SETEMBRO – 2014

Caio Reisewitz aborda crise de abastecimento em SP em livro de fotos

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‘Água escondida’ é fruto de uma parceria do Instituto Moreira Salles com o fórum de arquitetura e urbanismo Arq.Futuro.

É na hora do clique que o acaso costuma se manifestar na fotografia. Mas o imprevisível encontrou outro jeito de dar as caras no novo trabalho de Caio Reisewitz.

Acostumado a usar filme positivo, ele soube que o material para revelação estava em falta em São Paulo e decidiu usar um filme negativo para fotografar as represas de Atibaia e Mairiporã. Ao ver as imagens, uma surpresa: a água estava vermelha. A cor trouxe um tom de alerta oportuno diante da crise de abastecimento em São Paulo.

— Quando vi, pensei: é isso. Tem, sim, a vontade de passar uma sensação de perigo e preocupação.

A série está no livro “Água escondida”, fruto de uma parceria do Instituto Moreira Salles com o fórum de arquitetura e urbanismo Arq.Futuro, evento em São Paulo, e que traz como tema o uso da água nos centros urbanos. É um assunto familiar a Reisewitz, cuja obra, voltada à tensão entre cidade e natureza, já foi exibida nas bienais de Veneza e de SP e no International Center of Photography, em Nova York.

Embora prefira “não apontar o dedo”, ele observa um silêncio em torno da crise de abastecimento em São Paulo, que ocorre às vésperas das eleições. E quase batizou o livro de “Volume morto” — nome dado ao reservatório que fica abaixo do nível das comportas nas represas. Desde maio, é a água do volume morto que está sendo usada no Sistema Cantareira, que atende quase metade da Grande São Paulo.

Mas o título talvez restringisse a leitura do projeto, que também passa por Belém e aborda aspectos como a canalização dos córregos, a poluição e o boom imobiliário.

— A parte das represas, com cores distorcidas e cenário apocalíptico, faz, sim, um comentário forte sobre o que está no noticiário. Mas tentamos não fazer um livro sobre questões pontuais — diz Thyago Nogueira, curador do projeto e coordenador de fotografia contemporânea do IMS.

O que Reisewitz busca destacar é que os problemas com a água têm fundo cultural. E isso afetou também o meio acadêmico, segundo o arquiteto Gustavo Penna, convidado para falar com Reisewitz e com o arquiteto Milton Braga sobre espaço público, arquitetura e arte, no Arq.Futuro.

— Na faculdade, li livros que descreviam rios como “avenidas sanitárias”. Fomos preparados para transformar rios em esgotos. Hoje, fala-se em “parques lineares”. É preciso substituir os conceitos antigos pelos novos, e o artista ajuda a passar esse recado — diz Penna.

Recado que pode soar soturno nas fotos de Reisewitz. Mas o ensaio que as acompanha, do antropólogo Antônio Risério, traz alento ao defender que é mesmo do caos, “em meio ao concreto, ao vidro e ao aço, que nasce a preocupação com o verde, com os bichos, com as águas”.

(Fonte: O Globo)

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Fernanda Torres, Adélia Prado, Gregorio Duvivier e Rubem Fonseca estão entre os finalistas do Jabuti

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Primeira fase da 56º edição do prêmio da Câmara Brasileira do Livro apresenta dez classificados em cada uma das 27 categorias

Um embate entre autores populares e estreantes contra medalhões é o que promete a final de 2014 do mais célebre prêmio de literatura brasileira, o Jabuti. Entre os finalistas e candidatos em potencial ao prêmio de livro do ano de ficção estão “Fim” (Cia das Letras), romance de estreia de Fernanda Torres, “Ligue os pontos – Poemas de amor e big bang”, livro de poesia do também autor e ator Gregorio Duvivier (Cia das Letras), e “Nu, de botas” (Cia das Letras), representante na categoria contos e crônicas de Antonio Prata, um dos escritores de maior sucesso e repercussão na internet.

A atriz e escritora tem como concorrentes na mais nobre categoria do prêmio da Câmara Brasileira do Livro nomes consolidados no cenário da literatura contemporânea brasileira como Bernardo Carvalho, com “Reprodução” (Cia das Letras), Michel Laub, com “A maçã envenenada” (Cia das Letras) e Marcelino Freire, com “Nossos ossos” (Record). Já o integrante do coletivo de humor “Porta dos fundos” encara na categoria poesia competidores consagrados como Adélia Prado, com “Miserere” (Record), e Armando Freitas Filho, com “Dever” (Cia das Letras). Antonio Prata disputa a categoria contos e crônicas com o best-seller Rubem Fonseca, com Amálgama” (Nova Fronteira) e o premiado Milton Hatoum, com Um solitário à espreita” (Cia das Letras).

Os dez finalistas das 27 categorias do mais conhecido prêmio literário do Brasil foram divulgados na noite desta terça-feira, logo após a apuração e a auditoria dos resultados realizadas na sede da Câmara Brasileira do Livro em São Paulo. O júri, formado por especialistas de cada categoria, foi indicado pelo Conselho Curador do Prêmio, composto por Marisa Lajolo, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes e Márcia Ligia Guidin.

A segunda fase da premiação acontece em 16 de outubro, quando serão avaliadas todas as obras finalistas da primeira fase. As três obras que receberem a maior pontuação dos jurados serão consideradas vencedoras em sua categoria, em primeiro, segundo e terceiro lugares. Os vencedores em todas as categorias que compõem o prêmio receberão o troféu Jabuti e o valor de R$ 3,5 mil.

Já os vencedores do Livro do Ano – Ficção e Livro do Ano – não Ficção serão comtemplados, individualmente, com o prêmio de R$ 35 mil, além da estatueta dourada. Eles serão revelados em 18 de novembro, após a cerimônia de premiação que acontecerá no Auditório Ibirapuera.

Veja abaixo os finalistas das principais categorias do Jabuti

Romance

“Reprodução”, Bernardo Carvalho (Companhia Das Letras)

“A maçã envenenada”, Michel Laub (Companhia Das Letras)

“Opisanie Świata”, Veronica Stigger (Cosac & Naify Edições)

“O evangelho segundo Hitler”, Marcos Peres (Editora Record)

“O frio aqui fora”, Flavio Cafieiro (Cosac & Naify Edições)

“O drible”, Sérgio Rodrigues (Companhia Das Letras)

“Nossos ossos”, Marcelino Freire (Editora Record)

“Fim”, Fernanda Torres (Companhia Das Letras)

“Deserto”, Luis S. Krausz (Editora Saraiva)

“Esquilos de Pavlov”, Laura Erber (Editora Objetiva)

“Bernini – poemas 2008-2010”, Horácio Costa (Horácio Costa)

“Ligue os pontos – Poemas de amor e big bang”, Gregorio Duvivier (Companhia Das Letras)

“Dever”, Armando Freitas Filho (Companhia Das Letras)

“Ar de arestas”, Iacyr Anderson Freitas (Escrituras Editora)

“Estado crítico”, Régis Bonvicino (Editora Hedra)

“Ximerix”, Zuca Sardan, (Cosac & Naify Edições)

“Recife, no hay”, Delmo Montenegro (Editora: Delmo Montenegro da Silva Júnior)

“Corpos em cena”, Susanna Busato ( Editora: Susanna Busato)

“Jardim das delícias”, Marcus Vinicius Quiroga (Editora: Marcus Vinicius Quiroga)

Contos e Crônicas

Amálgama”, Rubem Fonseca (Nova Fronteira)

Você verá”, Luiz Vilela (Editora Record)

“Nu, de botas”, Antonio Prata (Companhia Das Letras)

Um solitário à espreita”, Milton Hatoum (Companhia Das Letras)

Noveleletas”, João Vereza (Editora Record)

Entre moscas”, Everardo Norões (Confraria do Vento)

Um operário em férias”, Cristovão Tezza (Editora Record)

“Uns contos”, Ettore Bottini (Cosac & Naify Edições)

“Consternação”, Jádson Barros Neves (Editora: Jadson Barros Neves)

“Bem aqui, em lugar nenhum”, Moema Franca (7Letras)

(Fonte: O Globo)

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Marcador de páginas eletrônico lembra o usuário de que é hora de voltar a ler um livro

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Tweet for a Reed, da Penguin Companhia, envia uma mensagem via Twitter se o leitor ficar muito tempo sem abrir o livro.

Com a correria do dia a dia, é fácil a gente começar a ler um livro e o deixar de lado depois de alguns capítulos. Pensando nisso, o selo Penguin Companhia, da editora Companhia das Letras, criou um projeto que, com a ajuda da tecnologia, quer ajudar você a não se esquecer da leitura.

O marcador (foto acima) tem um sensor de luz, que faz com que o dispositivo “perceba” se você ficou muito tempo sem abrir o livro. Na ponta do dispositivo, há um nanocomputador com conexão wi-fi. Sempre que você parar a leitura no meio do caminho e ficar muito tempo sem abrir o livro, o marcador vai automaticamente mandar um tweet para a sua conta, com uma frase do livro ou escrita no estilo do autor estampado no marcador (a frase que você receberá é sempre uma surpresa).

Por enquanto, é apenas um projeto que quer provocar o debate, já que não há previsão de produção em massa. Ainda assim, é interessante, já que, além de chamar a atenção para a importância da leitura, também mostra como a tecnologia pode ser uma aliada nesse processo.

(Fonte: Rolling Stone)

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The 9th Life of Louis Drax | Aaron Paul se junta ao elenco da adaptação

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Jamie Dornan, o Christian Grey de 50 Tons de Cinza, será o protagonista.

Aaron Paul (Breaking Bad, Need For Speed – O Filme) fechou um acordo para estrelar The 9th Life of Louis Drax, suspense psicológico que conta com Jamie Dornan (50 Tons de Cinza) no elenco. A informação é do Hollywood Reporter.

Baseado no best-seller de Liz Jensen, a trama gira  em torno do jovem Louis Drax, que sofre uma queda quase fatal no seu aniversário de nove anos. Na tentativa de desvendar as estranhas circuntâncias que cercam o acidente do garoto, o Dr. Allan Pascal (Dornan) mergulha no mistério e passa a testar os limites entre a fantasia e a realidade. Paul viverá o pai de Louis, que se torna o alvo da investigação após a queda do garoto.

O livro de Jensen foi cotado para virar filme pela primeira vez em 2004, pelo falecido cineasta Anthony Minghella (Cold Montain). Agora, Max Minghella, ator e filho de Anthony, estreia como roteirista e assina o script de The 9th Life of Louis Drax. Alexandre Aja será o diretor.

(Fonte: Omelete)

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Orgulho e Preconceito e Zumbis contrata Charles Dance e Lena Headey

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Charles Dance e Lena Headey, respectivamente o Tywin e a Cersei Lannister de Game of Thrones, estão se juntando ao elenco da adaptação ao cinema do livro-paródia Orgulho e Preconceito e Zumbis, segundo o Deadline. Os papéis dos dois ainda não foram especificados.

Lily James, Sam Riley e Bella Heathcote  protagonizam o filme, em que a clássica história de época de Jane Austen sobre amor e independência feminina se passa em meio a uma epidemia de mortos-vivos. Jack Huston, Douglas Booth, Matt Smith e Suki Waterhouse também estão no elenco.

Burr Steers (17 Outra Vez, A Morte e Vida de Charlie) comandará o longa, que já teve Mike White, David O. Russell,  David SladeJonathan Demme e Matt Reeves  como possíveis diretores. Steers coescreveu o roteiro com O. Russell.

Escrita por Seth Grahame-Smith, a versão trash de Orgulho e Preconceito  foi publicada no Brasil pela editora Intrínseca.

(Fonte: Omelete)

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Os quatro rios, nova graphic novel europeia da Martins Fontes

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A editora Martins Fontes acaba de lançar a graphic novel francesa Os quatro rios, escrita pela romancista e historiadora Fred Vargas e ilustrada por Edmond Baudoin.

Chegando ao Brasil sob o Selo Martins, o “livro em quadrinhos” apresenta uma narrativa que une as HQs à literatura convencional, em 224 páginas ilustradas com pincel e bico de pena.

A trama – uma história que mescla elementos policiais, mistério e humor ácido – leva o leitor a conhecer os amigos Grégoire Barbin e Vincent, que percorrem as ruas da cidade praticando roubos e furtos. Quando a dupla rouba a bolsa de um senhor idoso, a pequena fortuna ali contida leva morte e outros infortúnios aos dois, incluindo perseguições e rituais satânicos.

Os quatro rios, edição em brochura e impressão em papel couché, já está à venda nas livrarias por R$ 34,90.

(Fonte: Universo HQ)

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Cidinha da Silva denuncia o preconceito no mercado editorial brasileiro

Crédito: Pierre Gentil/Divulgação. Escritora Cidinha da Silva.
Escritora conta que os autores precisam recorrer ao próprio bolso para publicar seus livros.
A voz do negro na literatura não é algo recente, mas se tornou invisível. É por conta de um racismo estrutural que levou o Brasil a desenvolver justificativas temporais para legitimar a ausência histórica dos negros em diversos setores da vida social que a literatura afrobrasileira tem pouca visibilidade. A escritora Cidinha da Silva acredita que essa ausência fica ainda pior quando se trata da produção de conhecimento.
“A maranhense Maria Firmina dos Reis publicou o romance Úrsula em 1859. Luís Gama, José do Patrocínio, Cruz e Souza e Machado de Assis, publicaram ainda no século 19. No século 20, João do Rio, Lima Barreto, Lino Guedes e Antonieta de Barros (ambos cronistas), a prolífica Ruth Guimarães, recentemente falecida, deixaram mais de 40 livros publicados, Solano Trindade e Carolina Maria de Jesus também escreveram capítulos significativos da literatura brasileira”, lembra Cidinha, que estará em Brasília na próxima sexta para lançar Racismo no Brasil e afetos correlatos e Baú de miudezas, sol e chuva.

É a segunda vez que ela vem à cidade este ano. Em agosto, esteve na Universidade de Brasília (UnB) para a II Jornada de Literatura Afrobrasileira contemporânea. Essa produção, embora ausente do mercado editorial de grande circulação, existe e reflete, segundo a escritora, a discriminação racial que ainda contamina a sociedade brasileira de forma geral. “A principal implicação dessa ausência no cenário literário é o silenciamento estético e político de vozes responsáveis pelo redesenho da história e da cultura brasileiras.”

Cidinha conta que, em reação à discriminação do mercado, muitos autores negros optam por desprezar o ISBN, espécie de carteira de identidade do livro, e preferem publicar com os próprios recursos. Para a autora, há um bloqueio imposto pelo mercado e uma sensação de não pertencimento dos escritores negros aos “clubinhos literários” que abrem portas para boas editoras e políticas de distribuição que incluem a venda de livros para o Estado e a participação em feiras e festas literárias. Em entrevista, a autora falou sobre a discriminação no mercado editorial e as alternativas encontradas pelos autores afro-brasileiros.

Leia entrevista completa com Cidinha da Silva

A escrita de Carolina Maria de Jesus é importante para você e para o teu trabalho?

A existência de Carolina e de sua obra é importante para o mundo, para a diáspora negra, para a América Latina e para o trabalho de todos os autores e autoras que lutam diariamente para escrever o que querem, o que acham importante, o lhes dá prazer ou os salva da amargura, do desespero. Carolina escrevia para não morrer, para enfrentar o aniquilamento de sua potencialidade humana, diuturnamente agredida pelo racismo, pela miséria, pela desqualificação do sonho e da vontade de brilho, de realização plena por meio da escrita, manifestadas por uma mulher negra em condição miserável de vida. Eu também escrevo para não morrer, então, Carolina é vital para mim.

Alguns críticos observam que há mais poesia do que ficção sendo produzida por autores negros. Você concorda? E o que isso significa?

Sim. Não se trata de uma opinião, simplesmente, é uma informação sustentada por pesquisas. O que a gente pode discutir um pouco é o significado disso. A poesia é algo que povoa nosso imaginário desde a infância. Temos contato com poesia na escola primária. O poeta goza de um certo glamour e idealização e a maioria das pessoas, de maneira estranha e equivocada acha que escrever poesia é uma coisa fácil. Não é! É trabalhoso a vera. Contudo, a pessoa passa cinco, seis anos da vida dela dedicada a um doutoramento, escreve uma tese e quando encontra uma escritora na rua pede dicas para publicar um livro de poesias. O que de melhor ele escreveu na vida é a tese que consumiu centenas de neurônios, mas ela quer publicar os poeminhas que faz para a amada, para os filhos, o cachorro e o papagaio. Esse é um fenômeno generalizado no Brasil, não sei como é em outros países. Há editoras que descartam os originais de poesia assim que chegam, porque são quilos e quilos de celulose grafadas de emocionalismo. Isso porque todo mundo acha que o livro que se deve escrever, além de plantar uma árvore e ter um filho antes da morte, é um livro de poesias. Conosco, negros, não é diferente, a gente acha que escrever poesia é mais fácil do que escrever outros gêneros.

Há muitos autores negros escrevendo e publicando em editoras independentes, mas eles não estão nas grandes editoras. Na sua opinião, o que isso reflete?

Uma parcela desse grupo não quer publicar seguindo as regras do mercado editorial, o poeta gaúcho Oliveira Silveira era exemplo disso. Muitos autores e editoras de literatura periférica (em medida significativa composta por negros) desprezam o International Standart Book Number (ISBN), também como forma de resistência ao mercado. Entretanto, muitas autoras e autores negros publicam com os próprios recursos ou em pequenas editoras por não conseguirem furar o bloqueio imposto pelo mercado.

Por quê?

Isso acontece por vários motivos, entre eles: o não pertencimento de escritores negros aos clubinhos literários, cuja carteirinha abre portas das boas editoras, da política de distribuição eficaz, das vendas institucionais para o Estado, da participação em feiras, festas, festivais e outros eventos literários que garantem dividendos e impulsionam a carreira de quem escreve profissionalmente. Também, porque as temáticas e os recursos estéticos escolhidos pela maioria dos escritores negros são descredenciados em sua literariedade e essa costuma ser uma justificativa para que as editoras bem estabelecidas no mercado não tenham interesse pelos literatos negros.

Na literatura de forma geral, há pouquíssimos personagens negros. Por quê?

Creio que seja porque o grosso da produção literária, em vez de subverter a ordem, tem optado por repetir padrões nos quais as zonas de conforto das elites permanecem intactas ou até se ampliam. O racismo faz com que a humanidade do negro não seja considerada como valor universal, logo, sua história, memória, cultura, ancestralidade, seu jeitão colorido, sua polifonia rítmica, corpórea e verbal não merecem espaço na vitrine universalista da literatura brasileira, refletida no número exíguo de personagens negros e na subalternização dos parcos existentes.

A construção da identidade passa pela literatura? Como?

Creio que existam possibilidades, sim, embora a literatura não tenha obrigação de ser instrumento para isso ou para aquilo. Entretanto, à medida que minha vida, minha história, o povo ao qual pertenço são apresentados de maneira digna, bela, humana, uma representação pautada pela riqueza das contradições humanas em vez da miséria dos estereótipos que aprisionam determinados grupos sócio-históricos, eu me vejo dentro da obra literária, me sinto viva, pulsante, valorizada, e isso pode contribuir para o fortalecimento do meu amor próprio e para uma construção identitária positivada.

Você já sentiu que sua escrita foi discriminada porque é negra?

Sim, inúmeras vezes e em situações bem distintas, por exemplo: quando querem me enquadrar em caixinhas temáticas porque sou negra; quando determinam que a literatura negra deve ter voz única e monocórdia; quando meu texto é valorizado por minha suposta história de luta e não por seu valor estético; quando sou convidada para participar de eventos literários como ilustração do 20 de novembro, explico, a programação ocorre uma vez por mês durante os 12 meses do ano, mas o escritor ou escritora negra só é convidado (quando o é) na data de novembro, mês da consciência negra; quando minha representação sóciorracial tem mais destaque do que meu processo criativo e minha obra; quando a crítica canônica me invisibiliza porque como autora negra não participo do establishment; quando a crítica negra é condescendente com meu trabalho em contraposição ao excesso de rigor ou ao silenciamento impostos pela crítica canônica aos autores negros.

(Fonte: CorreioWeb)
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Bienal do B apresenta festival com shows, lançamentos de livros e teatro

A garotada se diverte e brinca com as palavras na edição do ano passado da Bienalzinha

A garotada se diverte e brinca com as palavras na edição do ano passado da Bienalzinha

A abertura do evento será guiada pelo mímico Miquéias Paz e homenageará três pessoas.

“Vamos mostrar que Brasília é a capital da poesia”, diz Luiz Amorim, fundador do projeto 4ª Bienal do B — Poesia e Literatura na Rua. Com objetivo de valorizar os poetas da cidade e estimular a cultura lírica, o evento que ocorre nos dias 24 e 26 de setembro oferecerá atividades para o público adulto e infantil. Serão cerca de 100 poetas, shows musicais de artistas nacionais consagrados, peças teatrais, debates culturais e também a 2ª Bienalzinha para crianças. A abertura do evento será guiada pelo mímico Miquéias Paz e homenageará três pessoas.

Héroi da resistência, um dos livreiros mais famoso de Brasília, Francisco Joaquim de Carvalho, mais conhecido como “Chiquinho da UnB”, será o primeiro homenageado. O homem de voz mansa e olhar sereno leva poesia aos estudantes há 40 anos. “Meu trabalho no dia a dia é poético, mas a vida… Ah, ela é dura. Por isso, eu me sinto honrado em ser lembrado. Tem um valor incalculável e me deixa muito feliz”, diz. O livreiro enfatiza a difícil tarefa de vencer o mercado: “Está muito concorrido por causa de outras tecnologias como e-book, xerox, PDF”. No entanto, ele corrobora ao restabelecer: “Mesmo assim, faço uma das coisas mais importantes da minha vida”.

Nos outros dois dias, os homenageados serão o ator e diretor Gê Martu, que tem mais de 65 peças e 40 filmes ao longo de 58 anos de carreira, e se tornou conhecido como “Gê Matusalém”, e o poeta Heitor Andrade, jornalista baiano que teve toda sua trajetória de escritor em Brasília. “Essa ampliação de acesso e distribuição do livro me empolga. Acho a iniciativa muito interessante e fico feliz de contribuir, pois minha história na cidade é longa”, conta o Andrade, que já escreveu livros como Corpos de concreto (1964), Sigla viva (1969) e 3×1, A Matemática do Poema. Sem se sentir mais poeta do que os outros participantes o escolhido como patrono do evento, Francisco Alvim, brinca que se considera um postulante, como os outros que ali estão. “Eu acredito que a poesia começa a ter validade depois de 100 anos, depois de cristalizar-se e pegar o ar do tempo. Daqui a 100, 200 anos, se ainda existir poesia… Até lá, o jogo é livre”, diz Alvim, que já participou de outras edições da Bienal. “Essa iniciativa da Bienal começa pelo lado de incentivar, ela não tem muito projeto fixo e pega o que está acontecendo na cidade. E nisso está o crescimento da poesia.”

Além de espaço para apresentação de poemas e músicas, escritores vão lançar e expor obras literárias e estar em contato direto com o leitor.

Programação do evento

É o quarto ano que o Açougue Cultural T-Bone realiza o projeto 4ª Bienal do B e 2ª Bienalzinha do B. A casa de cortes de carne fica na CLN 312, bloco B, loja 27.

    Dia 24
2ª Bienalzinha do B das 14h às 18h40
Curta-metragem das 18h40 às 19h.

4ª Bienal do B (abertura; debate sobre questões culturais; performance poética e recitação de poemas) das 19h às 21h.

Apresentação musical (Família Lima) – 21h – 23h.

    Dia 25
2ª Bienalzinha do B das 14h às 18h40
Curta-metragem das 18h40 às 19h.

4ª Bienal do B (abertura; debate sobre questões culturais; performance poética e recitação de poemas) das 19h às 21h.

Apresentação musical (Sá e Guarabyra) das 21h às- 23h.

    Dia 26
2ª Bienalzinha do B das 14h às 18h40.

Curta-metragem das 18h40 às 19h.

4ª Bienal do B
(abertura; debate sobre questões culturais; performance poética e recitação de poemas)
das 19h às 21h.

Apresentação musical (Renato Borghetti) das 21h às 23h.

(Fonte: CorreioWeb)

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Obra de Graciliano Ramos é celebrada com exposição e livro

Exposição reúne fotos, documentos e vídeos sobre Graciliano Ramos

Exposição reúne fotos, documentos e vídeos sobre Graciliano Ramos

Lançamento da obra terá presença de familiares do escritor

Em 18 de setembro de 1910, o Jornal de Alagoas publicou um inquérito com um jovem literato alagoano que assinava G. Ramos de Oliveira – então com 17 anos, ele demonstra uma erudição impressionante ao listar impressões sobre O Guarani (que lera aos 10), afirmar que o “realismo nu de Adolfo Caminha e a linguagem sarcástica de Eça de Queiroz” o influenciaram e ter a capacidade de autoironia suficiente para dizer que seus primeiros textos, “pequeninos contos”, foram “verdadeiras criancices”.

Essa é a primeiro das 25 entrevistas que Graciliano Ramos (1892-1953) concedeu a jornais e revistas durante sua vida, agora reunidas em Conversas (Record). O livro ainda traz respostas do escritor a enquetes e depoimentos, e ganha um lançamento de luxo: a exposição Conversas de Graciliano Ramos foi montada no MIS de São Paulo baseada no projeto de pesquisa de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, com curadoria de Selma Caetano. A mostra fica aberta até o dia 9 de novembro e tem entrada gratuita – até ontem, a exposição ficou fechada para visitação por motivos de segurança.

A exposição foi montada de modo a dar voz a Graciliano – da sua voz mesmo, não existe nenhum registro. As entrevistas então são uma forma direta de ouvir o que o escritor tinha a dizer além da sua produção ficcional. “Foi legal mostrar como o Graciliano falava de tudo, contrariando uma imagem sisuda”, diz a curadora Selma Caetano. Todas as frases estampadas nas paredes são do próprio Graciliano.

Selma viajou, junto com o fotógrafo Walter Craveiro, por cidades de Pernambuco e Alagoas que têm ligação com a vida do escritor. O intercâmbio entre acervos – do Arquivo Público de Alagoas, do Museu Casa Graciliano Ramos, do Projeto Portinari e do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP) – possibilitou uma reunião particular de imagens sobre a vida do escritor, de acordo com a curadora.

Há mais de dez anos pesquisando a obra de Graciliano, Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla foram além do trabalho de compilação no livro: com intenso contato com fontes primárias, como jornais e documentos oficiais, eles apresentam aqui uma contribuição, também, para a história da imprensa no País, ao pontuar o livro com uma profusão de notas de rodapé que situam as entrevistas no contexto da publicação.

Um traço marcante apontado por Conversas, segundo os pesquisadores, é que a construção das principais obras do escritor “partiu de contos, de modo que os capítulos se singularizam por sua força dramática, concisão e autonomia”. “Tal particularidade formal se deve à concepção realista de Graciliano, que se empenhou por concentração dramática e estilística, e à sua necessidade financeira, que o levou a publicar contos/capítulos, crônicas e artigos na imprensa”, afirmam os pesquisadores, por e-mail.

O segundo volume de Conversas, ainda por concluir, reunirá depoimentos de amigos e familiares, também publicados na imprensa – gente como José Lins do Rego, Jorge Amado, Rubem Braga -, assim como uma entrevista inédita com Luiza Ramos Amado, filha de Graciliano.

Salla destaca um dos depoimentos dado pelo escritor à revista Diretrizes, em 1942. Perguntado se “poderia um nazista escrever um poema?”, Graciliano responde: “sim, devem fazer também poemas. Se não os fizessem, abandonariam completamente a espécie humana”.

“Ele atrela o conceito de ‘humanidade’ à possibilidade de criação artística”, conclui Salla.

(Fonte: O Estadão)

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Novembro de 63 | Romance de Stephen King vai virar minissérie de TV

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Novembro 63, o romance de Stephen King sobre o assassinato de John F. Kennedy, vai virar minissérie de TV no Hulu com supervisão da produtora Bad Robot de J.J. Abrams. É o primeiro grande passo do serviço de streaming americano no sentido de competir com Amazon e Netflix com a criação de conteúdo próprio.

O romance de 2011, publicado no Brasil pela editora Suma de Letras, um professor de inglês descobre que a despensa do restaurante local é na realidade um portal para o ano de 1958. Ele é então mandado em uma missão: voltar no tempo com o nome de George Amberson e impedir o assassinato do então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy.

A produção e o roteiro da minissérie, que terá nove horas no total, são de Bridget Carpenter, produtora e roteirista de séries como Parenthood e Friday Night Lights. A minissérie terá distribuição da Warner Bros. Worldwide Television fora dos EUA.

(Fonte: Omelete)

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