SETEMBRO – 2014

Minissérie de Steve Niles será adaptada para o cinema

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Breath of Bones,  de Steve Niles (30 Dias de Noite), Matt Santoro e Dave Wachter, será adaptada para o cinema. A informação foi divulgada pelo site Hollywood Reporter.

O diretor será Andrew Adamson, responsável pelas duas películas da série Crônicas de Nárnia e os filmes Shrek.

Breath of Bones foi publicada em três edições, pela editora Dark Horse, em 2013, e relançada recentemente como um encadernado.

Na trama, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, um avião inglês cai num vilarejo judeu. Para se defender da presença dos nazistas atraídos pelo avião, o rabino do lugar constrói um Golem, com a ajuda de seu neto.

(Fonte: Universo HQ)

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Livro recupera história de nove chineses presos pela ditadura brasileira em 1964

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Regime tentava provar ‘comunismo’ do presidente deposto João Goulart, mostram autores Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo

O recém-lançado “O caso dos nove chineses”, livro escrito por Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo, joga luz sobre o primeiro escândalo internacional praticado pela polícia política da ditadura civil militar, instaurada no Brasil em 1964: a prisão de nove chineses — jornalistas e altos funcionários integrantes da Missão Comercial Chinesa, que aqui estavam, desde 1961, a convite do presidente Jânio Quadros. A finalidade da missão era propiciar substancial expansão do comércio internacional do Brasil com a República Popular da China.

Durante os 15 anos em que fui assistente do Dr. Sobral Pinto, por reiteradas vezes ouvi-o contar detalhes desse caso. Ele fez a defesa dos nove chineses perante a Justiça Militar. Lembro-me perfeitamente de incidentes preciosos desta história, como por exemplo, o fato de o ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos de Melo Franco, haver, no dia 21 de agosto de 1961, transmitido em carta ao vice-presidente João Goulart, a notícia de que Jânio resolvera constituir a “Missão João Goulart”. O objetivo era dar prosseguimento às conversas iniciadas com uma missão chinesa que visitara o Brasil em maio daquele mesmo ano.

Entre os compromissos assumidos em Pequim por João Goulart, figurava a autorização para o estabelecimento no Brasil de uma representação comercial permanente da China, bem como a realização em nosso país de uma exposição comercial e industrial. Ambas as concessões foram feitas em termos de reciprocidade. Por conta deste acordo, aqui desembarcaram, entre dezembro de 1961 e janeiro de 1964, Wang Weizhen, Ju Qingdong, Wang Zhi, Wang Yaoting, Hou Fazeng, Song Guibao, Zhang Baosheng, Ma Yaozeng e Su Ziping. Eles se encontravam em território brasileiro legalmente, com vistos oficiais fornecidos pelo Itamaraty.

Contava-me o Dr. Sobral que todos os passos e atividades do grupo eram permanentemente vigiados pela polícia política. Nada disso impediu que fossem presos três dias após o golpe de 1964. A polícia política conduziu-os ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), onde foram torturados, fichados e interrogados.

Com os chineses, foi apreendido o equivalente a 120 milhões de cruzeiros em moedas estrangeiras — até hoje depositados no Banco do Brasil — e vários bens e objetos domésticos. Foi feita uma perícia em documentos escritos à mão e em língua chinesa, o que resultou num laudo com tradução falsa daqueles papéis. O advogado Sobral Pinto conseguiu a nomeação de um tradutor de confiança e comprovou a farsa: o que os militares chamavam de “diário de atividades subversivas”, eram agendas nas quais os chineses anotavam os compromissos de trabalho, tais como reuniões em órgãos ou autoridades públicas brasileiras, com o objetivo de efetivar negociações sobre as possibilidades de intercâmbio comercial entre os dois países.

Apesar de tudo isso, foram acusados de serem “agentes e espiões do comunismo internacional”, e de terem ingressado no território brasileiro para subverter a ordem política e social estabelecida na Constituição de 1946, visando a instaurar aqui um regime comunista de inspiração chinesa.

ESQUECIDO NO BRASIL, CASO AINDA É LEMBRADO NA CHINA

A defesa produzida pelo Dr. Sobral Pinto, junto ao Superior Tribunal Militar (STM), provou que a prisão e julgamento dos chineses foram o pretexto usado pelos militares para demonstrar que o presidente João Goulart era comunista e, por isso, havia sido deposto. Até hoje os chineses continuam condenados a 10 anos de prisão e, no plano legal, expulsos do Brasil. Nunca o dinheiro apreendido foi devolvido ao governo da China.

Há poucas semanas, integrantes da Comissão Nacional da Verdade (CNV) colheram, informalmente, o depoimento do advogado Danillo Santos, um dos poucos personagens ainda vivos desta história. Santos foi contratado pelos chineses para cuidar da classificação e liberação, pela então Carteira de Comércio Exterior (Cacex) do Banco do Brasil, de mais de 5 mil produtos que eles pretendiam mostrar na exposição comercial, a ser realizada em Niterói. Foi Santos também quem convenceu o Dr. Sobral Pinto a aceitar a defesa dos chineses.

A CNV encerrará seus trabalhos em dezembro, quando entregará à presidente Dilma Rousseff um relatório final com todas as investigações realizadas em dois anos e sete meses de atividades. No relatório, estarão novos dados sobre casos já conhecidos do grande público, como o atentado a bomba do Riocentro e o assassinato do deputado Rubens Paiva. Ao lado deles, não poderá faltar uma análise detida sobre o caso dos chineses.

Cinquenta anos depois, esse escândalo, que ainda nos envergonha, merece uma reparação. Para o bem da harmoniosa convivência entre Brasil e China — duas nações que se autoproclamam “parceiros estratégicos” —, é preciso restabelecer a crença na total inocência dos nove cidadãos chineses. E, quem sabe, provocar o Estado brasileiro a anular a absurda condenação, revogando, também, o decreto que os expulsou.

Se no Brasil esquecemos desses fatos, na China eles continuam vivos na memória do governo e de seu povo.

(Fonte: O Globo)

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Nova biografia de Freud, escrita pela historiadora Elisabeth Roudinesco, é lançada na França

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Autora, que faz palestras no Brasil em outubro, critica ‘antifreudianismo’ e desmonta lendas sobre criador da psicanálise

A vida e a obra de Sigmund Freud (1856-1939), o criador da psicanálise, foram objetos de uma enormidade de estudos. Mais uma biografia, hoje, do célebre autor de “Interpretação dos sonhos” e “Totem e tabu”? Para a historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco, a escrita de seu “Sigmund Freud — dans son temps et dans le nôtre” (Sigmund Freud — em seu tempo e no nosso) foi uma “imposição”. Com acesso aos novos arquivos abertos pela Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, a autora francesa mergulhou na vida e obra do biografado com a intenção de mostrar que Freud é um produto de seu tempo e, ao mesmo tempo, revelar verdades sobre as “lendas negras e douradas” edificadas sobre o personagem. O livro foi lançado este mês na França, pela editora Seuil, e tem publicação prevista no Brasil para 2015, pela Zahar.

Crítica severa de uma psicanálise a-histórica, Roudinesco condena a percepção da obra de Freud isolada do contexto de sua época, estudada como um corpus clínico à parte do mundo em que foi elaborada. Somado a isso os repetidos ataques protagonizados nos últimos 30 anos pelos “antifreudianos radicais”, hoje não se sabe mais quem é Freud, sustenta a autora em entrevista ao GLOBO em sua casa, em Paris.

Desde a primeira biografia de Freud, de autoria de Fritz Wittels, em 1924, passando pelos três volumes de “Vida e obra de Sigmund Freud”, de Ernest Jones, publicados entre 1953 e 1957 (lançados no Brasil pela Zahar), uma miríade de teses e ensaios foi produzida nos mais variados idiomas, entre os quais o título de referência “Freud: uma vida para o nosso tempo”, de Peter Gay, de 1988 (Companhia das Letras). O minucioso trabalho de 592 páginas de Roudinesco é reivindicado como a primeira biografia francesa do personagem, com uma nova abordagem e distanciamento de um Freud definido como um “conservador rebelde” e criador de uma “revolução simbólica” em um movimento que se perpetua.

Elisabeth Roudinesco será a principal convidada da “IX Jornada Bianual do Contemporâneo”, promovida pelo Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade, nos próximos dias 3 e 4, em Porto Alegre. No dia 6, estará no Rio para falar sobre “A psicanálise na situação contemporânea”, às 9h, no Instituto de Psicologia da Uerj. O Brasil, para ela, é hoje o “país mais freudiano do mundo”.

Por que Freud e este livro hoje?

A necessidade se fazia sentir ao longo de um certo tempo de renovar a abordagem de Freud. Sou o primeiro autor francês a fazê-lo, e o último de um longa série. E o primeiro a ir aos arquivos e utilizá-los de uma outra forma. É verdade também que o fim de um ciclo de ondas sucessivas de ódio a Freud, de lendas negativas, de livros negros, já faz 25 anos. Se foi muito longe no antifreudianismo, e se chegou a um ponto em que a opinião pública já estava farta de que se tratasse Freud de nazista, de incestuoso, de canalha. Era preciso restabelecer um pouco de verdade. Eu me dediquei a isto. Os psicanalistas nadam no anacronismo, na interpretação abusiva, porque para eles o contexto histórico não existe. Quis mostrar bem que Freud nasceu num mundo no qual não havia eletricidade, em que a promiscuidade de membros de uma mesma não era a mesma de hoje. Quando ele conta sua vida cotidiana, seja na “Interpretação dos sonhos” ou em outros escritos, é um dia a dia diferente de hoje. Freud foi criado numa família grande, com muitos empregados, sem água corrente. Ele vive nesta promiscuidade em que pode realmente elaborar a teoria dos substitutos. Quando ele vê suas cinco irmãs, vê sua mãe ou seu pai. Há modelos familiares que estão acabando no momento em que teoriza isto. Tive sempre a preocupação de o imergi-lo em seu contexto histórico, e de mostrar que ele e sua obra são um produto de seu tempo.

Na França, o país mais freudiano do mundo, segundo a senhora, há uma rejeição analítica da complexidade da história de Freud. Por quê?

Mais se é freudiano, menos se é histórico. Mas isto está acabando. A França foi o país da renovação da doutrina e não o da herança histórica. Gerações de psicanalistas se interessaram nos textos freudianos de forma estrutural: o corpus sem sua história. Não é um acaso se não houve biografia de Freud na França. Jones, qual seja a crítica que lhe possa ser feita, tem a preocupação da história. O mundo anglófono foi muito mais atento do que o francófono à questão de imergir Freud na história, mesmo se ainda restam como interpretações psicanalíticas. A psicanálise sendo cada vez menos forte na renovação teórica, a preocupação foi de historizar. E nos Estados Unidos, as querelas entre historiadores são muito mais importantes do que as disputas entre psicanalistas. Não é o caso na França. E também não é o caso no Brasil e na Argentina.

O argentino Emilio Rodrigué (1923-2008), primeiro biógrafo latino-americano de Freud, teve, na sua opinião, a “audácia de inventar um personagem mais próximo de um personagem de Gabriel García Márquez do que de um sábio originado da Velha Europa”. A senhora diz que cada país criou seu próprio Freud. Quem é o Freud brasileiro?

O Brasil tem esta vantagem de ser aberto a tudo. Os brasileiros são muito abertos à história da psicanálise e a todas as doutrinas, há um sincretismo. É o que foi chamado de antropofagia, este movimento que digere o que vem da Europa fazendo algo novo. Daí esta vivacidade. Embora a França seja mais forte no plano doutrinal, hoje provavelmente o país mais freudiano do mundo seja o Brasil. Porque no Brasil o ensino da psicanálise se mantém nas universidades de Psicologia, mais do que na Argentina. Mesmo que a implantação da psicanálise tenha sido feita pelos argentinos, que tiveram o golpe de gênio de implantar o kleinismo, o freudismo e o lacanismo. Mas a tradição universitária brasileira é muito forte. E o fato de que seja dividida em cidades é muito importante. Não é a mesma coisa no Rio, em Porto Alegre… E eles digeriram tudo que veio da Europa de forma antropofágica. Temos uma abertura maior no Brasil a tudo. O defeito, evidentemente, é que não há escola histórica, mas há uma tradição. Houve Fernand Braudel, Claude Lévi-Strauss, há uma abertura. Os brasileiros são ecléticos, e abertos a novas abordagens, enquanto na França os psicanalistas têm 25 anos de atraso em relação a sua história, infelizmente. E o dogmatismo lacaniano e psicanálitico em geral teve um papel nisso. Mas vamos chegar lá. Já o Freud brasileiro é eclético, é uma mistura de kleinismo, de lacanismo, de invenção brasileira. E neste ponto, Emilio Rodrigué colocou seu tempero. Ele faz variações em seu livro, é um romance latino-americano, se autoriza interpretações extravagantes, ,mas gosto disso, porque ao mesmo tempo há a seriedade do aparelho crítico.

A senhora muitas vezes respondeu a consecutivas iniciativas dos chamados “antifreudianos radicais”, como a tentativa de interdição de uma exposição sobre Freud em 1996, processos na justiça por difamação ou obras como “Mentiras freudianas”, de Jacques Bénesteau; “O livro negro da psicanálise — Viver, pensar e melhorar sem Freud”, organizado por Catheryne Meyer, ou “O crepúsculo de um ídolo, a fábula freudiana”, de Michel Onfray, com quem teve uma acirrada polêmica e que não tardou em atacar este seu último livro sobre Freud. O “antifreudianismo” ainda é forte?

Isto nunca acaba. Mas depois ter sido um movimento majoritário, se torna agora minoritário. Assim como os psicanalistas tiveram sua hora de glória majoritária, hoje são minoritários. Mas eles não vão desaparecer. Michel Onfray respondeu que não precisava ler este livro para saber o que havia nele. Quando se diz isso, é o fim de qualquer debate. Há anos ele recusa qualquer debate comigo, e nós nos conhecemos muito bem. Ele delirou, disse que eu o tratei de pedófilo. De qualquer forma, não é apenas em relação a Freud que ele diz qualquer coisa. Fez o mesmo sobre a Bíblia, Albert Camus, Sartre, Sade, e vai continuar. Mas num momento a verdade triunfa. Da mesma forma que caiu a Nova Filosofia, todas estas besteiras que há 30 anos nos envenenam. Foi uma corrente não universitária muito sedutora em seu início, jovem, com personalidades brilhantes. Mas que tinham como maior defeito contar qualquer coisa, como dizer que o goulag já existia em Marx e Engels. Isto é uma contraverdade histórica. E de um certo modo a França está pagando hoje por isto. Hoje, estamos na vingança dos historiadores e dos filósofos universitários contra os filósofos midiáticos não universitários. Estamos no fim da Nova Filosofia, do antifreudianismo radical. Vamos passar à herança real.

A senhora define Freud como um “conservador rebelde”. Por quê?

Sem dúvida é um conservador rebelde. Ele entrou em rebelião contra os modos de pensar majoritários de sua época. Ele é um liberal conservador, que induziu uma revolução do íntimo. É contemporâneo do socialismo, do comunismo, do feminismo, de todos os movimentos de emancipação. Mas sua característica é que retorne sempre ao Antigo, algo muito típico também de Viena e da cultura alemã. Para fazer uma revolução do íntimo, vai buscar modelos míticos na tragédia grega e não na modernidade literária, a qual, aliás, ele não entende muito bem. Ele tem este aspecto politicamente conservador, vota liberal, trabalha com os sociais-democratas em Viena, não confunde jamais o comunismo e o nazismo, mas não acredita que uma revolução social do tipo marxista vai dar certo. Ele é contemporâneo da Revolução Russa. Não é a favor das convulsões republicanas francesas. Mas seu movimento psicanalítico é aberto, com discípulos de todas as tendências, progressistas, conservadores. Ele era pela emancipação das mulheres, e contra a supressão das instituições. Há uma imagem muito justa de Freud: era favorável à morte do pai, ao regicídio, mas a favor de que se recolocasse um rei no trono. Isto é explicado em “Totem e Tabu”. Freud é regicida na condição de que reinstaure a monarquia depois de ter sido abolida. Não é republicano no sentido francês. Ele gosta muito de Paris, mas não é a favor de revoluções do tipo francês. O modelo para ele é Londres, o modelo econômico liberal inglês, e a cultura do Sul, a Itália e a Antiguidade romana.; e mais longe, a grega, e mais longe ainda, o Egito. Freud é um homem da bacia mediterrânica em seus sonhos, algo muito austríaco, entre o Norte e o Sul, e muito ligado ao modelo de monarquia constitucional. E ele é judeu, o que tem um papel considerável. Não é a favor do sionismo, à criação de um Estado judeu, prefere a diáspora, mas herdou algo desta rebelião. Para época de Freud, o inimigo é a religião. Ele é pela ciência. O que faz com que por vezes, em seu debate com o pastor Oskar Pfister (1873-1956), possa se enganar, confunde religião e fé. Mas para esta geração de homens sábios, originados do materialismo, o inimigo é o religioso. Ele tem isto em comum com Marx. Por isso é um conservador bastante singular. Ele é pela liberdade sexual, contra a pena de morte.

Um dos erros de Freud, segundo a senhora, é o de acreditar na construção de uma ciência.

Não é uma ciência, no sentido das ciências da Natureza. Ele sabia disto, por isso que abandonou o modelo fisiológico-neurológico. Mas não soube inscrever a psicanálise como uma disciplina integral na universidade. O que fez com que sempre tenha sido ensinada nos departamentos de Psicologia, Antropologia, Sociologia, Literatura e Filosofia. Teria podido fazê-lo? Não sei, talvez não. Talvez o destino da psicanálise seja o de não ser uma disciplina à parte. Mas hoje estamos novamente em um retrocesso, na ideia de que o corpo e o movimento são mais importantes do que a palavra. Mas isto não vai durar. Estamos numa encruzilhada, se foi muito longe na explicação estritamente química e orgânica do inconsciente. A psiquiatria biológica não existe mais como psiquiatria, ela é química. Há uma contestação. Quando se questiona a os resultados de Freud com seus pacientes, sua resposta é a de que a técnica psicanalítica trata as neuroses, não as psicoses. Durante trinta anos houve um reinado do “tudo químico”. Isto está acabando. Não por um retorno à psicanálise, mas como explicação demasiado totalitária, e pela rejeição dos pacientes. Freud elaborou uma clínica aplicada em seu início às neuroses. Mas eram neuroses graves. Ele mudou, a partir de 1914 percebeu a incurabilidade. Depois, o saber psicanalítico dominou toda a psiquiatria do século 20. Foi uma boa coisa. Antes do aparecimento dos psicotrópicos, era melhor ir em clínicas nas quais havia uma abordagem psicanalítica do que ser um simples sujeito de sanatório. A partir de 1945, os antigos asilos esvaziaram, foi um enorme progresso. E a ideia de combinar a cura pela palavra com medicamentos, para as psicoses, é uma bela definição. Sabemos que para um melhor tratamento da loucura são necessárias três abordagens, de meio ambiente, psíquica e medical. O problema é que mas nossas sociedades de hoje, com economias orçamentárias draconianas, não temos os meios de curar os loucos com os três meios. Então se passou ao “tudo químico”, que funciona mais rápido, mas que é catastrófico. A tripla abordagem se tornou impossível. Nas sociedades precarizadas como as nossas, os doentes mentais e os prisioneiros são muito mal tratados.

No livro, a senhora desconstrói “lendas” como as da autoanálise ou do complexo de Édipo freudianos.

Eu desfaço o complexo de Édipo. Freud não escreveu uma só linha, exceto sobre o declínio do complexo de Édipo. Falou do complexo de Édipo por tudo, mas não teorizou. A psicologia edipiana não se sustenta. O complexo de Édipo como psicologia de família não funciona. O genial é fazer crer a cada neurótico que ele é Hamlet ou Édipo em vez de um doente mental. É muito melhor ser um herói de teatro do que um simples doente mental em um sanatório. E ele não foi capaz de escrever sobre a metapsicologia. A autoanálise não existe, é uma lenda forte e inventada. O próprio Freud disse que era a “sua autoanálise”, mas não é uma autoanálise, e sim uma passagem pelo erro para se alcançar a verdade. A correspondência com Wilhelm Fliess (1858-1928) não é uma autoanálise, mas uma errância de sábios. Ele errou no irracional para conseguir elaborar uma doutrina que sai da fisiologia. A “pulsão de morte”, um dos momentos fortes de Freud, não começa em 1919, mas em 1914, quando ele se pergunta, para introduzir o narcisismo, por que nos autodestruímos. Penso também que Freud tinha a convicção de que o que acontecia na realidade social já estava no psiquismo. Isto é apaixonante. E tinha a convicção de que o que ele mesmo dizia era revelador do inconsciente, e apenas traduzia, e que a realidade se passava como no inconsciente. Isto não é verdade, mas quanta audácia!

A senhora aponta como uma das grandes forças de Freud a criação de mitos.

Outra audácia sua foi a de fundar uma ciência fundada nos mitos, na racionalidade do estudo dos mitos. Cada livro de Freud provocou debates no mundo inteiro. Quando ele publica “Totem e tabu”, que vai na contracorrente da antropologia moderna, o mundo acadêmico discute este ensaio completamente fora de moda. Isto significa que ele contribui com algo. Quando escreve seus três ensaios sobre a teoria sexual, em vez de fazer um tratado se sexologia, o caso de todos seus contemporâneos, ele se ocupa da teoria sexual das crianças. Para mostrar que o que se considerava como perversões não o era, e que somos todos perversos.

O que é a “revolução simbólica” de Freud?

A lenda é a de que Freud inventou tudo, de que não deve nada a sua época. Não é verdade. Ele inventa algo da ordem que defini como revolução simbólica, remodelando as representações de sua época. Nisso ele é inovador. Quando se lê os psicólogos contemporâneos de Freud, que são válidos, sua superioridade intelectual, literária e imaginativa é evidente. A fraqueza de Freud foi a de não poder introduzir esta disciplina na universidade. E sua força foi a de ter feito um movimento. Ele não cria uma seita, mas um movimento político, revolucionário, platonista. Ele e seus discípulos têm consciência desde o início de serem portadores de uma revolução simbólica. A prova é a de que possuem a preocupação da memória e da história, contrariamente aos psicanalistas. Tinham o pressentimento de que seu mundo iria desaparecer, o que vai ocorrer primeiro com a Primeira Guerra Mundial, e uma segunda vez, com o nazismo. Aprecio nos primeiros freudianos – que se disputam todo o tempo e que admiram mas não idolatram Freud – este sentimento de que seu mundo vai perecer. Daí vem a imigração, e o fato de que se deve levar a todos os países do mundo a lembrança de Viena. O exílio de Freud, sua casa, suas coleções, é a ideia de que já que tudo vai morrer com o nazismo, é preciso transportar a memória do movimento. Arquivos, fotografias, tudo é transportado para Washington ou Londres. É um gesto incrível. Freud não crer acreditar que o nazismo vai engolir Viena. Ele sabe, mas não quer aceitar. Ele espera por Hitler, e face a essa pulsão de morte, personalizada em Hitler, recua até o momento em que é preciso partir.

Entre as ditas “lendas fabricadas”, como senhora diz, estão suposições de Freud teria sofrido abuso sexual na sua infãncia, vivido uma relação com sua cunhada, abusado ele mesmo de sua sobrinha-neta ou em seu exílio em Londres abandonado suas irmãs, depois deportadas e exterminadas pelos nazistas.

Eu não encontrei nada disso nos arquivos. O que não se sabe é como foi a vida sexual de Freud antes de seu casamento. Ele teve provavelmente a adolescência de um jovem de Viena. Não gostava de prostíbulos, do adultério. As mulheres se casavam virgens. Não se sabe o que houve antes, mas se sabe o que veio depois. Ele tinha a necessidade de ter mulheres em seu entorno. Pratica a abstinência, não quer outro filho. Sua cunhada ocupa um lugar muito particular. É uma segunda esposa não sexuada, ele mesmo o diz. Mas é preciso ser completamente louco hoje para colar retrospectivamente o que é a sexualidade atual sobre o que era naquela época. Não há verdades ocultas, mas quis invalidar os falsos rumores. Houve pessoas que negaram a existência do câncer de Freud, o que é fascinante. Ele também não recomendou a Gestapo. Desminto tudo isso. Se construiu uma máquina de fantasias, sejam negras ou douradas, sobre o personagem.

A senhora coloca Freud no mesmo estatuto de Einstein, Darwin, Marx, Sartre, Simone de Beauvoir, Hannah Arendt ou Michel Foucault: pensadores rebeldes vítimas de rumores e injustiças.

Marx se tornou um explorador de mulheres, repugnante, responsável pelo goulag. Há teorias revisionistas sobre Einstein que dizem não ter sido ele o criador da teoria da relatividade, mas sua mulher. E teria sido um pai abominável porque tinha um filho psicótico. Tudo isto não se sustenta. Sobre Darwin também se inventou muita coisa. E sobre Simone de Beauvoir ou Sartre, que foi coberto de injúrias. Foucault foi acusado de ser responsável pela transmissão da Aids, e Jacques Derrida, de nazista. Para mim tudo isto deve ser banido. São visões apocalípticas. Sobre Freud, se discutiu quem teria lhe dado a última injeção. Se pretendeu que se teria ocultado o seu uso de cocaína, o que não é verdade. Se acusou Freud de introduzir a cocaína no mundo moderno. E o Freud fascista, amigo de Mussolini? Isso nunca. Sim, ele fez uma dedicatória a Mussolini, mas é preciso contextualizar. Há frases que Freud não pronunciou e que lhe são atribuídas. Há textos interpretados de forma equivocada, sem o contexto. Há de tudo. Estranhamente, os antifreudianos radicais não criticaram o que é criticável em Freud.

Por exemplo?

Não notaram muito as errâncias de Freud. Passam seu tempo a valorizar teses aberrantes para melhor criticar Freud. Os antifreudianos radicais pensam que Williem Fliess tinha razão contra Freud. Não sou por Wilhem Reich (1897-1957) contra Freud, por Otto Gross (1877-1920) contra Freud. Não é isto que se deve fazer, mas mostrar como o próprio Freud adota teorias extravagantes. É normal que Fliess seja hoje esquecido, ele tinha um sistema de pensamento irracional, mas fascinante. Pode-se ter muita simpatia por Reich, como eu tenho,, mas a teoria do orgônio é delirante. Os antifreudianos radicais passam todo o tempo a procurar antiheróis, não usam as verdadeiras críticas que poderiam ser feitas a Freud.

A senhora vê hoje uma crise do pensamento filosófico e da psicanálise hoje na França?

Estamos numa crise de herança na França, passageira, mas numa crise europeia, mundial do pensamento. Há hoje na França uma renovação evidente da filosofia, há uma geração de 40 anos que vai ser conhecida. Há uma renovação da antropologia, da sociologia. Menos para a psicanálise, porque eles estão acantonados na clínica. Daí a importância de um retorno de um Freud histórico. Penso que saímos de um período difícil do ódio a Freud, e hoje é preciso lê-lo de outra forma, como uma necessidade para os psicanalistas. Há trinta anos, os não psicanalistas leem melhor Freud do que os psicanalistas. O que não quer dizer que sejam maus clínicos. Eles não situam Freud na cultura do tempo de Freud, e assim não sabem situá-lo em nosso tempo. “Em seu tempo e no nosso” quer dizer: Freud que se constrói em seu tempo e que nos ilumina no nosso.

(Fonte: O Globo)

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Uma coletânea de retratos insólitos de escritores consagrados em quartos de hotel

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O argentino Daniel Mordzinski vai expor 70 imagens desses encontros no Festival Literário de Araxá, em Minas Gerais

 Como convencer um escritor como Salman Rushdie a se deitar na banheira vazia de um quarto de hotel, de chapéu e com uma almofada para acomodar a cabeça? E ainda convencê-lo a posar com com um cacho de uvas junto à boca? A resposta do fotógrafo argentino Daniel Mordzinski é simples: cumplicidade. Rushdie não foi o único a aceitar o que ele chama de parceria entre retratista e retratado. Mordzinski já fotografou o Nobel Mario Vargas Llosa escrevendo entre lençóis amarrotados e o italiano Umberto Eco brincando com seus suspensórios sentado na beira de uma cama desfeita. Esses e outros registros estarão na exposição “Quartos da escrita — Retratos de escritores em hotéis”, que abre no dia 9 de outubro no Grande Hotel Tauá e é uma das atrações da terceira edição do Festival Literário de Araxá (Fliaraxá), em Minas Gerais. A mostra é uma parceria entre o Fliaraxá e o Hay Festival, um dos principais eventos literários do mundo.

A trajetória de Mordzinski, conhecido como “o fotógrafo dos escritores”, parece uma peça de ficção. Com apenas 18 anos, ele trabalhava como assistente de direção no documentário “Borges para milhões”, sobre o escritor argentino Jorge Luís Borges, rodado em Buenos Aires. Durante as filmagens, fez um retrato do escritor com uma câmera emprestada pelo pai. Aquela fotografia, diz, foi o “aleph” do seu projeto de “transformar em imagens a cartografia literária dos meus sonhos de leitor”. Dois anos depois, o artista se mudaria para Paris, onde vive até hoje e teve a chance de fotografar centenas de autores. E, assim, há 36 anos ele monta um verdadeiro “atlas humano” da literatura, especialmente a iberoamericana.

— A inspiração apareceu na minha adolescência, tempo dos grandes sonhos, das grandes ideias. Desde criança amava os livros, os mapas, as histórias. Com minhas modestas “fotinskis” (como ele chama seus retratos de tintas surrealistas) vou desenhando um mapa do tesouro, uma espécie de carta geográfica pela qual navegam a minha imaginação e a dos leitores — conta Mordzinski, em entrevista por e-mail ao GLOBO de Medellín, na Colômbia, onde está a trabalho.

AMIGOS BRASILEIROS

A exposição em Araxá terá 70 retratos feitos em hotéis, de cinco estrelas a motéis vagabundos, afirma o fotógrafo. O número foi proposto por Afonso Borges, um dos organizadores do evento, e é o mesmo número de anos que completa o Grande Hotel da cidade, cujos jardins são criação do paisagista Roberto Burle Marx. Segundo o argentino, é uma maneira de “devolver a um hotel um pouco do muito que esses lugares me deram ao longo dos anos”. Na sua opinião, esses cenários não prejudicam o seu trabalho, pelo contrário. O fato dos escritores em geral não terem nenhuma relação particular com o espaço abre novas possibilidades de criação.

— Em certa medida é mesmo uma limitação, espacial e estética, mas é também um pequeno marco de liberdade, um “não lugar”, uma pausa na vida normal dos escritores. Salvo caso especiais como (Vladimir) Nabokov e (Albert) Cossery, que sempre viveram em hotéis, os escritores têm uma casa, uma vida “estável”. No entanto, em um quarto de hotel estão de passagem e às vezes passam muitas horas, muitos momentos de dúvida, de criação, de fantasia. Vejo o quarto de hotel como uma metáfora da vida: um lugar onde estamos de passagem — reflete Mordzinski.

A construção da parceria entre o fotógrafo e os escritores, que está na essência de suas obras, expandiu enormemente seu círculo de amizades. Seu método de conversar, contar e ouvir histórias, tomar um café ou só caminhar lado a lado cria uma empatia que se desdobra em relações duradouras. O círculo inclui muitos brasileiros, como João Paulo Cuenca e Santiago Nazarian, que conheceu na Feira do Livro de Bogotá, Ana Paula Maia, a quem fotografou meses atrás em Atenas, na Grécia, e Adriana Lisboa, “que representa o espírito da nova narrativa brasileira”. Durante a troca de e-mails para a entrevista, enviou um registro feito do casal Jorge Amado e Zélia Gattai. Perguntado se não se sentia amedontrado ao conhecer, ainda bem jovem, figuras tão importantes, o fotógrafo admite que sim.

— No início, devo reconhecer, eles me impressionavam muito. É difícil ter menos de vinte anos e estar diante de Borges, o grande mito da literatura contemporânea. Mas posso confessar também que a vida me deu a oportunidade de ser amigo de alguns dos grandes como Julio Cortázar, Ernesto Sábato e, entre os vivos, Luis Sepúlveda e Mario Vargas Llosa. Graças a eles compreendi que a verdadeira grandeza destes autores que tanto amamos é a humana, não só a de sua glória literária. E sem perder o respeito, creio ter aprendido a tratá-los com naturalidade e isso me permite uma aproximação mais autêntica, menos litúrgica.

Um dos autores consagrados que virou amigo foi Adolfo Bioy Casares, que completaria 100 anos em 2014. Numa das últimas visitas à casa dele, porém, o fotógrafo viveu uma situação desconcertante. Enquanto conversavam, alguém disse algo ao pé do ouvido do escritor. Seu rosto se transformou e ele disse, com uma voz de dor, que sua filha tinha sofrido um acidente. Após um cumprimento formal, sem saber se ficava ou se saía, Mordzinski decidiu ir embora. Ao caminhar 300 metros, viu que a rua estava interditada. Um ônibus subira na calçada e atropelara uma mulher. Bioy Casares perdia a filha, Marta, três semanas depois da morte da mulher, Silvina Ocampo.

— Adolfito é um enorme escritor e não ocupa o lugar que merece no panteão dos grandes. Fiz muitos retratos e gostava muito dele. Em todas as minhas viagens a Buenos Aires nunca deixava de visitá-lo.

(Fonte: O Globo)

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Brecht para crianças e os temas difíceis na literatura infantil

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Editora Pulo do Gato promove encontro para debater os temas difíceis na literatura infantil e lança A Cruzada das Crianças, de Bertolt Brecht. E mais na Babel: holocausto, Booker Prize, David Harvey de novo no Brasil, Ademir Assunção, Jorge de Lima, etc.

INFANTIL
Brecht (também para crianças) e a literatura que incomoda

A Importância de livros com temas difíceis na literatura infantil: Porque a vida também pode ser difícil e desconfortável para as crianças é o tema do debate que reunirá pesquisadores na livraria NoveSete, em 2/10. Ele marca o terceiro aniversário da editora Pulo do Gato, de livros infantis, juvenis e sobre formação de leitores. Seu próximo lançamentos, para leitores a partir dos 11 anos, por exemplo, é
A Cruzada das Crianças, que traz o poema de Bertolt Brecht sobre um grupo de crianças que vagueia pela Europa depois da 2.ª Guerra ilustrado por Carme Solé Vendrell. Já a Escrita Fina prepara, para o fim de outubro, Com Vagareza e Com Espanto, de Edna Bueno e ilustrações de Luciana Grether Carvalho – história sobre amizade, diferenças sociais e maus-tratos.

HISTÓRIA
Estudo fundamental
O americano de origem austríaca Raul Hilberg (1926- 2007) foi um dos primeiros e mais respeitados pesquisadores do holocausto. Considerado por muitos estudiosos como obra-prima sobre o genocídio, A Destruição dos Judeus Europeus, de 1961, no entanto, estava inédito no País. Sairá em 2015, em volume único, pela Amarilys.

SOCIOLOGIA – 1
Análise da vida moral
Sinceridade e Autenticidade – Vida em Sociedade e a Afirmação do Eu, de Lionel Trilling (1905- 1975), com exemplos retirados da literatura e do pensamento ocidental, será lançado nos próximos dias pela É Realizações.

SOCIOLOGIA – 2
A volta de Harvey
O geógrafo marxista David Harvey, que veio ao País em 2013 e atraiu mais de cinco mil pessoas, volta em novembro para debates e palestras em São Paulo, Brasília, Recife, Fortaleza e Curitiba. E para o lançamento de Para Entender o Capital – Livros II e III, pela Boitempo.

ROMANCE
Rose e o chimpanzé
Finalista do Booker, We Are All Completely Beside Ourselves, de Karen Joy Fowler sai pela Rocco em 2015. Ele é narrado por Rose, filha de um cientista fracassado que fazia experimentos com chimpanzés em casa e comparava os resultados com o desenvolvimento cognitivo dela.

REEDIÇÃO
Resgatado do sebo
A Concha das Mil Coisas Maravilhosas do Velho Caramujo, infantil da tradutora Josely Vianna Baptista com ilustrações de Guilherme Zamoner, teve pequena tiragem em 2001 e logo se esgotou. Até dezembro a Quatro Cantos lança nova edição.

POESIA – 1
Duas décadas
Vencedor do Jabuti em 2013, Ademir Assunção celebra 20 anos de LSD Nô, sua estreia, com uma edição especial da obra que terá capa dura, 11 poemas inéditos e tiragem de 120 exemplares. Ela sai em outubro pelo selo Demônio Negro e Patuá, que lançam, ainda, o novo mínima mímica, com poemas curtos escritos em viagens.

POESIA – 2
Com o traço de Segall
Previsto para novembro pela Cosac Naify e Jatobá, Poemas Negros, de Jorge de Lima, traz as ilustrações (acima) que Lasar Segall fez para a edição original, de 1947, e também o prefácio de Gilberto Freyre para aquela edição. Haverá ainda posfácios de Vera D’horta, sobre as ilustrações, e de Vagner Camilo, sobre o contexto histórico.

(Fonte: O Estadão)

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The Scorch Trials | Ator de Game of Thrones será vilão na continuação de Maze Runner

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The Scorch Trials, a continuação de Maze Runner – Correr ou Morrer, contratou o primeiro novo nome de seu elenco. Segundo o Hollywood Reporter, Aidan Gillen, o Mindinho de Game of Thrones, será Janson, o vilão principal da trama.

A ideia é rodar o segundo filme entre o final deste ano e o início de 2015. Na trama de The Maze Runner, depois de ter sua memória apagada, o protagonista Thomas (Dylan O’Brien, de Teen Wolf) é preso em uma comunidade de garotos dentro de um enorme labirinto, como parte de um estranho experimento. Rapidamente Thomas descobre que é seu destino liderar esse grupo de “corredores de labirinto” para a liberdade.

Noah Oppenheim  escreveu a primeira versão do roteiro, que foi revisado por Grant Myers e T.S. Nowlin. The Scorch Trial estreia em 18 de setembro de 2015.

(Fonte: Omelete)

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Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1 terá maior lançamento do cinema brasileiro

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Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1  será o maior lançamento da história do cinema brasileiro, pois cerca de 1400 salas receberão o filme em 20 de novembro, sua data de estreia.

O número bate a estreia de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, que contou com cerca de 1300 salas. A pré-venda dos ingressos para o novo Jogos Vorazes começa no dia 29 de outubro – para a estreia mundial antecipada no Brasil em 19 de novembro.

Assista ao primeiro trailer completo de Jogos Vorazes – A Esperança

A segunda parte de A Esperança chega aos cinemas em 20 de novembro de 2015.

(Fonte: Omelete)

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Original de Hergé é encontrado atrás de um móvel

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Segundo o jornal Le Figaro, um colecionador belga encontrou,  caída atrás de um móvel de sua casa, uma página original de Hergé que ele já nem lembrava possuir em sua coleção.

Ele havia entrado em contato com um especialista da casa de leilão Artcurial, Éric Leroy, para vender alguma de seus páginas, incluindo um original de Hergé, de As Joias da Castafiore.

Quando Leroy visitou o cliente para avaliar a arte, o sujeito apresentou duas páginas de Hergé. O colecionador, que permanece anônimo, encontrou o segundo original durante uma faxina. A arte, do álbum Tintim e o Cetro de Otokar, estava perdida havia anos.

A página foi avaliada entre 200 mil e 300 mil dólares e será leiloada pela casa Artcurial no próximo dia 22 de novembro, em Paris, na França.

O Cetro de Otokar foi desenhado por Hergé e publicado no suplemento belga Le Petit Vingtième, entre 4 de agosto de 1938 e 10 de agosto de 1939. A aventura foi republicada na França na revista Coeurs vaillants, após a Segunda Guerra Mundial.

(Fonte: Universo HQ)

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Edney Silvestre mescla novela, peça e ensaio em novo livro

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Escritor e jornalista também prepara montagem teatral para o ano que vem

Se a fragmentação já era uma marca das narrativas anteriores do escritor e jornalista fluminense Edney Silvestre, agora ele a leva a um novo patamar. Em “Boa noite a todos” (Record), seu quarto livro de ficção, que acaba de chegar às prateleiras, não é só a narrativa que é fragmentada, mas a própria estrutura da obra. Dividida em três partes, ela mistura gêneros: começa com uma novela, passa para uma peça de teatro e termina com um ensaio, seguido de notas sobre as referências culturais do livro.

— Desde o começo, estou testando minhas habilidades como narrador. E acho que o leitor tem apreciado a diferença entre os livros — afirma Edney Silvestre.

Como em outras obras, a fragmentação da narrativa em si também está presente. É um recurso formal imposto pela protagonista de “Boa noite a todos”, que vem perdendo a memória e se tranca em um quarto de hotel para se matar. Enquanto se prepara para o ato, tenta recordar a própria vida e seus casamentos — que surgem apenas de forma truncada, já que suas lembranças se apagam e se embaralham. Nesse contexto, a novela inicial tem sua maior parte contada por meio de um fluxo de consciência, técnica literária na qual se tenta reproduzir o pensamento do personagem tal como ele ocorre.

É uma técnica muito utilizada em livros considerados difíceis pelo leitor médio, como “A paixão segundo G.H.”, de Clarice Lispector, ou “Ulisses”, de James Joyce. Para alguém que se consolidou no meio literário como um narrador habilidoso, não é um risco escrever um livro assim?

— Era um risco, sim. Fiquei até surpreso que a editora acreditasse tanto e fizesse uma tiragem de oito mil exemplares — diz Edney. — Mas não acho este o meu livro mais difícil. O mais difícil é “A felicidade é fácil”, porque é uma obra muito cruel, muito dura.

Ao incluir, na última parte do livro, um ensaio em que explica a gênese da obra, Edney nega que quisesse explicá-la ao leitor.

 — Acho que ele não precisa mais de explicação. O leitor brasileiro tem se sofisticado muito, e a acolhida do livro até aqui mostra isso — afirma o autor, referindo-se ao fato de “Boa noite a todos” ter chegado a entrar na lista dos mais vendidos da Livraria da Travessa.

A estreia de Edney Silvestre como dramaturgo está marcada para breve. A parte teatral do novo livro deve estrear em abril do ano que vem, mas o autor ainda não revela o diretor nem a atriz escolhida para interpretar Maggie.

— Levei quatro anos escrevendo e reescrevendo, por conta dessa coisa de a memória se esfacelando. Tentei dar à fala da Maggie a narrativa elíptica e duvidosa que ela faz para si mesmo — afirma o autor, que tem outras peças na manga.

(Fonte: O Globo)

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Prêmio Portugal Telecom de Literatura anuncia finalistas

A escritora Veronica Stigger é uma das finalistas do Prêmio Portugal Telecom

A escritora Veronica Stigger é uma das finalistas do Prêmio Portugal Telecom

Entre eles estão Carlos de Brito e Mello, Luís Henrique Pellanda, Veronica Stigger, Gonçalo M. Tavares e Gastão Cruz

O Prêmio Portugal Telecom de Literatura anunciou nesta quinta-feira, 25, os 12 finalistas – oito brasileiros e quatro portugueses – que concorrem nas categorias romance, poesia e contos e crônicas. O primeiro colocado ganha R$ 50 mil e disputa, ainda, o grande prêmio – também no valor de R$ 50 mil.

Na categoria romance, foram selecionados Matteo Perdeu o Emprego, de Gonçalo M. Tavares (Foz Editora); A Cidade, o Inquisidor e os Ordinários (Companhia das Letras), de Carlos de Brito e Mello; Opsanie Swiata (Cosac Naify), de Veronica Stigger; e O Drible (Companhia das Letras), de Sérgio Rodrigues.

Em contos e crônicas, estão Asa de Sereia (Arquipélago), de Luís Henrique Pellanda; Entre Moscas (Confraria da Verbo), de Everardo Norões; Nu de Botas (Companhia das Letras), de Antonio Prata; e Viva o México (Tinta da China), de Alexandra Lucas Coelho.

Já em poesia concorrem Brasa Enganosa (Patuá), de Guilherme Gontijo Flores; Observação de Verão Seguido de Fogo (Móbile), de Gastão Cruz; Ximerix (Cosac Naify), de Zuca Sardan; e Vozes (Iluminuras), de Ana Luísa Amaral.

O júri desta fase foi formado pelos curadores Selma Caetano, Cintia Moscovitch, Lourival Holanda e Sérgio Medeiros e pelos jurados João Cezar de Castro Rocha, José Castello, Leyla Perrone-Moisés, Luiz Costa Lima, Manuel da Costa Pinto e Regina Zilberman.

A organização ainda não definiu se o anúncio dos vencedores será feito no final de novembro ou início de dezembro.

Outros prêmios. Alguns dos escritores selecionados concorrem, também, em outros prêmios. Veronica Stiegger, Sérgio Rodrigues, Everardo Norões, Antonio Prata e Zuca Sardan são finalistas também do Jabuti. Carlos de Brito e Mello e Sérgio Rodrigues estão na lista do Prêmio São Paulo.

(Fonte: O Estadão)

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