NOVEMBRO – 2013

AUTORIZAÇÃO A BIOGRAFIAS PODE LEVAR A CENSURA À IMPRENSA, DIZ PRESIDENTE DA ABL NO SUPREMO

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O STF (Supremo Tribunal Federal) abriu as portas, na quinta-feira (21), à polêmica da autorização prévia de biografados ou de suas famílias para a publicação de biografias.
A audiência pública desta quinta reuniu argumentos para a futura decisão do Supremo sobre a ação direta de inconstitucionalidade que questiona a interpretação de artigos do Código Civil de que é necessário solicitar a autorização prévia no caso citado.
A ação, movida pela Anel (Associação Nacional dos Editores de Livros), sustenta que essa autorização prévia é incompatível com a liberdade de expressão e informação garantida pela Constituição.
Dos 17 debatedores presentes, 13 apoiaram claramente a ação da Anel e a necessidade de se mudar a interpretação sobre a chancela prévia. Todos foram ouvidos pelas ministras do Supremo Cármen Lúcia (relatora da ação) e Rosa Weber, e pelo representante da Procuradoria-Geral da República. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participou do início da audiência.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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MÁRIO DE ANDRADE JÁ DEIXOU SUA BIOGRAFIA EM CARTAS, DIZ HERDEIRO

Mário de Andrade

Mário de Andrade

Sobrinho de Mário de Andrade (filho da irmã mais nova do escritor, Maria de Lourdes), o engenheiro e empresário Carlos Augusto de Andrade Camargo, 74, afirma não considerar necessária uma biografia sobre o tio.
“Através das milhares de cartas que escreveu e foram publicadas, Mário deixou sua própria biografia”, disse, em entrevista por e-mail.
“Quem se interessar por Mário tem ao seu dispor dezenas de livros de correspondência, em que ele se coloca desinteressadamente, com a maior espontaneidade e sinceridade, própria de uma troca entre amigos.”
Indagado se recorreria à Justiça para impedir uma biografia do tio, afirmou: “Não raciocino sobre hipóteses”.Camargo diz saber do trabalho de Jason Tércio e que trocou com o biógrafo e-mails, cujo teor não quis revelar.
Segundo Tércio, o sobrinho de Mário lhe escreveu que ele não contaria “com a concordância, o apoio ou colaboração” da família.
Questionado sobre o relato do biógrafo, Camargo respondeu: “Conversas com meus interlocutores não são de interesse público”.
Ele tampouco quis comentar a versão de que a sexualidade de Mário seria entrave à publicação de uma biografia.
“Moacir Werneck de Castro, José Bento Faria Ferraz (só para citar dois que conviveram com Mário) já escreveram a respeito. Não tenho nada a acrescentar”, disse, citando o jornalista fluminense e o secretário pessoal de Mário.
Em seu livro “Exílio no Rio”, Werneck de Castro escreveu que Mário tinha uma “sexualidade reprimida, irrealizada ou mal realizada”.
“Nada havia em seu comportamento conosco, nem mesmo na desinibição ao fim de grandes chopadas, que o denotasse. (…) Parecia natural, próprio de sua personalidade, um certo dengo, a maneira engraçada de dizer, por exemplo, “‘Ah, que gostosura!’, ou escandindo as sílabas, ‘uma de-lí-cia!’ Era o jeito dele.”
Numa entrevista à Folha em 1997, Ferraz disse: “Soube que na estadia de Mário no Rio ele usava tóxicos, cocaína, sei lá o quê. Agora, se ele era homossexual, não sei”.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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LIVRO REÚNE MEMÓRIAS DE BOATE QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA DE NY

DJ. O artista americano Jean-Michel Basquiat e o pintor italiano Francesco Clemente

DJ. O artista americano Jean-Michel Basquiat e o pintor italiano Francesco Clemente

O lendário clube de Nova York Area abriu as portas em setembro de 1983 e funcionou por apenas quatro anos — o suficiente pra entrar para a história da cena noturna da cidade, em um tempo em que VIPs eram pessoas de todas as classes e, na fila da boate, você corria o risco de esbarrar em frequentadores como Andy Warhol ou Madonna.
Para celebrar essa época memorável da vida noturna da cidade, Eric Goode, um dos sócios-proprietários do clube, e sua irmã Jennifer Goode reuniram fotos, cartas e outras recordações de suas festas memoráveis no livro “Area 1983-1987”, lançado pela Abrams Books na semana passada.
“Quando inauguramos o Area nunca achamos que fosse durar”, diz Eric Goode no prefácio do livro. “As pessoas medem o sucesso de algo pela sua longevidade, mas tudo relacionado ao Area estava ligado à sua impermanência.”
Impermanência essa que, a cada seis semanas, transformava totalmente os 1.200 metros quadrados do clube de acordo com algum tema, como ficção científica, história natural e confinamento, com direito a tanques com tubarões, piscina, corujas vivas, performances e instalações superelaboradas feitas por frequentadores célebres como Keith Haring, Andy Warhol e Basquiat (namorado de Jennifer Goode na época). O banheiro era um clubinho à parte, onde rolava de tudo, entre orgias e um mercado eclético, em que o público encontrava de sanduíches de frango a jaquetas do Comme des Garçons a preço de custo.
Foi uma das boate mais concorridas da Nova York dos anos 1980, onde escritores, diretores, artistas e pessoas de todos os tipos se jogavam juntos na pista de dança. O clube ficou conhecido por colecionar frequentadores famosos. Entre os que batiam cartão por lá estavam Grace Jones, Boy George, Calvin Klein, Keith Richards e Malcolm Forbes (o chefão da revista “Forbes”), todos dividindo a pista — e a fila! — com o resto do público.
— O critério para entrar não era baseado em riqueza. Chegar de limusine era péssimo! — conta Goode.
— Eu me lembro perfeitamente de estar na pista do Area em 1987 e perguntar ao meu colega de quarto na época como se chamava aquela música incrível que eu estava ouvindo pela primeira vez. Ele respondeu: “isso se chama house music, é original de Chicago” — conta Roberto Chalu, empresário carioca que vivia em Nova York à época e teve a sorte de frequentar o clube pouco antes de seu fechamento.
Com o tempo, foram surgindo outras boates, e a pista de dança do Area foi diluída entre outras casas noturnas da cidade. Hoje, 30 anos depois de sua abertura, é possível entrar naquele mundo folheando as 367 páginas do livro — e sonhar um dia ter dançado naquela pista.

(Fonte: O Globo)

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GRUPO QUE TENTOU MODIFICAR LEI ÁUREA QUER MANTER CENSURA A BIOGRAFIAS

Eduardo Banks

Eduardo Banks

Um grupo que ainda não havia se pronunciado sobre a questão das biografias entrou no debate. Anteontem, a “Antiga e Iluminada Sociedade Banksiana (Associação Eduardo Banks)” foi aceita como parte interessada na ação que discute as biografias no Supremo Tribunal Federal.
A entidade é contrária à ação proposta pela Associação Nacional dos Editores de Livros, que classifica como “ostensiva esdruxularia”.
Para os editores, a exigência de autorização prévia para publicar biografias, norma vigente, é inconstitucional.
O criador da entidade é o carioca Eduardo Banks, definido no texto enviado à Corte como “filósofo, dramaturgo e compositor”. Ele foi candidato a vereador no Rio pelo PTB em 2006. Em 2010, propôs uma alteração à Lei Áurea, de 1888, com o objetivo de indenizar descendentes de proprietários de escravos.
Mais tarde, a Sociedade Banksiana também participou do julgamento sobre a união homoafetiva. A entidade se opõe à causa.
No texto enviado ao Supremo, o grupo de Banks pede a anulação da ação dos editores e os acusa de formar uma associação só para entrar com o processo na Corte.
O documento também diz que a biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, proibida pelo músico em 2007, “bem merece ser queimada” por ser “um livro ofensivo à honra e à imagem de um artista respeitado e reconhecido”.
A reportagem tentou entrar em contato com Banks anteontem, por telefone. Sua mãe afirmou que ele não estava e que poderia atender no dia seguinte. Ontem, ninguém atendeu.
A Associação Eduardo Banks é a quarta entidade a entrar como interessada no processo. Há o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a ONG Artigo 19 e a Academia Brasileira de Letras, que tentam derrubar os artigos 20 e 21. O Procure Saber, de Caetano e outros artistas, não entrou no processo.
Anteontem, o STF divulgou a lista dos primeiros expositores da audiência pública sobre o tema, que deve ocorrer amanhã e sexta. O próprio Banks deve falar pela associação. Além dele, estão a presidente da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado, o deputado federal Newton Lima (PT-SP) e o pesquisador e colunista da Folha Ronaldo Lemos.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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HOMENAGEM A LAERTE GUIA BALADA LITERÁRIA EM SÃO PAULO

Laerte e a Balada Literária

Laerte e a Balada Literária

Começou ontem e vai até domingo (24) a oitava edição da Balada Literária em São Paulo. O evento criado pelo escritor Marcelino Freire reúne pessoas em torno da literatura, do teatro, da música, do cinema e das artes plásticas.
Esta edição homenageia Laerte, cartunista da Folha, que participa de uma conversa amanhã, com escritores e o também cartunista Angeli.
“Fiquei emocionada quando o Marcelino me convidou. O pessoal dos quadrinhos dificilmente se vê como literatura e acho ótimo que essas fronteiras estejam caindo”, diz Laerte.
O criador do evento conta que, a cada ano, a Balada se transveste de seu homenageado. “Queremos fazer uma discussão sobre a mudança de gêneros, seja literária, seja sexual”, diz.
O fotógrafo J.R. Duran, que participa da programação, clicou seis autores caracterizados com o visual do sexo oposto. Duran também é o autor das imagens de Laerte que estão na exposição.
Entre os escritores nas fotos que serão exibidas durante o evento na Livraria da Vila estão a ganhadora do prêmio Saramago, Andréa del Fuego, e Ivana Arruda Leite, que participa de mesa com Vanessa da Mata.
Para Freire, o evento busca tirar a importância exagerada dada à literatura e aproximar os leitores dos escritores. “A Balada festeja a literatura lado a lado: ela está ali ao lado da batata frita, do provolone e da cerveja”, diz ele, lembrando que toda a programação do festival é gratuita. “A literatura não está num casulo cheio de discursos elaborados.”
Além de encontros com escritores, haverá peças de teatro, shows e a pré-estreia do filme “A Vida Não Basta”.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO
Quinta, 21, às 11h
Livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, 915; tel. 0/xx/11/3814-5811)
Conversa com Laerte
Sexta, 22, às 14h30
Livraria da Vila
Conversa com o escritor cubano Alberto Guerra Naranjo
Sábado, 23, às 17h
Biblioteca Alceu Amoroso Lima (av. Henrique Schaumann, 777; tel. 0/xx/11/3082-5023)
Conversa com finalistas do Prêmio Portugal Telecom 2013
Domingo, 24, às 14h30
Centro Cultural B_arco (r. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426; tel. 0/xx/11/3081-6986)
Batalha entre oito quadrinistas

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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STEPHEN KING LANÇA SEQUÊNCIA DE ‘O ILUMINADO’ E ROMANCE SOBRE A MORTE DE KENNEDY

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Danny Torrance, o garoto acossado por visões fantasmagóricas e torturante telepatia em “O Iluminado”, cresceu.
Enjaulou demônios do passado em caixas imaginárias, errou por muquifos repetindo o script paterno de ataques de fúria, roubou uma mulher desacordada. Então, seu criador, o escritor Stephen King, acenou com a redenção.
Na recém-lançada continuação de “O Iluminado”, “Doctor Sleep” (que sai em 2014 no Brasil pela Objetiva), o autor escala Danny para ajudar uma adolescente com poderes semelhantes aos dele a escapar de uma tribo de mortos-vivos.
“Desde 1977 [ano da publicação de ‘O Iluminado’], o personagem nunca saiu da minha cabeça”, diz King, 66, em entrevista à imprensa estrangeira de que a Folha participou, em Paris.
“Queria saber o que tinha acontecido a ele. E isso não é comum: normalmente, quando termino uma história, minha relação com aquelas figuras acaba.”
Ele conta ter inicialmente temido que “Doctor Sleep” desagradasse aos fãs.
“Quem me aborda para dizer o quanto se assustou tinha 14 anos quando descobriu o livro, sob as cobertas. É claro que amedrontei essas pessoas; eram presas fáceis, eram virgens”, brinca.
“Com 50 anos, já passaram por horrores como a perda de pessoas queridas, o câncer. Por isso, o interesse pelo gênero nessa faixa é menor.”
TELEPATIA
Ex-alcoólatra e ex-viciado em cocaína, o autor emprestou verniz autobiográfico, em “O Iluminado”, a Jack Torrance, o escritor beberrão e instável que aceita ser zelador de um hotel –o que vai representar sua ruína.
Os mais de 300 milhões de exemplares vendidos por King em quase 40 anos de trabalho (ao menos 70 títulos, entre romances, contos, poemas, novelas e não ficção) fazem pensar que talvez as origens da telepatia de Danny tampouco sejam remotas: o autor parece ter acesso privilegiado ao que vai pela cabeça de seus leitores.
Com uma antena de longo alcance, capta angústias, paranoias e valores de um microcosmo de escolas secundárias, supermercados, reuniões de Alcoólicos Anônimos e campos de beisebol. Esses sentimentos são quase que psicografados em tomos –“Doctor Sleep” tem 536 páginas na primeira edição americana–, aos quais King adiciona o sobrenatural.
“Sou um romancista da emoção”, define. “O que você pensa me interessa, mas antes quero comover, fazer você estremecer, seus olhos se esbugalharem. O assunto do livro você descobre depois.”
‘NOVEMBRO DE 63’
A literatura de King inclui carros, caminhões e latas de sopa que ganham vida, animais ensandecidos, extraterrestres, crianças com superpoderes psíquicos, cenários distópicos e viagens no tempo.
É a essa última estante que pertence “Novembro de 63”, romance histórico lançado agora no Brasil. O título é referência à morte do então presidente dos EUA, John Kennedy, num atentado em Dallas.
O episódio, que completa 50 anos nesta sexta-feira, é um dos gatilhos do périplo de um professor do Estado do Maine contemporâneo para setembro de 1958, quando tentará corrigir os rumos da história.
“É um daqueles raros momentos históricos em que tudo pode mudar pelas mãos de alguém que não é político, cientista, Nobel ou líder mundial”, diz o escritor.
Esse fascínio pelo “average Joe” (o zé-ninguém americano) é a pedra fundamental da prosa de King, ornada com uma pátina da “grande história” dos EUA, país que ele hoje vê como “um lugar surreal para se viver, porque os dois lados [republicanos e democratas] não se falam”.
Do autor que deixa fãs decidirem qual será seu livro seguinte e leiloa papel num romance vêm críticas a best-sellers da autopublicação:
“Não há filtros, ninguém para ler antes e dar conselhos. Você simplesmente joga lá [na internet]. Não há nada a ser feito, a não ser [esperar que] o público esteja interessado em qualidade. E é óbvio que nem todo mundo está, porque os livros ‘Cinquenta Tons de Cinza’, francamente, não são muito bons”.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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LIVRO INFANTIL QUE VIROU FENÔMENO NA FEIRA DE BOGOTÁ CHEGA AO BRASIL

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O livro é de 1993, mas só em julho deste ano virou um fenômeno de repercussão mundial. Durante a última edição da Feira do Livro de Bogotá, na Colômbia, uma das principais feiras de obras infantis do mundo, “Casa das estrelas”, do professor e poeta colombiano Javier Naranjo, ganhou destaque em vários jornais do mundo. O motivo era seu conteúdo engraçado, poético — e, às vezes, muito sombrio. Trata-se de um mergulho na mente das crianças. Naranjo pediu, ao longo de mais de dez anos, em um curso de criação literária para crianças de 3 a 12 anos, que seus alunos dessem definições para uma série de palavras: dinheiro, adulto, amor, medo e Igreja, entre outras. Agora, “Casa das estrelas” chega ao Brasil, lançado pela Foz Editora. Naranjo está no país e dá, amanhã, o mesmo curso para crianças do Complexo da Maré.
— A repercussão foi uma surpresa total, porque a primeira edição saiu em 1993, até com algumas reportagens na imprensa cultural colombiana. Não esperava que recebessem tão bem algo “velho” — disse Naranjo ao GLOBO, em entrevista por e-mail.
Definições sem rigor
O autor se lembra até hoje da primeira definição que chamou sua atenção. Ele e seus alunos de criação literária comemoravam o Dia da Criança quando um menino de 7 anos escreveu: “Uma criança é um amigo, que tem o cabelo curtinho, joga bola e pode ir ao circo”. Uma garota de 8 anos também definiu a palavra: “Para mim, a criança é algo que não é um cachorro, é um humano que todos temos que apreciar.” Naranjo diz que gargalhou e resolveu continuar.
— Não há rigor e disciplina (nessas definições), palavras tão caras a alguns escritores. E é por isso que, desconhecendo as regras da linguagem, as crianças são capazes, em seu abandono, de descobertas inesperadas, sintaxes enviesadas e construções loucas. São faíscas nas quais aflora a poesia, que é o encontro fortuito de duas palavras pela primeira vez — diz Naranjo.
De fato, vários dos “verbetes” são marcados pela poesia — que, segundo Eulália Vélez, de 12 anos, é a “expressão dos reprimidos”. O nome do livro, aliás, “Casa das estrelas”, é definição de uma garota de 9 anos para a palavra universo. Algumas mostram a ingenuidade infantil, como chuva, que, diz um garoto de 9 anos, “é Jesus fazendo xixi.” Outras definições poéticas surpreendem por sua profundidade: igreja, por exemplo, nas palavras de uma menina de 7 anos, é “onde as pessoas vão perdoar Deus.”
Para além do lirismo involuntário e do bom humor, as crianças dão definições sombrias e mórbidas para algumas palavras. Nelas aparece, por exemplo, o medo da morte. Medo, aliás, nas palavras de uma criança de 6 anos, “é quando minha mamãe dirige um carro e uns senhores que trabalham no encanamento não têm o que comer, e quebram o vidro do carro e matam ela e matam meu papai e vivo sozinho.”
— Mórbido, para nós adultos, implica algo doentio. E pode ser que seja a palavra exata, porque nas frases as crianças também mostram seus medos, dúvidas e dores imensas que carregam nas costas quando não os escutamos — diz Naranjo. — Costumamos pensar que as crianças não têm essa dimensão sombria, mas é doloroso constatar que ela existe.
O escritor lembra que a morte, para muitas crianças, parecia uma palavra proibida. Mas Naranjo defende que “é preciso ter a morte conselheira, para valorizar mais o milagre de existir”. Na opinião dele, muitas crianças veem a morte com essa tranquilidade, embora sintam medo tanto da morte natural como da causada pela violência (“Alguém pega uma menina e faz amor”, diz um garoto de 6 anos sobre a palavra).
Exército e narcotráfico
Os alunos de Naranjo eram da Antioquia, província colombiana marcada pelo conflito entre as forças armadas e o narcotráfico. Diante disso, polícia, para uma criança de 11 anos, “é o que quer que a paz termine”. Militar é um “ser consciente de que matam eles”; e mafioso “é uma pessoa com muito dinheiro, que não gosta de nada.”
Sombrios ou líricos, os verbetes são marcados pela poesia, por assim dizer, naïf.
— Elas têm um olhar mais poético (que os adultos), porque não se encheram de regras. São mestres de um olhar mais atento — diz o autor.

(Fonte: O Globo)

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MIGUEL FARIA JR. FALOU SOBRE SAUDADE DE VINICIUS DE MORAES

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O diretor Miguel Faria Jr. contou, dia 19/11, na Casa do Saber O GLOBO, as histórias por trás de seu documentário “Vinicius”, de 2005, que reúne histórias e depoimentos sobre Vinicius de Moraes. A palestra, mediada pelo colunista do Segundo Caderno Arnaldo Bloch, foi a segunda da série “Vinicius em 3 tons”, que faz parte do ciclo Encontros O GLOBO, como parte da comemoração pelo centenário do Poetinha.
Faria Jr. falou a um auditório cheio, logo depois de seu documentário ser exibido. Bloch iniciou a conversa perguntando qual era o papel do uísque na hora de conseguir depoimentos de artistas como Maria Bethânia e Chico Buarque para o filme.
— Uísque não tinha, não. Mas tinha um vinho. A ideia sempre foi fazer entrevistas tão descontraídas quanto possível — disse o diretor. — Procurei pessoas com quem eu já tinha intimidade e gravei mais de 20 horas de depoimento com cada uma. A maioria é de amigos. Sempre que saímos para jantar, depois da primeira taça, baixa o Vinicius, essa coisa de querer falar dele.
Miguel Faria Jr. afirmou ainda que, oito anos depois de o filme ter sido lançado, vê que a base emocional do longa-metragem é a saudade do Poetinha.
— Demorei um pouco para ver que era essa a emoção central do filme. Nas primeiras semanas, só iam pessoas mais velhas ao cinema. Da quarta em diante, começaram a ir os mais jovens. E vi que vários, mesmo sem ser contemporâneos do Vinicius, diziam sair do cinema sentindo saudade — afirmou o diretor.
Faria Jr. lembrou que o pedido da família do poeta, no começo, era que ele fizesse um filme de ficção. Chegou a trabalhar no roteiro com Adriana Falcão, mas desistiu. Achou que a imagem de Vinicius — e de alguns personagens, como Chico e Caetano — ainda estava muito viva na memória do público.
— Vi que era difícil escalar atores, porque todos se lembram muito do Vinicius. Além do mais, quem ia interpretar Chico e Caetano? Seria uma dificuldade de verossimilhança enorme — afirma Faria Jr.
O diretor de “Vinicius” lembrou ainda como falar do poeta provocava emoções fortes em seus entrevistados. Ele contou que, ao fim do depoimento, Chico chorou, depois de dizer que sentia falta do jeito como o poeta ria. Faria Jr. deixou a imagem de fora, por achar que seria “excessivo.”
Miguel Faria Jr. conheceu Vinicius não só como leitor, mas como sogro — foi casado por oito anos com uma das filhas do poeta, e lembra como Vinicius ficou “mais formal” com ele após o casamento. Para fazer o filme, pesquisou o acervo do poeta, lendo cartas e anotações deixadas por ele. E diz que sentia “um grilo” por estar devassando sua intimidade.
A série de encontros termina na próxima terça-feira, às 17h, com “Vinicius Palavra”, debate sobre as diversas facetas literárias do artista, com a análise de José Castello, do poeta e pesquisador Eucanaã Ferraz e do doutor em Literatura pela PUC-RJ Miguel Jost. A conversa terá mediação do jornalista do GLOBO André Miranda.

(Fonte: O Globo)

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WILL CONRAD GANHA SKETCHBOOK PELA CRIATIVO EDITORA

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O artista brasileiro Will Conrad, que já fez diversos trabalhos para o mercado norte-americano – incluindo as editoras Marvel, Dark Horse, Dynamite, Top Cow e, atualmente, DC Comics, acaba de ganhar um sketchbook apresentando alguns desenhos de sua carreira. O lançamento, da Criativo Editora, aconteceu no 8° Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte.
Ele já ilustrou personagens como Wolverine, Homem-Aranha, Novos Vingadores, Serenity, Kull, X-23, Pantera Negra, Capitão América, X-Men, Novos Titãs, Stormwatch, Lanternas Vermelhos e Asa Noturna.
O sketchbook traz diversos desenhos em distintas fases de acabamento, acompanhados de comentários e curiosidades (em português e inglês) do próprio autor sobre as obras.

(Fonte: Universo HQ)

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ESCRITORA MEXICANA ELENA PONIATOWSKA VENCE PRÊMIO CERVANTES

A escritora mexicana Elena Poniatowska

A escritora mexicana Elena Poniatowska

A escritora mexicana Elena Poniatowska, 81, é a vencedora da edição de 2013 do Cervantes, principal prêmio literário em língua espanhola. O anúncio foi feito nesta terça-feira (19) pelo ministro da Educação, Cultura e Esporte da Espanha, José Ignacio Wert.
O prêmio, no valor de 125 mil euros (cerca de R$ 381 mil), é oferecido todo ano pelo governo espanhol, alternando a homenagem entre escritores espanhóis e latino-americanos. No ano passado, o vencedor foi o poeta e romancista espanhol José Manuel Caballero Bonald.
No Brasil, há somente um livro dela disponível, o romance “A Pele do Céu”, publicado em 2003 pela editora Objetiva. O protagonista foi inspirado no seu marido, o astrônomo mexicano Guillermo Haro (1913-88).
Poniatowska nasceu em Paris, em 1932, de mãe mexicana e pai descendente da família real polonesa. Mudou-se para o México aos dez anos, onde se naturalizou.
A cerimônia de premiação ocorrerá na Universidade de Alcalá de Henares no dia 23 de abril do ano que vem, aniversário da morte do autor espanhol Miguel de Cervantes.
O prêmio foi dado pela primeira vez em 1976 ao poeta Jorge Guillén e já teve entre seus vencedores o argentino Jorge Luis Borges, o cubano Guillermo Cabrera Infante, o peruano Mario Vargas Llosa e o espanhol Camilo José Cela.
O ganhador é escolhido por um júri formado por acadêmicos, ex-homenageados e membros da imprensa.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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