Arquivos mensais: setembro 2014

André Dahmer lança novo livro de quadrinhos: ‘Se eu quisesse ganhar dinheiro, teria feito medicina’

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‘Vida e obra de Terêncio Horto’ traz tirinhas com as reflexões de um escritor frustrado

Mesmo tendo nascido e crescido perto de uma reserva ambiental para animais, na companhia de um velho aposentado bem-humorado e de fofos bichinhos de jardim, Terêncio Horto é um poço de amargura e pensamentos mordazes. Criado pelo mesmo André Dahmer da série “Os Malvados”, o personagem é um escritor frustrado que surgiu na página de quadrinhos do Segundo Caderno do GLOBO, na tira “A cabeça é a ilha”. E, desde sempre, com uma máquina de escrever à sua frente, a figura regurgita seus pensamentos pessimistas sobre o mundo.

Uma boa seleção de tiras com a criatura de nariz proeminente e cabelos longos — que praticamente não muda de expressão em seus habituais três quadrinhos — aparece no livro “Vida e obra de Terêncio Horto” (Quadrinhos na Cia.), que tem lançamento hoje, na Livraria da Travessa de Botafogo.

— O Terêncio passou por todas as coisas, é o meu personagem mais profundo, mais humano — revela o desenhista carioca ao telefone. — Mas eu não posso dizer que ele é o meu favorito, afinal todos são como meus filhos.

Muito da profundidade e maturidade apresentadas por Dahmer em seu trabalho recente em quadrinhos, mais focado no diálogo, e não no desenho, parece ser um reflexo do nascimento de sua filha, há três anos.

— Sim, devo ter ficado mais mole, os filhos não vêm para isso? E estou com 40 anos! — diverte-se o autor, para logo depois garantir que irá ao lançamento do livro, mesmo de perna quebrada. — Passei da fase da depressão para a da aceitação.

Dahmer diz que “Vida e obra de Terêncio Horto” é o seu melhor livro. Pelo menos até agora, pois foi na série que ele pôde experimentar mais seu estilo de narrativa. E, por mais que suas tiras sejam de humor áspero, ele não guarda amargura com relação ao gênero que o consagrou:

— Sou muito agradecido aos quadrinhos, gosto muito do que eu faço. Se eu quisesse ganhar dinheiro, teria feito medicina.

“Vida e obra de terêncio horto”

Autor: André Dahmer

Editora: Quadrinhos na Cia.

Quanto: R$ 52

Lançamento: Terça-feira, às 18h30m, na Livraria da Travessa de Botafogo — Rua Voluntários da Pátria, 97 (3195-0200)

(Fonte: O Globo)

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Último livro de Saramago, inacabado com a morte do escritor, chega às lojas

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‘Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas’ conta com textos de Luiz Eduardo Soares e Roberto Saviano

Antes mesmo de iniciar a escrita de “Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas”, uma reflexão sobre a indústria das armas, José Saramago já tinha decidido que esse seria seu último romance. Convicto de que sua obra literária estaria completa ao fim do processo, escolhera inclusive a frase com a qual desejava encerrar a sua trajetória de escritor.

“O primeiro capítulo, refundido, não reescrito, saiu bem, apontando já algumas vias para a tal história ‘humana’. Os caracteres de Felícia e do marido aparecem bastante definidos. O livro terminará com um sonoro ‘Vai à merda’, proferido por ela. Um remate exemplar”, anotou Saramago em seu computador, em setembro de 2009.

O “sonoro” xingamento, no entanto, nunca chegou a sair dos arquivos de anotações. Apesar da empolgação pelo projeto, Saramago empacou no terceiro capítulo do romance; debilitado pela doença, nunca mais o retomou, morrendo em junho de 2010. Um vislumbre do que poderia ser essa espécie de testamento literário do autor português, Prêmio Nobel de 1998, chega no fim desta semana às livrarias brasileiras (em Portugal, o livro será lançado num grande evento, nesta quinta-feira, no Teatro Nacional D. Maria, em Lisboa).

“Sou um escritor um tanto atípico”

A edição póstuma de “Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas” (Companhia das Letras) traz as 22 folhas dos três capítulos iniciais deixados por Saramago, além de textos do ensaísta espanhol Fernando Gómez Aguilera, do escritor italiano Roberto Saviano e do antropólogo brasileiro Luiz Eduardo Soares, e ilustrações do romancista alemão Günter Grass. Outro acréscimo são as anotações feitas ao longo do processo de escrita, que apontam possíveis caminhos para a trama e dão uma ideia do método de trabalho do autor no fim de sua vida.

— Saramago tinha uma relação com a escrita que poderíamos chamar de profissional: nem dramas românticos nem sofrimentos mais ou menos literários — conta, em entrevista ao GLOBO, por e-mail, Pilar del Río, viúva do autor, tradutora do espanhol de vários de seus romances e presidente da fundação que leva seu nome. — Ele escreveu o livro como todos os outros, sem anseios e tensões, e com a mesma exigência de sempre. Saramago só começava a trabalhar se tivesse uma ideia clara do que queria contar e de como queria contar. Parte do livro já estava acabada, havia as anotações… Mas ele fez uma pausa para pesquisar e não pôde retomar a escrita.

“Sou um escritor um tanto atípico. Só escrevo porque tenho ideias”, costumava dizer Saramago. A ideia de seu último romance estava definida: explorar os conflitos da indústria e do comércio de armas. Os personagens também foram esboçados. Artur Semedo, um burocrata dedicado e eficaz de uma fábrica de armamento, e sua antagonista, Felícia, uma pacifista.

De acordo com as anotações do próprio Saramago, o projeto foi desencadeado por uma velha preocupação: o porquê de não se conhecer nenhum caso de greve numa fábrica de armamento. Outra inspiração veio de uma história que achava ter lido no romance “L’espoir”, de André Malraux — e que depois recordou ter lido em outro lugar, embora não se lembrasse onde: uma bomba lançada contra as tropas da Frente Popular de Extremadura durante a Guerra Civil Espanhola, que além de nunca ter funcionado ainda veio com um bilhete amigável. “Esta bomba não explodirá”, estava escrito.

Provocação ao leitor

Saramago admitiu, em uma anotação de 2 de setembro de 2009, que seu maior desafio no romance era criar uma “história humana que encaixe”. É justamente através dos conflitos e paradoxos de seus personagens que ele apresenta sua reflexão particular sobre a “banalidade do mal”, a expressão de Hannah Arendt. Com a figura de Artur Semedo, um funcionário exemplar que aparentemente deseja apenas o sucesso em seu trabalho, ele nos mostra que o horror pode ser oficializado pelas pequenas ações, pelos poderes e pela responsabilidades do cotidiano. Como é de costume em seus livros, provoca o leitor a pensar na ética, na sua própria atitude diante dos problemas do mundo — e a conveniência em fechar os olhos para eles.

— Creio que a banalidade do mal sempre aparece nos relatos de José Saramago, embora suas obsessões literárias poderiam ser descritas como meditações em torno do erro, da responsabilidade, do poder — opina Pilar. — Não podemos saber o que ele pretendia, mas podemos dizer o que vemos ao ler o romance: a indiferença, a cegueira, acabam sendo cúmplices do abjeto, sejam as guerras entre culturas, países, ou a violência entre pessoas. Para mim, é um incentivo a nunca ficar indiferente.

Pilar, contudo, não acredita que “Alabardas, alabardas…” poderia ser considerado um típico romance de Saramago, embora o considere “100% Saramago”. Para ela, o escritor estava no esplendor de sua maturidade, mais “maduro, compassivo e irônico”. Mas, aos que anseiam por novos títulos inéditos no baú, a presidente da Fundação José Saramago faz questão de acabar com as esperanças:

— Ele já havia anunciado que depois desse romance não voltaria a escrever, mas não pela morte e sim porque tinha dado como encerrado seu trabalho literário. Seu sonho era poder dedicar um tempo para ler tranquilamente na biblioteca de sua casa, passar horas com os autores que o fizeram ser a pessoa e o escritor que era. Não há mais inéditos. A obra de José Saramago, para a dor de seus leitores, está completa. Infelizmente.

ANOTAÇÕES DO AUTOR

“15 de agosto de 2009: Afinal, talvez ainda vá escrever outro livro. Uma velha preocupação minha (porquê nunca houve uma greve numa fábrica de armamento) deu pé a uma ideia complementar que, precisamente, permitirá o tratamento ficcional do tema. Não o esperava, mas aconteceu, aqui sentado, dando voltas à cabeça ou dando-me ela voltas a mim. O livro, se chegar a ser escrito, chamar-se-á “Belona”, que é o nome da deusa romana da guerra. O gancho para arrancar com a história já o tenho e dele falei muitas vezes: aquela bomba que não chegou a explodir na Guerra Civil de Espanha, como André Malraux conta em “L’Espoir”.

2 de setembro de 2009: A dificuldade maior está em construir uma história “humana” que encaixe. Uma ideia será fazer voltar Felícia a casa quando se apercebe de que o marido começa a deixar-se levar pela curiosidade e certa inquietação de espírito. Tornará a sair quando a administração “compre” o marido pondo-o à frente da contabilidade de uma secção que trata de armas pesadas.

26 de dezembro de 2009: Dois meses sem escrever. Por este andar talvez haja livro em 2020… Entretanto a epígrafe será: “Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas”.

É de Gil Vicente, da tragicomédia “Exortação da guerra”.

22 de fevereiro de 2010: As ideias aparecem quando são necessárias. Que o administrador-delegado, que passará a ser mencionado apenas como engenheiro, tenha pensado em escrever a história da empresa, talvez faça sair a narrativa do marasmo que a ameaçava e é o melhor que poderia ter-me acontecido. Veremos se se confirma.”

(Fonte: O Globo)

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Lorde divulga faixa da trilha de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

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Lorde lançou “Yellow Flicker Beat”, música que estará na trilha sonora de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, terceiro filme da franquia estrelada por Jennifer Lawrence, que chega aos cinemas em 20 de novembro.

Vale lembrar que, além de contribuir com uma faixa para o longa, a cantora também é responsável por fazer a curadoria das canções que estarão na produção. “Fazer a curadoria das canções de um filme tão aguardado foi um desafio, mas eu agarrei a oportunidade”, disse Lorde em um comunicado divulgado no final de julho.

“O elenco e a história são uma inspiração para todos os músicos que estão participando e, como sou uma pessoa com tendências cinematográficas, poder explorar um processo criativo diferente tem sido uma experiência única. Eu acho que a trilha sonora, definitivamente, vai surpreender as pessoas.”

(Fonte: Rolling Stone)

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Moedas de ouro e prata em comemoração aos 80 anos do Pato Donald

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Os 80 anos do Pato Donald estão sendo comemorados em muitos países. Alguns deles capricharam nas celebrações, fugindo das tradicionais revistas em quadrinhos comemorativas e oferecendo aos fãs do personagem uma variada gama de memorabilias, que, certamente, em pouco tempo virarão disputados e raros itens de colecionador.

É o caso da Austrália, que lançou uma série de moedas de ouro e prata cunhadas com a efígie do pato ranzinza em sua primeira aparição, o clássico curta de animação A galinha sábia (The Wise Little Hen, 1934).

Com tiragens limitadas a mil moedas de ouro e dez mil de prata – todas com 99,99% de pureza –  e acondicionadas em um luxuoso box de madeira, elas custam, respectivamente, o equivalente a R$ 1.612,00 e R$ 235,00.

Visite o site da Perth Mint para conferir essa e outras coleções de moedas com motivos Disney.

(Fonte: Universo HQ)

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Marvel Comics faz acordo com os herdeiros de Jack Kirby

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Marvel Comics fez acordo com a família de Jack Kirby, três dias antes do mérito do caso sobre os direitos autorais dos personagens ser ouvido pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

Segundo uma nota divulgada em conjunto pela Marvel Comics e a família Kirby, as duas partes chegaram a um acordo amigável, resolveram suas disputas e pretendem continuar honrando e avançando o legado de Jack Kirby. Os termos do acordo não forma divulgados.

O caso pedia o término da cessão de direitos autorais para os anos de 2014 a 2019, de diversos personagens criados por Kirby entre 1958 e 1963. A Marvel e a Walt Disney Company não eram as únicas empresas citadas no processo, a 20th Century Fox, Sony Pictures, Universal e Paramount também estavam inclusas.

Toda argumentação gira sobre a questão se o trabalho do artista foi criado como trabalho contratado (work for hire) ou não. O caso chegou à justiça em 2011 e a juíza Colleen McMahon decidiu que se tratava de trabalho contratado e, portanto, o pedido sobre os términos dos direitos seria inválido. Um apelo feito pela família Kirby foi rejeitado pela justiça em agosto de 2014 e foi assim que o caso chegou à Suprema Corte.

Com a publicidade ao redor do caso, diversas outras partes ligadas aos direitos autorais – como o Screen Actors Guild e o sindicato representando diretores e escritores – entregaram petições à Suprema Corte para que o caso fosse ouvido, uma vez que uma decisão favorável à família Kirby devolveria o caso a instâncias inferiores da justiça e abriria um precedente para processos similares.

Jack Kirby faleceu em 1994. Seus herdeiros são Lisa Kirby, Neal Kirby, Susan Kirby e Barbara Kirby.

(Fonte: Universo HQ)

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Sergio Bonelli Editore anuncia novidades

Numa entrevista coletiva com a imprensa realizada no último dia 26 de setembro, no Blue Note Club, em Milão, na Itália, o editor-chefe da Sergio Bonelli Editore Michele Masiero  anunciou várias novidades.

A revista Dylan Dog vai ser reformulada. Esse “renascimento” do personagem ocorrerá em Dylan Dog # 337 – Spazio Profondo. Um dos propósitos será a criação de novos personagens dentro da série.

Adam Wild (Adam Selvagem) é um novo título da editora. A novidade foi apresentada por Gianfranco Manfredi, seu criador. Adam Wild # 1 será lançado no próximo dia 4 de outubro.

A editora também abriu um novo departamento, o de desenvolvimento de propriedade intelectual, dedicado a levar os personagens da Bonelli para diversos tipos de mídias, como o cinema, TV e videogames, dentre outros, na Itália e em outros países. Os responsáveis são Vincenzo Sarno, Antonio Navarra e Giovanni Mattioli.

Os direitos comercializados anteriormente estão sendo renegociados para que retornem à editora. Os novos projetos não serão desenvolvidos do zero e serão baseados no material existente nas HQs.

A série Orfani, de Roberto Recchioni e Emiliano Mammucari, lançada em revistas mensais coloridas, em 2013, terá uma “segunda temporada”. O material foi transformado num motion comic, dirigido por Armando Traverso, numa parceria com a rede de TV RAI, e será exibido no canal RAI 4, em 10 de dezembro próximo. Cada episódio terá 30 minutos de duração.

Orfani também será transformado numa série radiofônica.

O personagem chefe da Bonelli, Tex, ganhará um especial ilustrado por Paolo Eleuteri Serpieri, conhecido por seu trabalho com a personagem Druuna. Serpieri também fez diversas HQs de faroeste ao longo de sua carreira, como A Índia Branca. O álbum será lançado num formato antigo, possivelmente horizontal.

A editora terá uma grande presença no próximo festival Lucca Comics & Games, com um pavilhão de 150 metros quadrados na Piazza San Giusto. Três HQs serão relançadas em edições especiais com novas capas e 16 páginas extras, incluindo Dylan Dog # 337, com a capa de Gipi; Adam Wild # 1, com capa ilustrada por Enrique Breccia; e Ringo # 1 (da série Orfani), com capa de Gabriele Dell’Otto.

A Sergio Bonelli Editore passará a distribuir suas revistas e álbuns diretamente nas livrarias, sem intermédio de outros distribuidores, como Mondadori, Bao Publishing e Rizzoli Lizard.

Para finalizar, a editora anunciou que lançará quadrinhos digitais, mas não explicou qual será a sua estratégia ou as plataformas envolvidas. Inicialmente, as HQs no formato digital não serão inéditas.

(Fonte: Universo HQ)

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Escritor Ilan Brenman participa de bate-papo com leitores em SP

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O escritor Ilan Brenman, autor de livros infantis como “Até as Princesas Soltam Pum”, “O Pó do Crescimento e Outros Contos”, “Histórias do Pai da História” e “A Cicatriz”, participará nesta terça-feira (30), às 19h30, de um bate-papo com leitores na Casa das Rosas, em São Paulo. O evento é gratuito.

A conversa faz parte do curso “Ciclo de Crítica com Autores Consagrados ao Vivo”, que ocorre ao longo do mês de setembro e que é ministrado pelo grupo de estudo de crítica literária Jardim Alheio, formado por Emerson M. Martins e Vivian Schlesingere.

PARA CONFERIR

Bate-papo com Ilan Brenman
Onde Casa das Rosas – av. Paulista, 37; tel. (11) 3285-6986
Quando terça-feira (30), às 19h30
Quanto gratuito

(Fonte: Folha de São Paulo)

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Obra policial de Raymond Chandler ganha nova tradução

Raymond Chandler

Raymond Chandler

Em suas obras, escritor reflete o lado sórdido da recessão americana

O escritor americano Raymond Chandler (1888-1959) recebeu uma refinada educação, em que conviveu com os clássicos da literatura, mas foi com histórias do submundo que ganhou notoriedade. Ao lado do conterrâneo Dashiell Hammett (1894-1961), ele esculpiu as regras do moderno romance policial, em que o texto elaborado de Edgar Allan Poe e as situações mirabolantes de Agatha Christie cederam espaço para tramas secas, ágeis, diretas, irônicas, com becos escuros repletos de louras e policiais envolvidos em histórias quase sempre verossímeis. Estabeleceram um novo caminho para o gênero, portanto.

Tanto Chandler como Hammett chegaram com força ao mercado brasileiro nos anos 1980, por meio de badaladas edições da Brasiliense. Nas décadas seguintes, continuaram à disposição principalmente graças às simpáticas versões de bolso da L&PM, que ainda mantém um catálogo ativo. Agora, a partir da próxima semana, é a vez da Alfaguara iniciar um novo trabalho de resgate da obra de Chandler: no dia 1º, as livrarias devem receber O Longo Adeus (1953) e A Dama do Lago (1943), com nova tradução, a cargo de um especialista, Braulio Tavares, também organizador.

No ano que vem, em julho, será a vez de O Sono Eterno (1939) e Adeus, Minha Querida (1940). Em abril de 2016, os lançamentos previstos são de A Irmãzinha (1949) e A Janela Alta (1942), ambos títulos provisórios. Finalmente, em março de 2017, Contos Selecionados. Todos trazem cartas e ensaios como material extra.

Os textos são facilmente identificáveis por uma série de detalhes – com o fascinante detetive Philip Marlowe à frente, trazem uma galeria familiar que, no entender de Tavares, inclui mulheres sedutoras, homens durões e atormentados, alguns policiais desonestos e arrogantes e outros que tentam fazer o melhor que podem num meio moralmente corrompido.

Chandler, assim como os escritores dos anos 1930, enfrentou a recessão econômica e, com sua literatura, ofereceu um resposta às condições históricas, sociais e culturais da América durante e após a 2.ª Grande Guerra, ou seja, no momento em que os EUA se reconstruíam em meio a desempregados. Daí os ambientes sórdidos onde se passa a maioria das histórias. E os crimes, quando acontecem, são tão factíveis como os relatados pelos jornais.

O clima desses romances também inspirou o cinema noir e definiu sua estética – fotografia em preto e branco, contrastada, ruas molhadas, cabarés enfumaçados, diálogos agudos, muitas vezes cínicos, ditos por homens durões e mulheres fatais. Entre um diálogo e outro, todos bebem e fumam muito.

O Longo Adeus é uma das principais obras de Chandler – nas palavras de Ricardo Piglia, “talvez o melhor romance policial que já se escreveu”. Trata-se da história da amizade entre Philip Marlowe e Terry Lennox, que ele considera “um sujeito de quem é impossível não gostar”. Casado com uma milionária, Lennox poderia ter a vida ganha, mas a morte brutal da mulher enreda Marlowe a uma elite poderosa e desajustada.

Sem se afastar do gênero policial, a obra vasculha assuntos mais profundos, como a consequência do desespero, da maldade e do capricho da mente perversa dos criminosos. “A técnica narrativa de Chandler consiste em uma descrição quase fotográfica do que está acontecendo entre os personagens, do contraste entre essa ação e o diálogo (cada um revelando ou sugerindo algo sobre o outro), e os comentários de Marlowe, raramente explicativos”, observa Tavares que, no trabalho de tradução, preocupou-se com a sonoridade das frases, buscando manter sua musicalidade.

A Dama do Lago sintetiza esse estilo – durante 48 horas de ação quase ininterrupta, a trama acompanha Marlowe na investigação do desaparecimento da mulher de um executivo do ramo de perfumes. “Como em outros romances, Chandler ‘canabalizou’ (termo que ele mesmo empregava) contos que publicou antes em revistas”, comenta Tavares. “Como se passa em apenas dois dias, é um enredo (e uma dinâmica narrativa) bem à feição das noveletas dos ‘pulp magazines’ onde Chandler afiou a espada antes de estrear no romance.”

MANDAMENTOS DE CHANDLER

1. Não é possível escrever uma história de detetive perfeita

2. A maneira mais eficaz de esconder um mistério é por trás de outro mistério

3. Bobagem acreditar que ninguém liga para o cadáver

4. Diálogo cínico não é humor espirituoso

5. História de mistério publicada em episódios não funciona bem como romance

6. Casos de amor quase sempre enfraquecem uma história de mistério

7. O herói da narrativa de mistério é o detetive

8. O criminoso não pode ser o detetive

9. O assassino não deve ser um maluco

10. Todas as ficções dependem do suspense

A DAMA DO LAGO

Autor: Raymond Chandler

Tradução: Bráulio Tavares

Editora: Alfaguara (272 págs., R$ 34,90)

O LONGO ADEUS

Autor: Raymond Chandler

Tradução: Bráulio Tavares

Editora: Alfaguara (400 págs., R$ 44,90)

(Fonte: O Estadão)

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…E o Vento Levou completa 75 anos

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Filme mais rentável de todos os tempos será exibido nos Estados Unidos no formato original

O vencedor de dez prêmios Oscar … E o Vento Levou completa 75 anos este ano e, para celebrar um dos maiores clássicos da história do cinema, será exibido no formato original, nos Estados Unidos. As informações são da agência France Presse.
Entre domingo, 28 e 1º de outubro, quase 650 salas de cinema do país vão passar o longa, que dura mais de três horas (224 minutos). A obra adaptou o livro de mesmo nome, e vencedor do Pulitzer, da escritora Margaret Mitchell. Trata-se da história de Scarlett O’Hara durante a Guerra de Secessão. No filme, ela é interpretada por Vivien Leigh. Também estão no elenco Leslie Howard, Olivia de Havilland e Clark Gable.

Segundo o site Box Office Mojo, …E o Vento Levou é o filme mais rentável de todos os tempos, com US$ 1,6 bilhão (reajustados de acordo com a inflação).
Ao longo das décadas, a produção sofreu muitas críticas e acusações de glorificar a escravidão. Ainda assim, se tornou um dos produtos de entretenimento mais importantes da história da cultura pop e foi relançando nos cinemas periodicamente.

(Fonte: Rolling Stone)

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Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1 terá maior lançamento do cinema brasileiro

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Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1  será o maior lançamento da história do cinema brasileiro, pois cerca de 1400 salas receberão o filme em 20 de novembro, sua data de estreia.

O número bate a estreia de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, que contou com cerca de 1300 salas. A pré-venda dos ingressos para o novo Jogos Vorazes começa no dia 29 de outubro – para a estreia mundial antecipada no Brasil em 19 de novembro.

A segunda parte de A Esperança chega aos cinemas em 20 de novembro de 2015.

(Fonte: Omelete)
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