta dos gibis de seres superpoderosos, povoando seus livros com referências inusitadas.

Mas O livro das mentiras constitui a primeira vez em que coloca sua paixão no cerne da narrativa. Ele costuma escrever thrillers com panos de fundo bem pesquisados, numa linha próxima à de nomes como John Grisham e Dan Brown.

Só que agora o foco é a saga da criação de um personagem fictício, pelas mãos dos jovens Jerry Siegel e Joe Shuster, na década de 1930, e como uma perda familiar pode ter detonado o processo. Adicionando ainda assassinos impiedosos e agentes federais em colisão, o resultado é uma leitura movimentada, de tirar o fôlego.

Meltzer domina a estrutura das obras literárias de suspense e mistério, com as reviravoltas na trama surgindo no momento certo em que o leitor julgava ter desvendado tudo. Mais importante ainda: sabe elaborar personagens cativantes e lida bem com emoções humanas básicas.

O romance explora bem o relacionamento entre pais e filhos marcados por circunstâncias fora de seu controle, e aí não faz diferença tratar-se de vigilantes fantasiados ou de um motorista que ajuda moradores sem-teto pelas ruas.

Ainda assim, O livro das mentiras é puro entretenimento, com capítulos curtos e diretos, envolventes e precisos.

Curiosamente, a obra motivou o lançamento de uma trilha sonora de apoio veiculada na internet, incluindo a música inédita The Book of Lies. São as novas tendências editoriais marcando presença no meio, ajudando na imersão e garantindo uma experiência única.

Meltzer não escreve para iniciados apenas, mas é óbvio que os interessados na história do Superman têm mais a ganhar com a leitura. Os fatos têm versões contraditórias disponíveis por meio de entrevistas, biografias e livros de referência, e aqui o escritor extrapola a documentação formal na melhor tradição de literatura escapista.

Se o último filho de Krypton marcou gerações de fãs ao longo das décadas em diferentes mídias, vale um olhar diferenciado sobre a história íntima de sua criação, tão poderosa quanto os confrontos para salvar a Terra de Lex Luthor ou Brainiac. E, para apresentar esta trama ao mundo, Brad Meltzer é o nome ideal.

Editora: Planeta – Romance

Autor: Brad Meltzer

Preço: R$ 49,90

Número de páginas: 352

(Fonte: Universo HQ)

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Feira do Livro e Mackarte

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Está programada durante a feira a presença de diversos livreiros da cidade que disponibilizarão algumas de suas obras literárias. Também terá show com os escritores e músicos James Misse e Pedro, além de exposições de alunos, teatro e mesa redonda para discussões. O evento é para todas as idades e a entrada é franca.

Feira do Livro e Mackarte
Horário: 1/11, das 9h às 12h
Classificação Indicativa Livre

(Fonte: CorreioWeb)

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Alberto da Costa e Silva recebe o Prêmio Camões 2014

Alberto da Costa e Silva

Alberto da Costa e Silva

Historiador foi homenageado e falou de sua devoção pela História, pela poesia e pelo continente africano

Em cerimônia realizada na tarde desta quarta-feira, na Fundação Biblioteca Nacional, o poeta, diplomata, ensaísta e historiador brasileiro Alberto da Costa e Silva, de 83 anos, recebeu o Prêmio Camões 2014. Considerada a mais importante láurea dedicada a autores de língua portuguesa, o Camões, instituído pelos governos brasileiro e português em 1988, foi entregue pelas mãos do secretário de Estado da Cultura de Portugal, Jorge Barreto Xavier, e da secretária executiva do ministério da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, que representou a ministra da Cultura, Marta Suplicy, que não pode comparecer ao evento.

— Sou grato aos que me outorgaram o prêmio, assim como àqueles que não contestaram a escolha do júri — disse Costa e Silva. — Embora convicto da injustiça que são os prêmios, recebo o Camões com alegria. Foi uma época difícil a que me deram para viver. Um tempo em que a utopia se revelou pesado, em que as esperanças foram traídas. Mas fico feliz em ter minha obra reconhecida, ouvir os presentes dizendo que fui poeta, e quem sabe fui.

Um dos maiores pesquisadores e referências dos estudos africanos no Brasil, Costa e Silva recebeu a homenagem no mês em que se celebra o dia da Consciência Negra, no próximo 20 de novembro. A longeva e profunda relação que o autor estabeleceu com a África foi repassada por Costa e Silva, que pode conhecer o continente pela primeira vez nos anos 1960, época em que atuava profissionalmente como diplomata.

— Nesta época, o que aconteceu é que me apaixonei pelo traçado da África, e me ocupei com devoção integral ao continente africano nas horas cansadas após o trabalho diário de diplomata, ao qual também devotei todo meu empenho — disse. — Me sinto próximo, assim, ao enorme Camões, poeta que também viajou pelo litoral africano, viveu intensamente o seu tempo, também foi um historiador a seu modo e conseguiu unir memória e imaginação. Sinto que, talvez, não escrevamos apenas para justificar a nossa existência, nem para registrar o que vivemos, mas para que não se percam as imagens que um dia vimos e que jamais se repetirão.

A escolha do vencedor da 26ª edição do prêmio foi anunciada em maio passado, em Lisboa, pelos integrantes do júri, presidido por Affonso Romano de Sant’Anna e formado pela professora Rita Marnoto, pelo jornalista José Carlos Vasconcelos, e pelos escritores Antônio Carlos Secchin, José Eduardo Agualusa e Mia Couto, que venceu o Prêmio em 2013.

— O júri não teve qualquer dificuldade em chegar a seu veredito — contou Sant’Anna. — Houve um movimento espontâneo e unânime em direção ao Alberto, que surgiu dos representantes da África ali presentes, e só nos coube acolher e aceitar o seu nome.

Formado pelo Instituto Rio Branco em 1957, Costa e Silva foi embaixador em diversos países da Europa, até assumir o posto na Nigéria e no Benim. Durante os anos 1960 e 70, ele se lançou a inúmeras viagens por países como Angola, Etiópia, Costa do Marfim, Camarões, Togo, Gabão, Guiné, Senegal, Libéria, entre outros. Nessas missões, acumulou informações culturais importantes, que mais tarde lhe serviram de base para a construção de obras significativas para os estudos africanos no Brasil, como “A enxada e a lança: a África antes dos portugueses” (1992), “A manilha e o libambo: a África e a escravidão” (2002), assim como “Um rio chamado Atlântico” (2005), em que reuniu textos sobre a relação entre Brasil e África.

— Alberto é um grande historiador da África, e da África no Brasil, como ele gosta de dizer — disse o pesquisador João José Reis, em mesa-redonda que precedeu a cerimônia de entrega do prêmio. — Alberto se diz um viciado em África, fruto de um fascínio que começou cedo, a partir da leitura de “Casa Grande e Sensala”, de Gilberto Freyre. No decorrer do tempo se tornou um mestre da História afro-brasileira e da História africana, que hoje, tardiamente, se fez disciplina obrigatória nos currículos escolares, assim como seus livros são referências obrigatórias nas salas de aula. Costa e Silva é um verdadeiro intérprete do passado, e não só um narrador. Ele alia conhecimento profundo, estilo narrativo cativante, capacidade de síntese, erudição e habilidades diversas que o tornaram o grande poeta da historiografia brasileira.

No ano passado, Costa e Silva lançou sua mais recente obra, “Imagens da África” (Penguin/Companhia das Letras). Nela, o historiador reuniu fragmentos de mais de 80 relatos de cientistas, exploradores, aventureiros, missionários e burocratas estrangeiros que passaram pela África desde a Antiguidade até o século XIX. No livro, o historiador evidencia o desconhecimento do olhar estrangeiro em relação à África. Apesar de não ir até os dias de hoje, Costa e Silva acredita que os estereótipos do passado ainda persistem, e com o tempo assume novas formas, mas manifestando conteúdo semelhante, o comportamento “de quem se considera melhor, mais racional, de quem vê o outro num estágio inferior ao seu. Ainda hoje, os ocidentais chegam à África achando que está tudo errado e que são eles que vão consertá-la”, disse o historiador em entrevista recente ao O GLOBO.

Ocupante da Cadeira número 9 da Academia Brasileira de Letras, Costa e Silva é o 11º escritor brasileiro consagrado com o Camões, tornando o Brasil o país com mias vencedores do prêmio. Antes de Costa e Silva já haviam sido homenageados autores como Dalton Trevisan, Ferreira Gullar, Autran Dourado, João Cabral de Melo Neto e João Ubaldo Ribeiro.

(Fonte: O Globo)

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Conheça a história de Westeros em novo livro de ‘Game of Thrones’

O escritor George R.R. Martin

O escritor George R.R. Martin

George R.R. Martin lança nesta quarta-feira enciclopédia sobre seu mundo ficcional

Os fãs de “Game of thrones” já esperam o próximo livro da saga há anos, mas nesta quarta-feira George R.R. Martin lançou nos EUA e Reino Unido um pequeno agrado na forma de uma enciclopédia. A história do mundo ficcional de Westeros é contada em “The World of Ice and Fire: The Untold History of Westeros and the Game of Thrones”, com textos de Martin e ilustrações de vários artistas, entre eles Marc Simonetti.

“Ficou maior do que eu esperava”, disse o auitor em relação ao livro de 300 páginas. “Eu começo essas coisas achando que não vão levar muito tempo e elas crescem e crescem…”

Certamente muitos fãs vão reclamar que o escritor de 66 anos tenha gastado seu tempo escrevendo essa enciclopédia, enquanto eles esperam pela publicação do sexto livro da saga, “The Winds of Winter”, ainda sem data prevista. Para acalmá-los, Martin deu algumas dicas sobre o que eles poderão encontrar no livro.

“O mundo é grande e está crescendo”, disse numa entrevista à MTV. “O livro explica milhares de anos de história ao redor de Westeros, Essos e territórios próximos e distantes. Apesar disso, ainda há mais a ser revelado num próximo livro.”

Novas religiões serão apresentadas e os leitores vão aprender como nasce um dragão. A Amazon descreve o lançamento como “ricamente ilustrado” com relatos emocionantes de “batalhas épicas, rivalidades e rebeliões audazes”.

O primeiro livro das “Crônicas de gelo e fogo”, saga que inspirou a série “Game of Thrones”, foi publicado em 1996. Desde então a história foi construindo aos poucos um status de culto entre fãs de fantasia até extrapolar o gênero especialmente com o lançamento da série da HBO.

(Fonte: O Globo)

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Marcelo Mirisola volta com seu narrador característico e divertido

“Fugir de si mesmo é uma arte”, diz Mirisola. “Às vezes a paisagem ajuda.”

“Fugir de si mesmo é uma arte”, diz Mirisola. “Às vezes a paisagem ajuda.”

‘Hosana na Sarjeta’ é o 15º livro do escritor paulistano, que está passando algumas semanas em Buenos Aires

É na sarjeta do título que o narrador do novo romance de Marcelo Mirisola encontra o amor da sua vida – “a Capitu mareada que tanto pedi a Deus”. Na extinta boate Kilt, numa esquina da Praça Roosevelt no centro de São Paulo, o narrador, tal de MM, encontra Paulinha Denise, conversam, vão juntos para casa e ali ele já escorregou pelo absurdo da situação: “Ela absorvia os despojos e as esperanças de quem a solicitava, engolia tudo. Daí emergia sua majestade”.

Poucas páginas depois, aparece Ariela, “o oposto vertiginoso de Paulinha”, mas também amor de sua vida, e não se sabe bem por que, acaba com o sonho de casa própria em Suzano e com os domingos agendados por Faustão ao lado de Paulinha – “Traí Paula Denise, e o fiz por causa daquele chapeuzinho ridículo que ela pendurava na carapinha oxigenada”.

Buenos Aires. Mirisola está na cidade há algumas semanas; elogiando o vinho e o chorizo, diz que dispensa o arroz e feijão

É com essa mistura de adultério, paixão e (falta de) tesão que Mirisola constrói seu 15.º livro. Publicado pela Editora 34, Hosana na Sarjeta, mais uma vez, dá voz ao narrador auto-ficcional do escritor com o que tem de melhor: a linguagem, em uma palavra, divertida. O amor, então, é a massa de manobra para as investidas do cara na filosofia: das redes sociais, das relações familiares, dos deslocamentos e do sexo – andando numa corda bamba entre as duas mulheres, entre, como ele diz, a realidade (Paula) e sua ficção (Ariela).

Uma frase no livro diz: “Tem coisas mais prementes, prazerosas e relevantes do que amar ou deixar de amar alguém nessa porra de vida”, entre elas, diz o narrador, ficar sozinho. É curioso porque boa parte da literatura de Mirisola nasce do fato de se amar alguém.

“A Bíblia insiste no mesmo pressuposto”, começa Mirisola, em um par de e-mails trocado com a reportagem do Estado, de Buenos Aires, onde está há algumas semanas. “Problema é que as pessoas têm mais facilidade para fazer o contrário. Pensando bem, isso não é um problema. Se não fosse esse atrito, não existiria movimento. Se as pessoas não se odiassem – também – não haveria amanhã.”

Outro fator que volta ao livro, traço importante de sua obra, são os deslocamentos geográficos – MM começa na Malásia, passa pelo centro de São Paulo, embarca Ariela em um táxi a Guarulhos com uma frequência comovente, vai visitar a família na Serra da Canastra, em Minas Gerais (onde garimpa um diamante que vai definir seu futuro imediato), descasca a Baixada Santista e para no Rio no Réveillon (quando “o Rio de Janeiro todo cabe dentro do Santos Dumont, o resto vira Mongaguá”).

Vida. De Buenos Aires, o escritor nascido em São Paulo diz que está cada vez mais “mirisolado”. “Minha literatura não cumpre função social nem moral. É livre. No Brasil das hipocrisias bem-comportadas, isso é quase um atestado de óbito. Sem falar que eu sou um cara chato pra cacete e intransigente. E estou ficando velho”, resume o conceito. Aos 48 anos, diz que escreve amarrado no tronco, e que agora prepara uma nova coletânea, “o filé mignon dos melhores contos”, segundo o próprio. Sai pela e-galáxia no início de 2015 – quando também vai ao prelo Tropical Fanho, segundo volume de suas crônicas pela Oito e Meio.

Há algumas semanas, Mirisola teve um problema sério de saúde. “Tava com duas artérias entupidas. Quase morri. Sem grana pra fazer cateterismo, sem plano de saúde, e etc. Eu podia enfartar de uma hora pra outra”, explica. “Mas Nossa Senhora Aparecida me socorreu. Agora tô zerado.”

Outro dia, postou na sua movimentada página do Facebook – que ele usa para divulgar crônicas, publicadas em portais como o Yahoo, e também das revistas Cult e VIP, estabelecer marcos políticos e destilar críticas a questões de ordem geral – uma mensagem de uma editora britânica que recusou um livro. Dizia que, apesar de ter gostado do livro, Bangalô, ele tinha um “ponto de vista indulgente e masculino”.

“Nesse livro recusado”, discorre Mirisola, “o herói é enrabado por uma sapatão. Se isso é ponto de vista masculino, olha, sinceramente, não sei mais o que é inflexão. Pois usei esse ‘detalhe’ para mudar o destino do narrador”. Não alivia: “a Inglaterra e a Escócia precisam de mais Shakespeare e menos Belle & Sebastian”.

Sua posição sobre a literatura brasileira é conhecida – “o Brasil também precisa de mais Plínio Marcos e menos Pato Fu”.

Eleições. Mirisola foi, nas últimas semanas, um severo defensor do voto nulo no Brasil. Em agosto, compartilhou uma previsão de que Aécio Neves seria eleito. “Quem disse isso foi o Carlinhos Vidente”, explicou, antes do pleito, no qual não pôde votar à distância.

Já sabendo do resultado, reafirmou a convicção. “O nulo diz tudo. Mas, se o Aécio vencesse, acho que seria menos monótono. Com certeza ia ter quebra-quebra. Os ânimos não estariam falsa e burocraticamente pacificados como agora. Stédile é o Telhada da esquerda, com a diferença que é financiado pelo governo e é um incendiário de verdade.”

Argentina. Mirisola diz morar no Rio, mas é todo elogios a Buenos Aires, por onde deve ficar mais alguns dias. “Os fantasmas daqui são menos histéricos que os nossos, e menos deslumbrados. Aqui não existe constrangimento em ser mais uma alma penada a caminhar pelas calles. Se não me engano, meu amigo (Ricardo) Carlaccio já havia escrito alguma coisa sobre isso”, compara, comentando que andar pelas calles de Palermo Viejo tem sido uma de suas “taras” recentes.

“Esse despudor ectoplasmático serve como passaporte para a metafísica. Daí se explica Cortázar, e um pouco de Borges. Só aqui é que você entende o que é uma milonga. Buenos Aires é uma cidade feita para a melancolia. E para os duplos, para os desdobramentos”, filosofa.

HOSANA NA SARJETA

Autor: Marcelo Mirisola

Editora: 34 (144 págs., R$ 32)

Leia trecho de Hosana na Sarjeta, de Marcelo Mirisola:

“– Oi, Gui. Tô aqui na casa daquele meu amigo viado. Não esquece de levar o Cauã na dentista, hein?

Um ex-marido chamado Gui? Que porra de intimidade era aquela? Na qualidade de “amigo viado” de Ariela, e amante corneado, eu somente remoía – porque não tinha co ndições de “exigir” – explicações. Ela mudava de assunto, se aninhava feito uma serpente e me pedia para acordá-la às 5 da manhã. Cauã era o filho deles. Talvez o fato de Ariela ser mignon, talvez o encaixe dos nossos corpos ou a mentira que ela aplicava na base da distração, talvez a camada de poluição acumulada no céu de São Paulo um pouco antes de raiar o dia tenha ajudado – quem é que olha prum céu tão feio? – a embaralhar ainda mais as ideias na minha cabeça, acho que sim: com certeza, o céu medonho de São Paulo significava Ariela nas alturas, ela era minha hosana poluída: só mesmo nós dois para suspirar por aquela mistura de gás carbônico laranja e “bom trabalho, amor”; às cinco da manhã, Ariela era o meu apesar de tudo e o tranco, a vertigem e o barranco, e também éramos nós dois à espera do táxi abraçados na esquina da Brigadeiro com a Humaitá, tudo isso, enfim, essa confluência poluída (e bonita) fez com que eu apagasse a figura de “Gui” do meu horizonte, como se ele não tivesse cacife para ser o marido traído. Ou seja. Eu e Ariela não precisávamos nada além do céu poluído de São Paulo ao alvorecer, e de um táxi para consumar nossa fraude. Simples assim. Bastava embarcá-la; ato contínuo, Ariela me dava um tchauzinho, abria a porta do táxi e pedia outro beijo, como se ela não fosse a adúltera e eu não fosse seu amante, assim, acabamos displicentemente nos convencendo de que Gui também não era o corno da história. Era bolero, mas não era. Para resumir, até hoje não sei se me apaixonei pela mulher ou pela mentira, ou vice-versa. Que diferença faz?

O beijo nos explicava. O beijo apagava o entorno. Essa era a única certeza que tínhamos, nosso beijo. Depois, Ariela subia no táxi e ia embora.”

(Fonte: O Estadão)

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