SETEMBRO – 2014

Coração das Trevas ganha adaptação em quadrinhos pela Editora Veneta

CoracaoDasTrevas

O livro Coração das Trevas, escrito por Joseph Conrad em 1899, ganha uma adaptação em quadrinhos neste mês, em uma publicação da Editora Veneta.

Com roteiro do dramaturgo norte-americano David Zane Mairowitz e arte de Catherine Anyango, do Royal College of Art de Londres, a edição recria a aventura do marinheiro Marlow no coração da África, à procura de Kurtz, um legendário caçador de marfim. Ao mesmo tempo que é uma aventura cheia de suspense, a HQ é uma descrição do ambiente dramático do colonialismo europeu em um de seus momentos mais sombrios.

Coração das Trevas, que inspirou o filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, encontra aqui uma tradução para os quadrinhos que procura retratar a intensidade da obra original.

A edição da Veneta será lançada no formato 16 x 24,2 cm, 128 páginas, e custará R$ 39,90.

(Fonte: Universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Aplicativo reúne em mapa locais ligados à obra de Machado de Assis

4

Bentinho e Capitu, personagens do romance “Dom Casmurro” (1899), foram moradores da rua Riachuelo, na Lapa. Já em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), o narrador reencontra uma antiga paixão ao caminhar pela rua do Ouvidor, no centro da cidade.

As referências à cidade que pontuam a ficção de Machado de Assis (1839-1908) motivaram o projeto “Rio de Machado”, que lista 81 endereços citados nos livros do autor, além de 20 locais associados à rotina do escritor.

Idealizadoras do projeto, a curadora Daniela Name e a consultora digital Gabriela Dias reuniram, em um aplicativo, um mapa no qual cada local aparece contextualizado em relação à vida e à obra do escritor.

Desenvolvido pela produtora 32 Bits, o programa estará disponível para download gratuito em tablets e celulares a partir de 1º de outubro.

No dia 2, terá início uma exposição nos pilotis do Museu de Arte do Rio (MAR), na praça Mauá, baseada no conteúdo do “Rio de Machado”.

“É um jeito de comunicar muito contemporâneo, que pode ajudar a formar e a conquistar novos leitores. Na Inglaterra, por exemplo, fizeram um aplicativo do [Charles] Dickens com quatro percursos pela cidade de Londres vinculados a personagens do autor”, conta Dias.

Por cinco semanas, a cada sábado (a partir do dia 4 de outubro), os organizadores do projeto vão promover visitas guiadas gratuitas por mais de dez endereços associados a Machado de Assis pelo centro da cidade.

O ponto de partida do passeio será o MAR, que receberá também um seminário sobre a obra do escritor, nos dias 1º e 2 de outubro.

(Fonte: Folha de São Paulo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Codirigido por Martin Scorsese, documentário conta a história da“The New York Review of Books”

3

Filme sobre a revista, que influenciou principais debates políticos e culturais dos Estados Unidos nos últimos 50 anos, será exibido no próximo Festival do Rio.

Há uma cena em “The 50 year argument”, documentário de Martin Scorsese e David Tedeschi sobre a “The New York Review of Books”, que resume o espírito da revista americana fundada em 1963. Num evento público em 1971, o escritor Norman Mailer e a crítica literária Diana Trilling estão debatendo sobre feminismo quando, da plateia, a escritora Susan Sontag pede a palavra para discordar de ambos. A discussão ao mesmo tempo intensa e bem-humorada entre os três, todos colaboradores da “Review”, parece uma encenação ao vivo dos muitos embates travados nas páginas da publicação nas últimas cinco décadas.

Confirmado na programação do Festival do Rio, que começa dia 24, o filme tem vários momentos parecidos. O mesmo Mailer aparece batendo boca num programa de TV com o escritor Gore Vidal, outro nome de peso da revista, sobre um artigo que o desagradou. O linguista Noam Chomsky faz um discurso sobre “a responsabilidade dos intelectuais” diante da Guerra do Vietnã, que remete ao manifesto com esse título que publicou na “Review” em 1967. O romancista James Baldwin, personagem habitual na publicação, responde a um entrevistador branco que lhe pede para definir “o negro” com um monólogo sobre a obsessão dos americanos pelo tema, concluindo com uma frase que ficou famosa: “Você é o negro, baby, não eu”.

Sontag, Mailer, Vidal, Chomski e Baldwin são apenas alguns dos nomes na longa lista de artistas e intelectuais que passaram pelas páginas da “Review”. No documentário, Scorsese e Tedeschi resgatam imagens de arquivo destes e de outros colaboradores históricos, como Mary McCarthy e W.H. Auden, e entrevistam a linha de frente do time atual da revista: Joan Didion, Colm Tóibín, Michael Chabon e Zoe Heller, entre outros. Tudo para mostrar que, como diz o correspondente da “Review” em Israel, Avishai Margalit, “revistas podem não mudar o mundo, mas ajudam a formar um certo ambiente de ideias”.

— Cresci numa casa que tinha uma assinatura da “Review”. Ela moldou minha compreensão do mundo e me ajudou a aprender a pensar, porque sempre encorajou o debate e o bom texto — diz o codiretor David Tedeschi, em entrevista por telefone, de Nova York. — A “Review” tem grande ressonância na sociedade porque busca reunir figuras centrais para a cultura. É um encontro de grandes mentes.

O responsável por promover esse encontro há cinco décadas é Robert Silvers, de 84 anos, editor da revista desde o primeiro número. Figura lendária da imprensa americana, ele é o verdadeiro protagonista de “The 50 year argument”. Uma imagem recorrente no filme é a de Silvers em sua mesa coberta de pilhas de livros, falando ao telefone com colaboradores do mundo todo ou revisando minuciosamente textos e ilustrações. Numa cena, ele é flagrado alimentando um cachorro dentro da redação — onde mantém um quartinho com uma cama para as noites mais longas de fechamento.

— Frequentar a redação dia após dia e desvendar o funcionamento da revista foi muito emocionante. Mas confesso que ainda não sei como Bob consegue manter tudo em ordem e ser tão produtivo. Ele saía de noite com a maleta cheia de coisas que eu levaria uns três dias para ler, mas no dia seguinte estava tudo pronto — brinca Tedeschi.

Nos últimos anos, Tedeschi editou vários documentários de Scorsese, sobre Bob Dylan (“No direction home”, 2005), os Rolling Stones (“Shine a light”, 2008) e George Harrison (“Living in the material world”, 2011), entre outros. No início de 2013, Silvers apresentou a Scorsese a ideia de um documentário sobre a “Review”. O diretor se empolgou mas, como estava envolvido com as filmagens de “O lobo de Wall Street”, convidou Tedeschi para dividir a direção de “The 50 year argument”.

O filme recupera detalhes pitorescos da fundação da revista. Em dezembro de 1962, uma greve geral parou os jornais de Nova York por 114 dias, mobilizando 17 mil trabalhadores, de jornalistas e tipógrafos a ascensoristas. Um grupo de intelectuais nova-iorquinos, insatisfeitos com o nível da crítica literária da época, decidiu que era o momento ideal para lançar uma revista. Apostavam que, com todos os suplementos culturais da cidade fora de circulação, as editoras topariam anunciar até num veículo desconhecido. Hoje, a “Review” é uma publicação quinzenal com tiragem de 130 mil exemplares e um selo editorial próprio.

O projeto surgiu nos jantares de um círculo de amigos formado pelo casal Barbara e Jason Epstein, então editor da Random House, o poeta Robert Lowell e sua mulher, a escritora Elizabeth Hardwick. Pouco antes, ela havia publicado um manifesto na revista “Harper’s” sobre a decadência da crítica literária americana, na qual só via “elogios insípidos e discordância frouxa, estilo mínimo e artigos leves, falta de envolvimento, paixão, caráter, excentricidade — a ausência, enfim, do próprio tom literário”.

Ponto de vista forte

Na época, Silvers editava a “Harper’s” e foi convidado pelo grupo para capitanear a “Review”, ao lado de Barbara Epstein (que dividiu o trabalho com ele até morrer, em 2006). Em entrevista ao GLOBO no ano passado, Silvers contou que os colaboradores do primeiro número, como Auden, Mailer, Sontag e Vidal, toparam escrever de graça, movidos pelo desejo comum de mostrar “como uma revista literária deve ser”, lembrou o editor.

— A “Review” é diferente de todas as outras publicações. Como a revista surgiu numa atmosfera de amizade, ela foi capaz de criar um sentimento de comunidade entre colaboradores e leitores — diz Tedeschi.

Esse sentimento fica explícito no documentário. O escritor irlandês Colm Tóibín recorda que, durante sua adolescência em Dublin, ele e um punhado de colegas se reuniam para ler e debater a revista da qual se tornaria colaborador (“Era como se ela conversasse conosco”, afirma). Num depoimento emocionado, a jornalista Joan Didion conta os bastidores de um dos textos mais famosos da “Review”, sua reportagem de 1991 sobre o caso de quatro jovens negros e um hispânico presos sob acusação de estuprar uma mulher branca no Central Park. A apuração minuciosa de Didion mostrou inconsistências na investigação, admitidas pela polícia só 11 anos depois, quando os jovens foram inocentados.

— A entrevista com Joan abre uma porta para o processo secreto entre Bob e os colaboradores. Ela mostra como estava emocionalmente conectada com ele. Não que não houvesse conflitos entre editor e escritor, claro que havia, mas ela é muito grata a Bob pela ajuda com o texto. E Bob diz que não fez nada, que Joan é que fez um ótimo trabalho — observa Tedeschi.

Na entrevista ao GLOBO em 2013, Silvers descreveu assim seu método: “Editar é fazer perguntas: ‘Pode explicar melhor?’, ‘Tem algo mais a dizer?’. O segredo desse trabalho é explorar, caso a caso, as possibilidades de diálogo com os autores, pensando sempre em como ampliar e aprofundar a reflexão deles”. Em “The 50 year argument”, ele oferece uma definição ainda mais concisa: editar, diz, é “a busca pelo melhor texto”.

A entrevista com Didion também ressalta o valor do jornalismo praticado pela “Review”. Além dos ensaios e debates intelectuais, a revista cobriu alguns dos principais conflitos mundiais dos últimos 50 anos, como a Guerra do Vietnã, os protestos por direitos civis nos Estados Unidos, a queda da Cortina de Ferro, os atentados de 11 de Setembro e a Primavera Árabe. Essa postura inquieta e engajada é também uma marca de Silvers.

No documentário, o jornalista Michael Greenberg conta que, logo no início do movimento Occupy Wall Street, recebeu um telefonema do editor no meio da madrugada com a dica de que “algo estava acontecendo” no Zucotti Park. A correspondente da revista no Egito, Yasmine El Rashidi, relembra os diálogos com Silvers ao longo da cobertura das manifestações na Praça Tahrir, a partir de janeiro de 2011. Quando ela começou a enviar artigos acusando a então desconhecida Irmandade Muçulmana de usar armamento pesado nos protestos, Silvers mandou de volta recortes do “New York Times” e do “Washington Post” que nada diziam sobre isso. Mas confiou na repórter.

— Yasmine acompanhou a Primavera Árabe desde o início e o que ela escrevia era muito diferente do que o resto da imprensa no Ocidente publicava. Mas o tempo provou que estava certa — diz Tedeschi. — Ela é muito informada e procura compreender os vários lados de uma situação, mas sem abrir mão de um ponto de vista forte. É isso que a “Review” procura.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

The Scorch Trials | Sequência de Maze Runner ganha data de estreia

2

A Fox já anunciou a data de estreia de The Scorch Trials, a continuação de Maze Runner – Correr ou Morrer. O longa estreia em menos de um ano: 18 de setembro de 2015. O estúdio revelou a data após o primeiro filme garantir uma estreia além do esperado, com arrecadação de US$ 32,5 milhões. A informação é do Hollywood Reporter.

A ideia é rodar o segundo filme entre o final deste ano e o início de 2015. Na trama de The Maze Runner, depois de ter sua memória apagada, o protagonista Thomas (Dylan O’Brien, de Teen Wolf) é preso em uma comunidade de garotos dentro de um enorme labirinto, como parte de um estranho experimento. Rapidamente Thomas descobre que é seu destino liderar esse grupo de “corredores de labirinto” para a liberdade.

Noah Oppenheim escreveu a primeira versão do roteiro, que foi revisado por Grant Myers e T.S. Nowlin.

(Fonte: Omelete)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Bilheteria USA

1

Três longas baseados em livros encabeçaram a bilheteria dos cinemas americanos neste fim de semana. O estreante Maze Runner – Correr ou Morrer, adaptação ao cinema do romance futurista de James Dashner, levou com facilidade o primeiro lugar na bilheteria dos Estados Unidos, com US$ 32,5 milhões. Foi um resultado acima do esperado pela Fox, que gastou US$ 34 milhões para produzir o filme. Segundo o Cinemascore, 52% do público era de mulheres e 48%, de homens, ambos com menos de 25 anos.

Na trama de The Maze Runner, depois de ter sua memória apagada, o protagonista Thomas (Dylan O’Brien, de Teen Wolf) é preso em uma comunidade de garotos dentro de um enorme labirinto, como parte de um estranho experimento. Rapidamente Thomas descobre que é seu destino liderar esse grupo de “corredores de labirinto” para a liberdade. Will Poulter, Kaya Scodelario, Aml Ameen, Blake Cooper e Thomas Brodie-Sangster também estão no elenco.

O filme também estreou no Brasil neste fim de semana. Veja o trailer:

O segundo lugar ficou com A Walk Among the Tombstones. A adaptação ao cinema do livro de Lawrence Block estrelada por Liam Neeson arrecadou US$ 13,1 milhões para um orçamento de US$ 23 milhões. O livro é o décimo da série de Matthew Scudder (Neeson), um ex-policial alcoólatra que trabalha como investigador particular. Em A Walk Among the Tombstones, Scudder investiga o caso do sequestro da esposa de um traficante de Nova York. Os sequestradores pedem um alto resgate e, como aviso, mandam pedaços da mulher de volta ao seu marido. Scott Frank (roteirista de Minority Report que fez sua estreia na direção em O Vigia) escreveu o roteiro e dirige a adaptação. Veja o trailer do filme:

No terceiro lugar, Sete Dias Sem Fim (This Is Where I Leave You) arrecadou US$ 11,9 milhões para um orçamento de US$ 20 milhões. Baseado no livro homônimo de Jonathan Tropper, a trama conta a história de um pai que, como último pedido, faz com quem sua família disfuncional cumpra o Shivá, período de sete dias de luto no judaísmo, forçando-os a confrontar a dinâmica familiar. Tropper escreveu o roteiro do longa dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu, Gigantes de Aço), que tem no elenco Jason Bateman, Tina Fey, Adam Driver, Corey Stoll, Jane Fonda, Rose Byrne, Kathryn Hahn, Connie Britton, Timothy Olyphant, Debra Monk e Abigail Spencer. O filme estreia no Brasil em 27 de novembro. Veja o trailer abaixo:

(Fonte: Omelete)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Registros do voo sinistro do Condor sobre a América Latina

5

Vestígios fotografados por português em países da região ganham livro e exposição

A Operação Condor foi um dos maiores ataques à democracia na história da América Latina. Em novembro de 1975, representantes de seis países governados por regimes militares de extrema-direita (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Uruguai e Paraguai) se reuniram em Santiago do Chile para firmar uma aliança contra o que chamavam de “subversão” e “ameaça comunista”.

Como a própria ata fundadora da Condor assume, ela foi “algo similar ao que tem a Interpol em Paris, mas dedicado à subversão”. Os métodos eram a criação de uma base de dados, o intercâmbio de informação, técnicas de tortura e prisioneiros, e a livre circulação de agentes da repressão pelo Cone Sul com imunidade diplomática. Tudo isso com o aval do governo dos Estados Unidos.

Em cinco anos, a Condor causou cerca de 60 mil mortes. O número real provavelmente nunca será conhecido, porque até hoje é impossível investigar de forma sistemática todos os casos.

Em 2005, decidi cair na estrada para investigar e fotografar os restos da Operação Condor e entender como viviam as vítimas destes abusos. Comecei a trabalhar em Recife, onde consultei arquivos, busquei histórias e falei com vítimas diretas da ditadura brasileira. Num domingo, em Porto de Galinhas, entrevistei dona Elzita Santa Cruz, mãe de Fernando Santa Cruz, o líder estudantil considerado o primeiro desaparecido político no Brasil, em 1974.

Enquanto dona Elzita procurava Fernando no Rio de Janeiro, Alejandro Almeida era sequestrado em Buenos Aires, em 1975. Ele teve o mesmo destino de Fernando e até hoje é um “desaparecido”. A mãe dele, Taty Almeida, assim como dona Elzita, é uma referência na luta pela verdade. Ambas ficaram órfãs dos seus filhos pelas mesmas razões, sem nunca terem se conhecido.

Depois desses casos, cruzei com dezenas de outros em minhas viagens por esta região que aprendi a chamar de casa. Nos últimos nove anos, fotografei um funeral em Trelew, na Argentina, e escavações forênsicas em São Geraldo do Araguaia, no Brasil. Acompanhei familiares à procura de ossadas em Calama, no Chile. Visitei antigas prisões clandestinas em La Paz, na Bolívia. Vi uma sobrevivente tocar harpa em Itá, no Paraguai, e caminhei pela praia de Blancarena, no Uruguai, onde apareceram corpos dos infames “voos da morte”, em que militares argentinos lançavam presos políticos no Rio da Prata e no Oceano Atlântico.

Enquanto isto acontecia entre as décadas de 60 e 80, todas as notícias eram vistas à lupa pela censura do regime, que detinha e assassinava jornalistas como Vladimir Herzog, e assim impunham o medo e a lei do silêncio. Grandes grupos econômicos punham os olhos na oportunidade de negócio e apoiavam as ditaduras em todo o continente. A imprensa não foi exceção e este mesmo jornal apoiou o golpe militar e a ditadura, só recentemente tendo admitido publicamente o erro que significou esse apoio.

Como jornalista, fiz questão de tentar ouvir o “outro lado” e falar com os responsáveis militares pela repressão política. Quase todos me disseram não, exceto Sebastião Rodrigues de Moura, também conhecido como Major “Curió”, um dos principais responsáveis pela aniquilação da guerrilha do Araguaia. Na sua confortável casa em Brasília, “Curió” falou sobre como capturou guerrilheiros, gabando-se de seus “dons” para conseguir informações. Por isso, segundo o próprio, foi enviado à Argentina para treinar militares, ao Paraguai para interrogar prisioneiros, e também a Chile, Uruguai e Peru. Foi sua confissão de ter participado da Operação Condor.

Curiosamente, é no Uruguai, cujo presidente José Mujica foi torturado durante a ditadura e passou 15 quinze anos preso, e no Brasil, onde a presidente Dilma Rousseff também foi torturada e ficou presa por quase três anos, que a negação dos direitos das vítimas é maior. Os arquivos permanecem fechados, o Estado pouco ou nada faz para reconhecer as injustiças que cometeu e responsáveis confessos seguem em liberdade.

No Brasil, as Forças Armadas continuam a bloquear a busca pela verdade sobre esse período terrível. E, tão ou mais grave, nas academias militares ainda ensina-se que o país foi salvo de uma “ameaça comunista” e não se reconhece publicamente os abusos cometidos por essas mesmas Forças Armadas.

Será que as camponesas que conheci no Araguaia, violadas quando tinham 12 e 14 anos de idade pelos soldados do Major “Curió”, eram perigosas comunistas?

Não deveria o Estado brasileiro, seguindo o exemplo do que fez a Argentina em 2004 e de como acaba de fazer este mês o Chile, de forma séria e sem revanchismos, anular a Lei de Anistia, investigar judicialmente estes crimes contra a Humanidade e imputar os responsáveis para deixar que os tribunais façam seu trabalho de julgar os culpados e absolver os inocentes?

Esta me parece ser a única forma de criar um Estado responsável e justo, onde deixe de existir um sentimento de impunidade permanente. Hoje, as forças de segurança brasileiras, que deveriam dar o exemplo em um Estado de direito democrático, abusam diariamente dos direitos humanos de milhares de cidadãos brasileiros. Seja por usar força desmesurada em manifestações ou, como pude testemunhar e documentar nas favelas do Rio, pelos constantes abusos de poder e execuções sumárias disfarçadas de “autos de resistência”, na sua maioria contra jovens negros.

É também um sinal da pouca importância que a memoria histórica e os direitos humanos têm no Brasil ver que em nenhum momento do debate eleitoral estes assuntos parecem ter sido discutidos ou sequer timidamente abordados.

Apesar de hoje as forças de segurança não combaterem ideologias políticas, elas são herdeiras dos 21 anos de regime militar. Foi durante a ditadura que o sentimento de impunidade foi instituído, e a permanência dessa impunidade é provavelmente a grande pedra no sapato de qualquer país que se diz democrático.

*João Pina é fotógrafo português radicado em Buenos Aires, autor de “Condor — O plano secreto das ditaduras sul-americanas” (Ed. Tinta-da-China). A obra será lançada na abertura da mostra “Operaçao Condor”, com fotos do livro e outras, dia 23, no Paço das Artes, em São Paulo.

Próxima Registros do voo sinistro do Condor sobre a América Latina

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Ruggero Jacobbi: Murilo Mendes, o poeta e o pão subversivo da paz

4

Em texto de 1971, crítico analisa ‘Convergência’, um dos livros do autor que ganham nova edição

Foram finalmente publicados em livro os murilogramas, grafitos e todas as outras diabruras de Murilo Mendes, o “filho do século” que nos anos 60 enriqueceu o discurso da poesia de vanguarda não só do Brasil mas do mundo. O livro se chama “Convergência” (Editora Livraria Duas Cidades, São Paulo, 1970) e atravessou o oceano para chegar ao endereço romano do poeta, bem como aos destinatários das dedicatórias afixadas às duas seções do texto: para a dos grafitos, o abaixo assinado, e Luciana Stegagno Picchio para a dos murilogramas (comovente homenagem de Murilo Mendes a seus tradutores italianos). O terceiro destinatário é alcançado através da esfera intacta do tempo, na perspectiva celestial: é o defunto mas vivíssimo Oswald de Andrade, sua “fabulosa memória”.

A poesia de Murilo Mendes se exprime em um espaço existencial que constantemente alude ao eterno, segundo uma dimensão religiosa, mas na realidade cheio da sua angústia cotidiana, do seu sangue. É dessa contínua presença das coisas terrenas que nasce a relevância amarga e forte da sua palavra, o impulso a frear o canto e a submetê-lo a metálicas, atrozes definições. Já há um bom tempo sua experiência verbal vinha cada vez mais se comensurando com a essência do diário; hoje dispõe da página sem encontrar obstáculos a não ser na ausência metafísica, a qual, no final das contas, acaba por determinar cada gesto poético, apesar de todos os estímulos da história. É uma poesia cheia de referências, de dedicatórias, de incidências reais. Murilo a conduz, dia após dia, ao confronto com as últimas razões do Ser.

Sob a orientação de Ungaretti para o espaço branco como revelação gráfica de um tempo absoluto, Murilo renovou o gosto apollinairiano pelo caligrama ou poundiano pela citação. Mas sua essência permanece ancorada na antiga relação palavra-vitalidade que devemos assumir como unidade de potência para decifrar certos arrebatamentos abstratos: “Um verme ecumênico/ Teólogo teleológico/ Rói a priori — único tóteme —/ O filme da história total”.

No início essa voz manifesta-se como pureza essencial, invocação da mente abstrata, a partir de esquemas já estabelecidos por uma série de lições europeias que tem raiz em Mallarmé, mas não passa desapercebido a Murilo sequer o jogo da eloquência (de uma eloquência nova) que no mesmo período tomou forma em temperamentos messiânicos como Withman.

O amor pela Humanidade é uma presença privilegiada nessas páginas. Podemos acompanhá-lo no seu desenrolar do idílio edênico aos nós dramáticos de um desenvolvimento que ressalta toda a sua pressão, todas as sombras e os amargos conflitos. Às vezes esses motivos provocam em Murilo Mendes ritmos inesquecíveis: “Trazias o futuro no teu bolso./ Surrealista heterodoxo/ Cartesiano de Sabará/ Livre anarquista sem bombas/ Mais cristão sei que marxista/ Foste involuntário do caos. // Com uma nuvem pessoal a tiracolo/ Distraído tomaste por engano/ Sem passaporte/ O avião Morte K.N.666.” (Última saudação ao grande Anibal Machado, no verso final brilha o número mágico do Apocalipse que há muito tempo exerce sinistra atração sobre o poeta).

No conjunto o volume tem o significado de romance interior, de epos da consciência que aconselha atenção crítica, densa de fermentos morais, a essa destemida voz de lucidez e profecia. Murilo reivindica continuamente a liberdade do homem e conhece suas duras restrições dialéticas. Sendo engagé, não confunde as cartas do noticiário com as do destino: sabe em que lugar do humano se desenrola a verdadeira batalha da qual podemos sair adultos e transfigurados: “Santíssimo cordeiro/Alfa e ômega do verbo// Suspendido na tua cruz/— Alta máquina polêmica —// Dá-nos até o fim do fim/ O pão subversivo da paz”. (Assim Murilo se dirige a Cristo).

A última parte do livro, “Sintaxe”, é um espesso e vertiginoso reino de calembours enigmáticos, numa joyciana experimentação linguística que vai da piada dadaísta à escavação antropológica, à procura de matrizes que poderiam ser decifradas também psicanaliticamente. Aqui a linguagem não é o meio, mas o próprio objeto da poesia, sua essência. E aqui qualquer tradutor desiste, a menos que se arrogue uma liberdade desmedida (mas neste caso deveria possuir, na própria língua, a mesma inventividade transbordante que Murilo possui em português).

Ao lado disso o livro abre as portas também ao bi e trilinguismo, sendo muito frequente a aparição do italiano, do latim, do francês e do espanhol, em dimensões que servem para compor os retratos, às vezes fulminantes, outras vezes originalmente diversificados, de certos protagonistas da arte europeia e de certos lugares, visitados pelo afeto ou revisitados pelo sobressalto ansioso da memória. Raramente se tinha visto a cultura fazer-se poesia, e a própria poesia elevar-se ao quadrado, como no sutil jogo verbal de Murilo por dentro de Mallarmè e de Rimbaud, ou de seus grandes conterrâneos, de Cecília Meireles a João Cabral de Melo Neto. Ou em imprevisíveis extrações de uma raiz dizível da música de Dallapiccola e de Webern, da pintura de Capogrossi ou da arquitetura de Borromini.

A última noção de lírica foi vencida nesta suma de combinações mentais, marcadas e intensificadas pela legitimidade da sensação física. Também a indistinção entre poesia e prosa, entre canto, ensaio e narração chega a Murilo como sinal de tempos duros, onde nos encontraremos reduzidos à nudez de nossa condição, salvando, pelo uso da palavra, o último patrimônio do Ocidente. Cada um de nós o escolhe e depura de maneira diferente, a partir das forças motrizes da mais misteriosa biografia que será sempre, como o é de modo supremo para Murilo, a vida de um homem, sua presença, sua violência solitária.

*Ruggero Jacobbi (1920-1981), cenógrafo, diretor e crítico teatral e roteirista ítalo-brasileiro, publicou este texto no periódico “Il Dramma” (edição de março-abril-maio de 1971). Com pequenas alterações, o texto constou como parte da introdução da coletânea de poemas de Murilo Mendes “Poesia libertà” (Milão, 1971), com introdução, seleção e tradução de Jacobbi.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Autor de ‘Manual de sobrevivência dos tímidos’, Bruno Maron elogia a ‘precariedade elegante’

Untitled

Quadrinista, cujo livro sobre timidez vai virar filme, fala de introspecção extrema e do humor ácido dos seus desenhos

O espermatozoide Praxedes acorda no dia da fecundação e prontamente se dirige à estação de metrô. Mas não consegue entrar no trem de forma fálica por conta da superlotação, terminando sozinho, na plataforma, esbravejando. Uma frase na tela explica a moral da história: “O processo de exclusão e o mal-estar civilizatório já existem antes da porra toda”.

Por esse curta-metragem, Bruno Maron foi premiado no Festival Internacional de Animação Erótica, em 2007. Além de animador, Bruno é ilustrador, infografista e cartunista, e em todos os campos de trabalho ele parece empenhado em apontar os defeitos do mundo, embora garanta não ser sisudo.

No blog “Dinâmica de bruto”, no ar há quatro anos e atualmente com cerca de 100 mil acessos mensais, poucos assuntos escapam de seu olhar escrutinador: política, estereótipos, arte e, principalmente, “a apatia dos homens”, nas palavras do autor. Em uma das tiras, o presidente uruguaio, José Mujica, convida personalidades notoriamente conservadoras para um almoço. O prato principal: bolo de maconha. Ao final, todos dançam de mãos dadas ao redor da mesa, numa referência a um dos quadros mais famosos de Henri Matisse.

O humor de Bruno não é para todos, e há quem se sinta ofendido.

— Já eu me escangalho de rir — diz.

Mas talvez um dos principais alvos das críticas de Bruno seja ele próprio, que se considera apático, mimado e “enredado pelo contexto classe-média-amedrontada”. Bruno mora em São Paulo, mas cresceu no Cosme Velho, no Rio, e atribui a sua visão de mundo à de um sujeito que viveu muito tempo na Zona Sul. Acha que teve uma boa infância, mas acredita que o conceito de família de classe média foi aniquilado.

— Família maneira é a que pode ter cinco filhos. Isso, sim, me emociona. Agora pense no contexto do Rio. Os casais precisam ganhar no mínimo R$ 10 mil para viver nessa cidade. Aí só pode ter um filhinho, que é posto naquele apartamento de 70 metros quadrados. A criaturinha é superprotegida, é tratada como se fosse de ouro.

Bruno não sabe identificar ao certo a origem de seu olhar crítico, mas põe parte da culpa na timidez extrema, quase patológica da adolescência. Foi quando, preso na introspecção, teve tempo de observar. A degringolada social aconteceu naquela fase em que a sexualidade entra em jogo, e, com ela, a pressão para “pegar mulher”. Percebeu ali que não tinha autoconfiança o suficiente, e a autoestima baixa o pegou de vez.

— Estava na merda. Essa parada me castrou, abarquei um espírito de renúncia muito forte. Eu era uma carta fora do baralho.

Aos 36 anos (e comprometido), Bruno não se considera mais tímido, graças a algumas doses de álcool (“Para parar de ser rabugento”) e uma de reflexão:

— Houve uma época em que comecei a viajar muito com os meus amigos, naquele clima: “Vamos pegar mulher”. Isso me deixou mais fanfarrão, e timidez não combina com fanfarronice.

Mas, como tem autoridade no assunto, lançou, no ano passado, o “Manual de sobrevivência dos tímidos”, pela editora Lote 42, cujo conteúdo consiste exatamente no que o título sugere. Os mais acanhados vão se identificar rapidamente com algumas das dicas que preenchem as quase 130 páginas, como atravessar a rua ao avistar um semidesconhecido na esquina, ou fingir falar ao celular para evitar conversas desnecessárias (o melhor serviço do aparelho é justamente a incomunicabilidade, avisa um trecho).

— É como se a gente pertencesse a uma organização secreta como a maçonaria ou a máfia, e um dos membros resolvesse contar todos os segredos. Cada página virada dava vontade de perguntar: “Quem contou minha vida para esse cara?” — diz o cartunista, diretor, roteirista e tímido assumido Arnaldo Branco. — Quando conversamos, geralmente falamos mal do trabalho dos nossos colegas, então talvez a característica que nos una seja o recalque.

FILMAGENS COMEÇAM NO FIM DE 2015

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Rafael Sperling ilustra muito bem a distopia nossa de cada dia

2

Rafael Sperling lança, aos 29, “Um Homem Burro Morreu”

Contos do autor carioca primam pela imaginação e pelo nonsense

Ao contrário do que em geral acontece, há uma verdade na orelha do livro de contos Um Homem Burro Morreu: “O escritor Rafael Sperling é sem noção”. A falta de noção não é um problema, mas o combustível que alimenta os 27 contos (mais um epílogo) deste que é o segundo livro do autor carioca de 29 anos. As histórias primam pelo absurdo, pela escatologia, pelo nonsense e por uma capacidade imaginativa impressionante.

O conto de abertura, por exemplo, é um pastiche do pseudojornalismo especializado em perseguir celebridades e “noticiar” seus mínimos movimentos. Em Caetano Veloso se Prepara Para Atravessar Uma Rua do Leblon, o sujeito, de fato, atravessa uma rua, vai a um restaurante, come, usa o banheiro do lugar e por aí afora, sempre acompanhado por uma voz onipresente que lhe faz perguntas inócuas como as de um apresentador de talk-show (“Como você se sente após ter atravessado a rua, Caetano Veloso?” “Eu estou muito feliz”).

Em Insônia, um menino fantasia sobre espancar os coleguinhas para chamar a atenção de uma menina enquanto, no quarto ao lado, seus pais mantém uma ruidosa relação sexual. A convergência dessas duas ações resultará numa ocorrência grotesca e numa mudança de atitude por parte do menino. A ironia não está no acúmulo delirante de absurdos, mas na “normalidade” que insiste em se instalar desde o tom da narração.

Assim, uma simples ida à padaria (em Eu Queria Comprar Pão) resulta numa briga violenta, uma criança fala sobre o quanto aprecia as histórias picantes contadas pela babá (“Eu gosto de sexo, embora tenha apenas 3 anos. Eu nunca fiz, mas sei como é o sexo. Já vi na internet”, em Eu Gosto das Histórias Que a Minha Babá Conta) e um casal que se ama demais não consegue fazer mais nada além de chorar: “No dia seguinte fomos direto para a nossa lua de mel, em Cancún, e passamos uma semana inteira deitados na cama do hotel, chorando, olhando nos olhos um do outro” (em Emoção).

Sperling também recorre a reimaginações hilariantemente brutais de contos de fadas (em A Branca de Neve Era Um Tanto Bonita), faz com que Jesus Cristo trucide Adolf Hitler com uma violência tremenda e que se pretende reconfortante (em Jesus Cristo Espancando Hitler), narra Um Dia Comum na Vida de Dante Alighieri (o qual se dá num lar sórdido e envolve assassinatos e canibalismo) e lança mão de uma Fábula Kafkiana, que inicia com o escritor checo “em casa, trabalhando, sentindo-se um inseto imundo, quando seu pai frio e opressor aparece”, e o que se desenrola a partir daí é um pesadelo em que o sujeito é anulado pela perversidade alheia.

Ancorado no deserto sombrio que nasce e cresce entre as pessoas, o humor escandaloso de Um Homem Burro Morreu não é, em si mesmo, gratuito, mas refere-se à gratuidade que frequentemente resume as relações humanas. Com isso, Rafael Sperling ilustra muito bem a distopia nossa de cada dia.

Um Homem Burro Morreu

Autor: Rafael Sperling

Editora: Oito e Meio (104 págs.; R$ 35)

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Menos editoras na Feira de Frankfurt – e Brasil define lista de autores

eduardo-spohr01

Na Babel, os cinco autores escolhidos para representar o Brasil em Frankfurt, Museu da Língua Portuguesa flerta com Gregório de Matos, o fim do Casarão do Ipiranga e outras novidades literárias

No ano passado, Paulo Coelho desistiu de ir à Feira de Frankfurt, que homenageava o Brasil, porque a lista de mais de 70 autores não incluía best-sellers como Eduardo Spohr (foto) – que foi pelo Instituto Goethe para a trágica partida de futebol entre escritores brasileiros e alemães (eles ganharam de 9 a 1). O MinC divulga em breve a seleta lista de cinco autores que vão a Alemanha em outubro e, desta vez, o autor de A Batalha do Apocalipse estará lá ao lado de Bernardo Kucinski, Ana Martins Marques, Edney Silvestre e Luiz Silva (Cuti). Coelho também vai, mas a convite da feira. Mais sentida do que a ausência de escritores, no entanto, será a de editoras no estande coletivo. Em 2013, 168 participaram. Agora, serão só 41. Era a chance de continuar o trabalho de divulgação da literatura brasileira no exterior.

EXPOSIÇÃO
Poeta menos infernal
O poeta Gregório de Matos (1636 – 1696), o Boca do Inferno, deve ser o próximo escritor a ganhar uma exposição no Museu da Língua Portuguesa. A Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura autorizou a IDB Brasil, organização social que administra o museu, a captar, até o fim do ano, R$ 1.546.675.
*
Para o título da mostra prevista para 2015, que ficará em cartaz por quatro meses, os organizadores escolheram o apelido menos conhecido e menos impactante do poeta: Gregório de Matos, o Boca de Brasa. Entre os desafios estão reproduzir o clima da época e, sobretudo, mostrar imagens do homenageado nascido há 378 anos – na foto abaixo, Waly Salomão no papel de Gregório na cinebiografia do poeta.

PROJETO
Quatro meses depois
Termina no dia 2/11 o projeto É Logo Ali, no Casarão do Sesc Ipiranga. Sucesso, a Cozinha da Doidivana deve continuar em 2015, mas no próprio Sesc. Este ano, ainda provam a comida de Ivana Arruda Leite enquanto falam de seus livros Maria José Silveira (domingo), Índigo (12/10) e Michel Laub (26/10).

COLEÇÃO
Russos no box
Editora 34 e Livraria Saraiva são parceiras no lançamento, em outubro, das caixas Dostoievski I (Duas Narrativas Fantásticas, Gente Pobre e Um Jogador), Dostoievski II (O Duplo, Niétotchka Niezvânova e Noites Brancas), Chekhov (A Dama do Cachorrinho, Minha Vida e Três Anos) e Tolstoi (Felicidade Conjugal, A Sonata a Kreutzer e A Morte de Ivan Ilitch), com preço mais em conta e venda exclusiva nas lojas da rede.

INFANTIL
Holandês

Do escritor e ilustrador holandês Max Velthuijs (Prêmio Hans Christian Andersen), a Paz e Terra lança, no fim do mês, O Lenhador e a Pomba (acima).

PRÊMIO
Escrever e resistir
Na entrega do Prêmio Barco a Vapor, na terça, autores de livros infantis que durante a ditadura continuaram escrevendo sobre liberdade e outros temas serão lembrados e terão trechos de suas obras lidos.

EVENTO
Em novembro
A moçambicana Paulina Chiziane e o brasileiro Paulo Lins participam do Flink Sampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra).

AUTOAJUDA
Primeiro aqui
A Sextante pediu e Allan Percy – de Nietzsche para Estressados e Oscar Wilde para Inquietos – topou escrever Shakespeare para Apaixonados. Sairá aqui em meados de outubro e depois ele poderá publicar onde quiser. A obra traz “72 doses de romantismo para aproveitar o amor a cada dia”.

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button