Arquivos mensais: novembro 2013

NETO DO POLÍTICO E JORNALISTA CARLOS LACERDA REFAZ TRAJETÓRIA DA FAMÍLIA EM ROMANCE

Rodrigo Lacerda

Rodrigo Lacerda

Entre as poucas lembranças que o escritor Rodrigo Lacerda, 44, guarda do avô, o jornalista e político Carlos Lacerda (1914-1977), está a de seu enterro, no cemitério de São João Batista, no Rio.
Aos oito anos, sem nunca ter visto o avô em atividade, Rodrigo espantou-se com o tumulto de lacerdistas na cerimônia fúnebre. Não fazia ideia das paixões causadas por Carlos, que teve direitos políticos cassados pela ditadura antes de o neto nascer.
Crítica: Obra sobre Carlos Lacerda faz bons retratos, mas falha em narração
A imagem ficou num canto da memória do autor até 2010, quando, convidado pela “Ilustríssima”, na Folha, a descrever o momento, criou o conto “Política”, narrado pelo defunto, à moda “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.
O texto gerou um convite da Companhia das Letras para o escritor fazer um retrato biográfico do avô, figura inflamada que, dos anos 1930 aos 1960, rompeu com esquerda e direita, passando de comunista a anticomunista e de articulador do golpe de 64 a um de seus grandes críticos.
“A República das Abelhas” chega agora às livrarias, no ano que antecede o centenário de Carlos Lacerda. O título se refere a um “frenesi em volta da colmeia”, metáfora sobre os vários grupos políticos de olho no poder na primeira metade do século 20.
Em 520 páginas, Carlos Lacerda relembra o avô, o juiz Sebastião; o pai, o deputado federal Maurício; os tios, Paulo e Fernando, comunistas; e sua própria trajetória, na qual se destaca a oposição ferina a Getúlio Vargas (1882-1954).
HISTÓRIA SEM RIGOR
Rodrigo leu tudo sobre Carlos, incluindo a imensa biografia feita pelo americano John Watson Foster Dulles, cartas, discursos e sua produção literária –o político escreveu peças, contos e memórias; foi tradutor e editor.
Por “falta de opção melhor”, chama o resultado de romance histórico. “Tem biografia e é romance, mas não só; é história, mas sem rigor.”
O livro é narrado em primeira pessoa. “O distanciamento de um historiador era impossível, já que sou neto. Tentei tirar partido disso”, diz Rodrigo, premiado por romances como “Outra Vida”.
Essa opção o deixou livre para recorrer a uma visão parcial, impregnada pelas crenças do avô. Mas o olhar pós-morte traz um político mais comedido do que aquele que ficou famoso pela veemência. “É ele fora do jogo lembrando o campeonato”, explica.
A reflexão ficcional póstuma permitiu ao autor incluir conclusões próprias, como a de que a ruptura do Partido Comunista do Brasil com Lacerda, em 1939, teve a ver com uma estratégia dos dirigentes para queimar seu tio Fernando, que media forças com Luís Carlos Prestes.
Leitores sentirão falta de duas passagens notórias da vida do político: sua atuação como governador da Guanabara (1960-1965) e sua ligação com o golpe de 64. Há um plano da editora de publicar um segundo livro. Rodrigo não se compromete.
“A essência da visão de meu avô se consolida até os anos 1950. Com isso, deixei de fora o melhor e o pior da vida política dele. Pode ser que continue, mas, por ora, voltarei a outros trabalhos.”

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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SUPREMO REJEITA RECURSO DE JOÃO GILBERTO CONTRA LIVRO NÃO AUTORIZADO

JOÃO GILBERTO

JOÃO GILBERTO

Em decisão unânime, o Supremo Tribunal Federal rejeitou a tentativa do músico João Gilberto de tirar de circulação a obra não autorizada “João Gilberto”, sobre o qual é tema, da editora Cosac Naify.
A deliberação dos juízes, tomada no dia 7 de novembro, pode apontar o caminho a ser tomado na questão das biografias não autorizadas. O Supremo deve julgar em breve uma ação dos editores que questiona a restrição a biografias.
A ministra Cármen Lúcia é relatora tanto do processo de João Gilberto quanto da ação dos editores.
Na sessão que negou o recurso de João Gilberto, estavam ausentes os ministros Joaquim Barbosa (presidente da corte), Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux.
O livro “João Gilberto” é organizado por Walter Garcia, professor do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, e reúne entrevistas, documentos, reportagens, ensaios e fotografias.
A corte rejeitou o recurso de João Gilberto contra uma decisão anterior da Justiça, que já havia negado um pedido de busca e apreensão da obra.
O músico contestava uma decisão de junho, da 9ª Vara Cível do Estado de São Paulo. Na época, o juiz Valdir da Silva Queiroz Junior havia escrito na sentença que o pedido era “censura absolutamente inadmitida no ordenamento jurídico brasileiro”.
Ao Supremo Tribunal Federal, o músico alegou que o juiz teria tomado para si a competência do Supremo de julgar a constitucionalidade dos artigos 20 e 21 do Código Civil –justamente o ponto que é questionado pelos editores no tribunal.
As normas vigentes permitem que biografados ou seus herdeiros impeçam na Justiça a publicação de obras que não tenham autorização prévia.
O fato de que a ação ainda não tenha sido julgada, diz o relatório da ministra Cármen Lúcia, “não impede que juízes e tribunais brasileiros possam analisar questão submetida a sua decisão com base nos mesmo fundamentos constitucionais”.
Em uma audiência pública sobre as biografias não autorizadas realizada na semana passada, a ministra afirmou que pretende liberar seu voto no início de dezembro, para que a ação entre na pauta do tribunal.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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OBRAS INÉDITAS DE J. D. SALINGER VAZAM NA INTERNET E CONTRARIAM VONTADE DO AUTOR

J. D. SALINGER

J. D. SALINGER

Três contos nunca publicados do escritor americano J. D. Salinger (1919-2010) vazaram na internet, após aparecerem em um leilão do site de compras eBay.
As histórias estão coletadas em um livro intitulado “Three Stories”, comprado no site por cerca de R$ 250 e cuja origem é desconhecida. Um link para um arquivo PDF do livro foi então postado no Reddit, um site de compartilhamento de conteúdo.
Um dos contos, “Ocean Full of Bowling Balls”, é considerado um prelúdio do livro mais famoso de Salinger, “O Apanhador no Campo de Centeio”. A biblioteca da Universidade de Princeton era a única a possuir uma cópia da obra, disponível para leitura sob supervisão.
A divulgação da obra contraria a vontade do autor, morto em 2010, para quem o conto não deveria ser publicado antes de 2060, 50 anos após sua morte.
Os dois outros contos, “Paula” e “Birthday Boy” podiam ser encontrados na Universidade do Texas.
Segundo o documentário “Salinger”, lançado em setembro nos Estados Unidos, cerca de cinco obras do escritor seriam lançadas entre 2015 e 2020, a pedido dele.
Um estudioso de Salinger, Kenneth Slawenski, confirmou a autenticidade das obras vazadas.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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FILME ‘TREM NOTURNO PARA LISBOA’ É ADAPTAÇÃO SEM BRILHO DE LIVRO

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Existem os filmes em que a história nasce das imagens e aqueles em que tema e relato são tão nobres que elas se tornam ilustrações de algo maior. A este tipo pertence “Trem Noturno para Lisboa”.
O filme, dirigido pelo dinamarquês Bille August, carrega o peso das produções europeias de prestígio: é baseado num romance estimado do francês Pascal Mercier, tem no elenco as presenças veneráveis de Jeremy Irons e Charlotte Rampling e narra o episódio histórico da Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974.
Irons interpreta um velho e solitário professor que se encanta por um livro raro. Ao buscar os passos perdidos de seu autor, descobre um mundo marcado por heroísmos e traições, em que a paixão amorosa não se distingue do fervor político.
Ao acumular os papéis de leitor apaixonado e de narrador, o professor projeta na tela as experiências de descoberta que potencialmente a literatura oferece.
A matriz literária de “Trem Noturno para Lisboa”, no entanto, é o que mais impede o filme de alçar voo. A devoção dos personagens ao livresco atrapalha sua encarnação na forma palpável das imagens e dos diálogos. E tudo fica aprisionado como numa vetusta biblioteca cujos volumes são tão admiráveis que evitamos tocá-los.
O que se vê em cena é fruto mais do trabalho bem cuidado de roteiristas, um material lapidado que nunca deixa de ser somente texto. Mesmo quando o filme busca enfocar o processo histórico do fim da ditadura de Salazar, o efeito é sempre o da leitura aplicada, bem-feita, porém sem brilho e, pior, sem vida.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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MANUSCRITO DE SPRINGSTEEN COM LETRA DE ‘BORN TO RUN’ IRÁ A LEILÃO POR ATÉ US$ 100 MIL

O documento fazia parte de uma coleção do ex-empresário do músico, Mike Appel

O documento fazia parte de uma coleção do ex-empresário do músico, Mike Appel

Um manuscrito de Bruce Springsteen com a letra de seu hit de 1975, “Born to run”, será colocado à venda em um leilão em Nova York, em 5 de dezembro.
A Sotheby’s disse nesta quarta-feira que o preço de venda é estimado entre US$ 70 mil e US$ 100 mil.
O nome do vendedor não foi divulgado. A Sotheby’s disse que o documento, escrito a mão, pertencia a uma coleção do ex-empresário de Springsteen, Mike Appel.
Escrito com tinta azul sobre um papel de 20,32 por 27,94 centímetros em Long Branch, Nova Jersey, o item faz parte de uma série de vendas de livros e manuscritos em Manhattan.
Bruce Springsteen vai lançar um novo álbum, “High hopes”, no dia 14 de janeiro. O disco trará versões, regravações e sobras de estúdio que o músico sempre achou “que mereciam ser lançadas”.

(Fonte: O Globo)

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EDITORA ABRIL CELEBRA 50 ANOS DA REVISTA DO TIO PATINHAS

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Na cidade de Patópolis, no ponto mais alto do Morro Matamotor, resplandece uma estrutura de concreto e aço em forma de cubo que é, ao mesmo tempo, a caixa-forte e a morada do pato mais rico do mundo.
Criado em 1947, para ser coadjuvante nas histórias do Pato Donald, Tio Patinhas ganhou força, respeito e profundidade em tempo recorde e logo se tornou um astro de primeira grandeza em torno do qual passariam a gravitar dezenas de outras figuras, incluindo seu sobrinho mais famoso.
Participando das aventuras do Pato Donald desde 1950, ele ganhou revista própria em dezembro de 1963.
Celebrando o cinquentenário da revista, a Editora Abril lança dois volumes especiais que reúnem histórias inéditas organizadas sob quatro tópicos que definem o protagonista. Além das HQs, a obra traz textos de Celbi Vagner Pegoraro e Marcelo Alencar.
Neste primeiro volume estão os inimigos e rivais do Tio Patinhas e uma de suas maiores paixões: a caça ao tesouro. No segundo, a obsessão por grandes empreendimentos e a maior riqueza da vida do velho ranzinza: a família e os amigos.
Tio Patinhas – 50 Anos – Volume 1 (formatinho, 304 páginas, R$ 16,00) tem distribuição setorizada e já está nas bancas.

(Fonte: Universo HQ)

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LIVRO IMPRESSO MAIS CARO DO MUNDO É LEILOADO POR R$ 32,7 MILHÕES NOS EUA

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O “Bay Psalm Book”, um das 11 cópias restantes do primeiro livro impresso nos Estados Unidos, foi vendido por US$ 14,2 milhões (R$ 32,7 milhões) na terça-feira (26) à noite na casa de leilões Sotheby’s, em Nova York, estabelecendo o recorde de livro impresso mais caro mais já vendido.
Embora a expectativa para lances de até US$ 30 milhões (R$ 69,2 milhões) não tenha sido alcançada, o leilão superou com facilidade a marca anterior US$ de 11,5 milhões (R$ 26,5 milhões), pagos em dezembro de 2010 pelo livro “Birds of America”, de John James Audubon.
O homem de negócios e filantropo norte-americano David Rubenstein foi o comprador do livro. Ele é co-fundador e co-chefe-executivo da empresa de private equity dos EUA Carlyle Group LP.
A Sotheby’s disse que os planos de Rubenstein são emprestar o livro a diversas bibliotecas dos EUA, antes de emprestá-lo a longo prazo a apenas uma delas.
“Nós estamos entusiasmados que esse livro, que é um dos mais importantes de nossa história e cultura, está destinado a ser amplamente visto pelos norte-americanos, que podem apreciar sua singular significação”, disse o diretor do departamento de livros da Sotheby’s, David Redden.
“É claro que também estamos entusiasmados por ter conseguido um novo lance recorde em leilões de qualquer livro impresso, o que afirma que os livros permanecem uma parte vital de nossa cultura”, acrescentou ele em comunicado.
LIVRO HISTÓRICO
Impresso em 1640 em Cambridge, no Estado norte-americano de Massachusetts, o “Bay Psalm” é um dos livros mais raros do mundo e é uma das cópias em melhor estado das 1,7 mil que foram impressas.
O livro é também a primeira cópia a ser vendida desde 1947, quando estabeleceu um recorde para leilão de livros ao arrecadar US$ 151 mil (R$ 348 mil).
O “Bay Psalm” foi vendido pela da coleção da Igreja Old South, em Boston, para cobrir os custos de restauro da edificação e financiar seu ministério.
A cópia vendida é uma das duas pertencentes à igreja. Membros da congregação, uma organização sem fins lucrativos criada em 1669 e integrante da denominação protestante Igreja Unida de Cristo, votaram pela vendo do livro em dezembro passado.
As universidades de Harvard e Yale e outras instituições são donas das outras cópias existentes.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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BIBLIOTECA DE NOVA YORK COMPRA ORIGINAIS DE TOM WOLFE POR R$ 4,9 MILHÕES

TOM WOLFE

TOM WOLFE

A Biblioteca de Nova York comprou uma coleção de manuscritos e papeis do escritor americano Tom Wolfe por R$ 4,9 milhões. As informações são do jornal “New York Times”.
Wolfe, 83, é considerado pai do “new journalism”, estilo de escrita jornalística que se utiliza de técnicas literárias.
Nas 190 caixas compradas pela biblioteca, há rascunhos originais do primeiro romance de Wolfe, “A Fogueira das Vaidades”, escrito em 1987, além de material jornalístico coletado e mais de 10 mil cartas que incluem notas pessoais de amigos e colegas, como o jornalista Gay Talese.
Segundo Wolfe, a biblioteca foi sua primeira opção como nova casa para seu trabalho. O jornalista disse que frequentou muito o local para realizar pesquisas, quando foi para Nova York trabalhar no jornal “The New York Heral Tribune”, que não existe mais. “Escrevi artigos inteiros lá, porque o telefone nunca tocava”, contou.
O arquivo também inclui entrevistas históricas, como com o piloto de testes Chuck Yeager, e rascunhos de livros feitos em máquina de escrever ou até à mão. Wolfe até hoje não utiliza computador.
A arrecadação estará disponível para pesquisadores após ser processada pela biblioteca, processo que deve ser concluído em meados do ano que vem.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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PESQUISA MOSTRA QUE JOVENS PREFEREM LIVROS FÍSICOS A E-BOOKS

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Jovens de 16 a 24 anos são superconectados, certo? Sim. Mas uma pesquisa inglesa constatou que, nesta faixa etária, 62% deles preferem ler livros físicos do que e-books.
A pesquisa perguntou sobre as preferências dos jovens, comparando produtos físicos e digitais, também para filmes (48% preferem ir ao cinema), jornais e revistas (47%), CDs (32%) e vídeogames (31%).
“É surpreendente porque pensamos que nessa idade as pessoas estão grudadas em seus smartphones e outras ferramentais digitais”, diz Luke Mitchell, da agência Voxburner, que lançou as questões para 1420 jovens.
As duas razões principais para preferir livros físicos vão desde o preço até à conexão emocional (“gosto do cheiro”, “gosto de ver a estante cheia” foram algumas das justificativas). Eles ainda opinaram sobre os preços de ebooks: 28% disseram que eles deviam custar metade da versão impressa, e apenas 8% consideraram os valores justos.

(Fonte: O Globo)

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AS FACETAS SECRETAS DE VINICIUS DE MORAES SÃO TEMA DE DEBATE NA CASA DO SABER O GLOBO

André Miranda, Miguel Jost, Eucanaã Ferraz e José Castello

André Miranda, Miguel Jost, Eucanaã Ferraz e José Castello

A palavra foi o foco do terceiro e último debate do projeto “Vinicius em 3 tons”, da série Encontros O GLOBO. Reunidos na terça-feira na Casa do Saber O GLOBO, na Lagoa, com mediação do repórter André Miranda, especialistas em Vinicius de Moraes se debruçaram sobre o legado desse grande nome da cultura brasileira (que completaria 100 anos em 2013) e chegaram a um consenso: ainda há que se fazer justiça à grandeza poética de Vinicius.
— Ele é um poeta em construção, e não só para mim. Vinicius começou com um tom e depois foi para outro. Quando se dedicou à música, ganhou um outro perfil. E ainda hoje há Vinicius secretos, facetas inexploradas em sua obra — observou o poeta Eucanaã Ferraz, coordenador da edição completa das obras do autor.
O pesquisador Miguel Jost, que prepara uma grande exposição sobre Vinicius para o ano que vem, na nova Biblioteca Pública do Rio de Janeiro, lembrou uma das consequências do grande envolvimento do poeta com a canção popular (na qual se fez célebre sozinho ou em parcerias com Tom Jobim, Toquinho, Baden e outros):
— Havia a imagem do poetinha, do poeta menor, mas o nível de dedicação dele ao labor poético é impressionante.
Autor de uma biografia de Vinicius (“O poeta da paixão”, de 1994) e colunista de O GLOBO, José Castello contou ter encontrado um poeta “inteiramente esquecido, para não dizer desprezado” quando iniciou sua pesquisa.
— A poesia de Vinicius é uma espécie de reportagem interior, ele vivia caçando pedaços da vida para jogar na palavra. Ele falava de lua, amor, mulher, de tudo aquilo que tinha sido expulso pelo modernismo. O drama do Vinicius nunca foi a forma. Ele estava mais preocupado em construir uma grande vida, e que essa vida se refletisse em sua obra.
— O Vinicius inventa um modernismo próprio, sem abrir mão do laço entre vida e poesia. Ele tem a ambição da poesia grande — arrematou Eucanaã, aproveitando para ler um de seus Vinicius secretos: o do mórbido poema “Balada da moça do Miramar”.

(Fonte: O Globo)

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