NOVEMBRO – 2013

SEM COMEDIMENTO

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“L’Extraordinaire Voyage du Fakir qui Etait Resté Coincé dans une Armoire Ikea” (a extraordinária viagem do faquir que ficou preso num armário Ikea) é o título do primeiro romance de Romain Puértolas, que a Record lança em 2014.
O autor era policial na fronteira francesa, com sete romances rejeitados por editoras, quando a pequena Le Dilettante topou publicar “L’Extraordinaire Voyage…”. As aventuras do faquir Ajatashatru Lavash Patel já atraíram 100 mil leitores desde agosto, serão traduzidas em 35 países e estão em disputa por quatro produtoras de cinema na França.

(Fonte: Painel das Letras – Folha de S. Paulo)

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JORNAL PESSOAL

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Fora de catálogo há três décadas, o “Diário da Tarde”, do cronista Paulo Mendes Campos (1922-1991), ganhará edição nos próximos dias pelo Instituto Moreira Salles.
Sairá no formato tabloide, idealizado pelo mineiro. É composto por 20 edições do jornal imaginário do autor, cada uma delas com oito seções fixas, tratando de futebol a literatura.

(Fonte: Painel das Letras – Folha de S. Paulo)

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FILTRO

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Um raro acordo entre um site de compartilhamento não autorizado de livros e uma entidade de editores foi firmado na quinta-feira, após ação movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABRD).
Pelo acordo, o site de material acadêmico Ebah, que contém mais de 2,6 milhões de usuários e armazena 181 mil títulos, terá de manter um filtro por tempo indeterminado para impedir o upload de conteúdos de livros dos associados do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) e da ABDR.

(Fonte: Painel das Letras – Folha de S. Paulo)

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A VOZ DO RADICAL CHIC

LIVRO REPRODUZ ÚLTIMA - E RARA - ENTREVISTA DE LEONARD BERNSTEIN

LIVRO REPRODUZ ÚLTIMA – E RARA – ENTREVISTA DE LEONARD BERNSTEIN

Ninguém utilizou de modo mais eficiente e revolucionário as novas técnicas de comunicação da segunda metade do século 20 do que Leonard Bernstein (1918-1990). Durante catorze anos, ampliou de modo espetacular as plateias de música clássica nos Estados Unidos comandando a série de televisão Young People’s Concerts; esmiuçou as mais diferentes facetas da arte musical em 53 programas de TV da série Omnibus. Além disso, é o músico com maior número de registros em áudio e vídeo do século, cerca de 400.
Lenny, no entanto, só gostava da comunicação quando tinha controle absoluto sobre ela. Manejou a mídia e a opinião pública com o mesmo talento com que galvanizou músicos e plateia, totalmente seduzidos por sua regência teatral que, porém, jamais abdicou de elevada qualidade artística. Por isso, ninguém, igualmente, no mundo da música do século 20, teve sua vida particular mais devassada.
Maestro, compositor de concerto e da Broadway, autor de inúmeros livros de ensaios e comunicador, Bernstein foi a maior celebridade da música clássica no século. Ativista político, tem ficha extensa no FBI norte-americano por seu envolvimento com a esquerda ainda como estudante em Harvard. Quando deu um jantar para um grupo de Panteras Negras em seu elegantíssimo apartamento da Park Avenue em Manhattan, um jornalista clandestino registrou tudo. Era Tom Wolfe, que se celebrizou a partir do artigo Radical Chic e chancelou em definitivo a celebridade do maestro, o primeiro americano a assumir a direção da Filarmônica de Nova York. Democrata até a medula, Lenny foi íntimo dos Kennedy e abriu publicamente sua condição homossexual, mas mantendo o casamento com a chilena Felicia Montealegre até a morte dela, em 1978.
Deu raras entrevistas jornalísticas. Em novembro de 1989, um ano antes de sua morte, abriu exceção para Jonathan Cott, um dos mais respeitados jornalistas da revista Rolling Stone. Eles conversaram durante doze horas ininterruptas na casa de campo do maestro em Connecticut. O material daria um livro, pensou Cott. Mas naquele momento foi obrigado a fazer uma edição enxuta de 8 mil palavras para a revista.
Pois agora ela finalmente está sendo publicada nos Estados Unidos na íntegra, em livro. Cott não diz, mas provavelmente teve seu pedido de entrevista aceito por Lenny porque este lera seu livro Conversas com Glenn Gould. O pianista canadense era seu ídolo confesso. Por outro lado, Cott resolveu, nos últimos tempos, abrir seu baú de entrevistas jornalísticas de fôlego e publicá-las em livro. Em seguida a este Dinner with Lenny , ele também lança Susan Sontag – The Complete Rolling Stone Interview.
De fato, Cott obteve uma entrevista excepcional, que ultrapassa largamente o nível jornalístico e ilumina aspectos do DNA musical de Lenny e sobretudo passagens importantes de sua carreira até agora desconhecidas. Que Lenny era desbocado, já se sabia. Mas na entrevista pululam expressões como “Richard-Fucking-Nixon” (nas gravações de Watergate, este chama o maestro de “son of a bitch”). Em outro momento, indeciso entre reger ou não a décima sinfonia, que Mahler deixou inacabada, confessou a um colega que “só tenho uma pergunta: será que ela vai me proporcionar um orgasmo?”

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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LANÇAMENTO DO LIVRO A ESCALADA DE EVA – AS DUAS FACES DE UMA HISTÓRIA

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Elaine Elesbão, uma carioca radicada no Distrito Federal, estreia como escritora neste sábado, 9, lançando o livro As Duas Faces de Uma História, o primeiro livro da trilogia A Escalada de Eva, na livraria Cultura do Casapark de Brasília a partir das 15h. As Duas Faces de Uma História chega às livrarias com o preço de R$44,90 e é um hotbook com 284 páginas que conta uma história recheada de cenas tórridas de sexo, que segundo a autora, não conseguiu escrever sem chegar aos “finalmentes”. Elaine Elesbão consegue fazer isso com naturalidade e de forma tão sagaz que impressiona, mesmo com cenas fortes, o enredo segue imperioso e às vezes impiedoso com os personagens que circulam entre as emoções, encontros e desencontros com a naturalidade de quem vive uma vida comum. Escrito a partir da visão feminina acerca do relacionamento homem-mulher, o livro conta em detalhes a caminhada da personagem, Eva, em busca de recuperar sua vida amorosa depois que viveu uma tragédia. Repete algumas histórias que vivenciamos no dia-a-dia e surpreende em seu desfecho e na forma como a autora brinca com as palavras, cenas e situações que impõe aos seus personagens. Eva e Thomas são os principais e é em torno deles que toda a história acontece com cenas em bares, no escritório de advocacia, no consultório médico, na garagem, na praia e na fazenda. Tudo muito comum ao dia-a-dia de pessoas da classe média alta no Brasil. Geograficamente o romance se dá em São Paulo e na cidade de Ribeirão Preto, com passagens por Fortaleza, Miami e Fort Lauderdale. Cidades que Eva usa para conhecer o seu novo amor e tentar descobrir porque existem tantas semelhanças e diferenças entre o homem que ama e o que amou há dez anos. Durante a narrativa o livro aguça praticamente todos os sentidos. A audição e o paladar são constantemente explorados pela autora numa forma de ligar o apetite dos personagens a todas às surpresas que prepara para eles. Impossível ler e não querer escutar no finalzinho do livro uma peça escrita por Bach para violão e aí vale qualquer uma, as citadas no livro ou as que estão à disposição no Youtube, elas dão uma ambientalização mais forte ao romance.
Por ser uma trilogia fica a pergunta logo após a última página e agora o que vai acontecer?

(Fonte: Brasília Agora – por Walberto Maciel)

Leia sinopse: http://www.elaineelesbao.com.br/?page_id=20
Veja o Fan trailer: http://www.youtube.com/watch?v=8i7HoZM8-_M

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PABLO NERUDA NÃO FOI ENVENENADO PELA DITADURA CHILENA, REVELAM EXAMES

Pablo Neruda

Pablo Neruda

O poeta e prêmio Nobel chileno Pablo Neruda não foi envenenado pela ditadura de Augusto Pinochet em 1973, e sua morte aconteceu em decorrência de um câncer de próstata, indicaram nesta sexta-feira os médicos responsáveis por estabelecer as causas da morte.
“Não encontramos nenhum agente químico relevante que poderia estar relacionado com a morte de Pablo Neruda”, declarou Patrick Bustos, diretor do Serviço Médico Legal (SML) do Chile, ao entregar o relatório com as conclusões da análise dos restos mortais do poeta.
“Confirmamos, por meio de várias técnicas complementares, a existência de lesões metastáticas disseminadas em vários segmentos do esqueleto em justa correspondência com a doença que atingia o Sr. Pablo Neruda”, acrescentou Bustos durante uma coletiva de imprensa.
Mas Mario Carroza, juiz que ordenou a investigação, indicou que esses resultados não concluem o caso e que ainda não está em condições de afirmar se Neruda foi ou não assassinado.
“Neste momento não posso afirmar com certeza. Judicialmente, o juiz não pode afirmar algo de forma tão categórica sem ter todas as evidências, e neste momento não sabemos se temos todas as provas”, declarou Carroza a jornalistas.
Precisamos avançar nas investigações “para emitir um juízo deste tipo”, acrescentou, considerando a possibilidade de ordenar novos testes.
SUSPEITAS
Militante comunista, Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, 12 dias após a instalação da ditadura de Augusto Pinochet. Na época, o poeta foi internado na Clínica Santa Maria de Santiago, para tratar de um câncer de próstata avançado.
Dúvidas sobre as causas de sua morte foram levantadas por seu ex-motorista e amigo, Manuel Araya, que disse que, horas antes de sua morte, Neruda teve inoculado em seu peito uma substância misteriosa, que o teria matado.
Além disso, outros casos reforçaram as suspeitas de envenenamento. Na mesma clínica onde Neruda morreu, mas nove anos depois, o ex-presidente Eduardo Frei Montalva (1964-1970) morreu devido a uma “introdução gradual de substâncias tóxicas”, segundo determinou a justiça em um caso que permanece em aberto.
Embora seja mais conhecido por sua coleção “Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada”, publicada em 1924, Neruda foi também um importante ativista político durante uma época turbulenta do Chile.
Ele organizou uma viagem de navio para levar cerca de 2 mil refugiados da Guerra Civil Espanhola para o Chile, em 1939, e foi embaixador na França.
Amigo do presidente socialista salvador Allende, que cometeu suicídio no momento do ataque das forças de Pinochet à sede da presidência, Neruda planejava viajar ao México para comandar a oposição ao novo governo golpista.
O golpe militar pegou o poeta de surpresa em sua casa em Isla Negra, uma pequena cidade na costa do Pacífico, quando já sofria há anos de câncer de próstata, que o havia afastado da vida pública.
A análise dos restos mortais de Neruda, exumado de seu túmulo à beira-mar no balneário de Isla Negra (costa central do Chile), foi realizada por 11 especialistas chilenos e estrangeiros e liderada pelo especialista espanhol Francisco Etxeberría, da Universidade de Múrcia, na Espanha, e Ruth Winickett, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
A família do poeta afirmou nesta sexta-feira que o caso não está fechado e que continuará a lutar para que todas as questões sejam esclarecidas.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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ESCRITOR MARCELINO FREIRE UNE SEXO E MORTE EM LIVRO ‘AUTOPORNOGRÁFICO’

Por vezes é difícil separar o criador da criatura no romance "Nossos Ossos".

Por vezes é difícil separar o criador da criatura no romance “Nossos Ossos”.

Marcelino Freire, 46, o autor do livro, nasceu em Sertânia (PE), caçula de uma família de nove filhos. No começo dos anos 1990 mudou-se para São Paulo por causa de um amor,que começou a degringolar tão logo botou os pés na rodoviária Tietê.
Sem um tostão, morou de favor na casa de um amigo e passou por vários empregos até firmar-se como escritor.
Ponto por ponto, é quase tudo idêntico à trajetória pessoal e artística de Heleno de Gusmão, o personagem principal de “Nossos Ossos”.
Mas tudo isso não significa, assegura Freire, que o livro seja propriamente um romance autobiográfico. Ele prefere um termo menos literário para classificá-lo.
“O personagem tem muita coisa de mim, mas o enredo é quase todo inventado. Na verdade, é mais um livro autopornográfico”, conta, entre gargalhadas. “Muitas das putarias e sacanagens que escrevi aconteceram comigo ou com meus amigos.”
Heleno de Gusmão, narrador do romance, é um dramaturgo de sucesso, por volta de 60 anos. No começo da trama, ele tenta resgatar no necrotério o corpo de um jovem amante, misteriosamente assassinado, e levá-lo de volta para a família, que vive em Poço do Boi, interior de Pernambuco.
A jornada quase detetivesca de Heleno, por onde desfilam michês, atores, policiais, travesti e taxistas, acaba por compor um retrato um tanto vivo da vida paulistana.
“Nossos Ossos” é o primeiro romance de Freire, criador do festival Balada Literária, em 2006. Até então, dedicava-se às narrativas curtas, seja em seus próprios livros (entre eles “Contos Negreiros”, vencedor do Prêmio Jabuti em 2006) ou nas coletâneas que organizou, como “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”.
O romance preserva a marca estilística de seus contos (a oralidade nordestina dos diálogos, os jogos de palavras, o humor mordaz), mas também trouxe mudanças.
“Meus contos são quase gritos, mais rock pauleira. No romance você não pode ficar berrando o tempo todo na cabeça do leitor. Então os gritos ficaram mais abafados, são músicas mais orquestradas.”

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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CENTENÁRIO DE ALBERT CAMUS TEM FESTEJO DISCRETO

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ALBERT CAMUS

O centenário de Albert Camus (1913-1960), no dia 7 de novembro, foi comemorado de modo discreto, com poucos lançamentos. Em parte, porque a celebração do escritor franco-argelino, vencedor do Nobel de Literatura em 1957, foi antecipada nos 50 anos de sua morte, em 2010, com uma enxurrada de livros.
A começar pelo fundamental “Dictionnaire Albert Camus”, de Jeanyves Guérin, e pela fotobiografia “Albert Camus – Solitaire et Solidaire”, de Catherine Camus, sua filha. Dessa obra deriva, agora, “Le Monde en Partage” (O mundo compartilhado, ed. Gallimard), em que ela reúne fotografias e manuscritos centrados em suas viagens.
Já “O Estrangeiro” acaba de ganhar, pela Gallimard, edição acompanhada de livreto que reconstitui a correspondência entre seu editor e intelectuais como André Malraux e Jean Paulhan, assombrados com o romance que o projetaria na cena literária, em 1942.
Aliás, a Record programa para esta semana uma edição comemorativa de “O Estrangeiro” no Brasil. É o único lançamento no Brasil relacionado à data comemorativa.
Mas há outro motivo para a timidez das celebrações. Após sua morte, Camus foi duplamente demonizado. Por causa da polêmica que selou sua ruptura com Sartre, em 1952, após a publicação de “O Homem Revoltado” (libelo contra a justificação do terror revolucionário). E pela posição hesitante na guerra de independência de sua Argélia natal: filho de franceses pobres, Camus não se via como colonizador e desejava a convivência pacífica entre árabes e europeus.
Nos anos 1990, a publicação de “O Primeiro Homem”, inacabado romance autobiográfico, foi pretexto para a reabilitação de Camus –não mais visto como o libertário que era, mas como social-democrata e apóstolo da moderação. O ápice foi a proposta (fracassada) de Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, de transferir suas cinzas para o Panthéon, em Paris.
CANONIZAÇÃO
A voz mais potente a se elevar contra a condenação da esquerda e a canonização da direita foi a do filósofo Michel Onfray, que no recente “L’Ordre Libertaire” (A Ordem Libertária, ed. Flammarion) mergulha nas fontes anarquistas do pensamento de Albert Camus.
E na Argélia, que durante muito tempo ignorou o “filho ingrato”, cuja ficção manteve os árabes num mudo anonimato, se esboça visão mais complexa de seus dilemas éticos.
Se “Le Dernier Été d’un Jeune Homme” (O Último Verão de um Jovem, ed. Flammarion), de Salim Bachi, é uma biografia romanceada, dois livros retomam ficcionalmente o protagonista de “O Estrangeiro”.
Em “Aujourd’hui, Meursault Est Mort” (Hoje, Meursault Morreu, e-book), de Salah Guemriche, e “Meursault, Contre-enquête” (Meursault, Contra-investigação, ed. Barzakh) de Kamel Daoud, cruzam realidade e ficção, confrontando Camus com árabes como o que Meursault (protagonista de “O Estrangeiro”) assassinou “por causa do sol”.
O recurso irônico faz jus a um escritor cuja percepção do absurdo acolheu a gratuidade (e a culpa) dos gestos radicais e que, contrário a prescrições ideológicas, expressou a recusa de fazer da história uma finalidade em si mesma.
Como escreveu Camus em “O Homem Revoltado”, “o homem não é totalmente culpado, não foi ele que começou a história; nem inocente, já que a continua”.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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LIVRO SOBRE GRAFITE EM SP REÚNE IMAGENS QUE FORAM APAGADAS NOS ÚLTIMOS 8 ANOS

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O fotógrafo Ricardo Czapski, 45, estava a caminho do dentista quando clicou um varal de roupas pintado num muro. Uma semana depois, no retorno da consulta, encontrou um borrão branco no lugar da ilustração. Clicou de novo.
“É sempre assim”, diz. “O artista faz o desenho, ele fica ali um tempo e a prefeitura cobre de branco.”
A boa nova é que parte desses “grafites fantasmas” está de volta graças ao recém-lançado “Graffiti SP” (R$ 59). O livro reúne fotos de obras de 80 artistas de rua, captadas entre 2005 e 2013 em vários bairros de São Paulo.
Entre os autores, figuras conhecidas como Crânio, Speto, Chivitz, Paulo Ito, Mundano, Marina Zumi e Magrela.
Segundo o fotógrafo, a avenida Sumaré, em Perdizes (zona oeste), é um dos lugares onde mais imagens são apagadas na cidade.
“Um muro dali já mudou de grafite umas cinco ou seis vezes”, diz.
Alguns desses casos resultam em estranhas “mutações”.
“No livro tem um polvo grafitado na Vila Madalena, fotografado em 2009. Hoje, quem passa lá vê um caramujo.”
CÓDIGO DE ÉTICA
Neto de Wolfgang Pfeiffer, curador do MAC-USP nos anos 70 e 80, Czapski diz que existe um “código de ética muito sério” entre os grafiteiros.
“Quando um artista pinta em cima do do outro é porque tem autorização. O ‘pau come’ se alguém destrói o trabalho alheio”, diz.
Para o fotógrafo, a maior dificuldade é com os pichadores, “que não respeitam muito”.
“Os grafiteiros são uma comunidade pequena, todo mundo se conhece e se respeita. Os caras nao ganham nada para pintar rua. Pelo contrario, eles gastam com tinta e transporte.”
Quem ficar curioso não precisa ir até a livraria. Como os próprios grafites, visíveis a qualquer um que passar na rua, a publicação tem download gratuito pelo sitewww.graffitisaopaulo.com.br.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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OS CEM ANOS DE ‘EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO’

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A data, pelo menos no Brasil, deve passar sem grandes celebrações. A próxima quarta-feira marca os 100 anos do lançamento de “No caminho de Swann”, o livro que inaugurou uma das obras mais importantes — e menos lidas — da literatura mundial. Não porque os temas de “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust, tenham envelhecido, mas porque pouca gente se dispõe a atravessar seus sete volumes — quase quatro mil páginas na edição brasileira, da Globo Livros. Mesmo sem festa, o romance de Proust vive um momento importante no país. A Globo Livros terminou, há poucos meses, a reedição da obra, com traduções de Mario Quintana, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Além das novas edições no mercado, “No caminho de Swann” vai ganhar mais uma versão brasileira, traduzida pelo jornalista Mario Sergio Conti, colunista do GLOBO. A Companhia das Letras planeja lançá-la no ano que vem. Lá fora, a Sotheby’s vai leiloar, dia 26, em Paris, a carta em que André Gide, um dos quatro editores que rejeitaram o manuscrito de Proust na época, se diz arrependido do erro.
Nunca é fácil resumir sobre o que o livro trata. Grosso modo, “Em busca do tempo perdido” narra a vida de Marcel — o protagonista, cujo nome só é citado duas vezes no romance — em seu percurso para se tornar escritor. Ao longo da história, Proust apresenta reflexões sobre o amor, a arte, a passagem do tempo, a homossexualidade. Uma de suas ideias mais originais, porém, é a distinção entre memória voluntária e involuntária. Para Proust, não é possível acessar o próprio passado por meio da inteligência. Só a memória involuntária, disparada por algum elemento, é capaz de recuperá-lo. Daí a cena clássica da madeleine. Ao mergulhar o doce numa xícara de chá e prová-lo, o protagonista relembra toda a sua infância na cidade fictícia de Combray.
— O romance tem uma energia rejuvenescedora. Proust nos revela muito sobre a experiência humana. Apesar de ter 100 anos, é uma obra muito moderna. Quem lê sempre reconhece, nos personagens, pessoas do seu convívio ou a si mesmo — diz William C. Carter, autor de “Marcel Proust — A life”, definido pelo crítico literário Harold Bloom como o “biógrafo definitivo” do escritor francês.
O biógrafo lembra que Proust nunca precisou trabalhar, porque vinha de família rica: seu pai era professor universitário, e a família de sua mãe era de banqueiros. Depois da morte dos pais, acometido pela asma, Proust se trancou no apartamento da família, onde escreveu o grande clássico. As paredes eram cobertas de cortiça, para evitar a propagação de ruídos.
A fama de “obra difícil”, como lembra a escritora Lydia Davis, vencedora do Man Booker International deste ano e tradutora de “No caminho de Swann” (leia entrevista ao lado), explica a relutância de alguns leitores em embarcar em Proust. Um dos motivos vem do fato de ele ter escrito períodos longos, embora a fama nem sempre seja justificada. Em 1975, no livro “La phrase de Proust”, o crítico Jean Milly investigou a musicalidade da frase proustiana, apontando ritmos, aliterações, número de sílabas métricas etc. E também contou as frases de “No caminho de Swann”, descobrindo que quase 40% delas são curtas, ocupando de uma a cinco linhas. Menos de um quarto têm dez linhas ou mais. Em “A prisioneira”, porém, como diz Étienne Brunet em “Le vocabulaire de Proust” (1983), há um período com 400 palavras — o equivalente a quatro metros de comprimento, se alinhadas.
— O problema de Proust, para muitas outras pessoas, não é o tamanho dos períodos, mas a sintaxe, a mudança constante de direção da frase. Cada vez que ela muda, você deixa um pensamento em suspenso, o que exige concentração. Esse exercício de pensamento se tornou incompatível com a fragmentação do século XXI — diz o filósofo e ensaísta Francisco Bosco, também colunista do GLOBO, que tentou ler os livros três vezes antes de engatar na leitura.
As editoras que Proust procurou em 1913 também acharam difícil. Quatro recusaram o original e entraram para a lista folclórica dos editores que não perceberam o valor de um clássico. Ao primeiro deles, Proust propôs um livro em dois volumes: “O tempo perdido” (depois rebatizado de “No caminho de Swann”) e “O tempo reencontrado”. Ambos receberiam o título de “As intermitências do coração”. Depois, o escritor procurou a Nouvelle Revue Française (NRF) — hoje Gallimard. Deu na mesma. André Gide, um dos editores, diz na carta que vai a leilão que a rejeição seria um dos seus “mais amargos arrependimentos”. Proust só conseguiu publicar na quinta editora (Grasset) — e, mesmo assim, só depois de bancar a impressão e prometer dividir o lucro das vendas.
Revisão obsessiva
Para além da curiosidade, o episódio ajuda a lembrar que Proust escreveu o primeiro e o último volumes antes. Só depois foi incluindo os demais. Ele reescrevia e anotava sobre seus originais obsessivamente. Deixou 75 cadernos, que um grupo de pesquisadores franceses, japoneses e brasileiros se esforça, há dez anos, para transcrever e publicar. Prova de que “Em busca do tempo perdido” é uma obra inacabada. Ninguém sabe o que Proust teria mudado se estivesse vivo quando os três últimos volumes (“A prisioneira”, “A fugitiva” e “O tempo redescoberto”) foram publicados, respectivamente em 1923, 1925 e 1927.
Não à toa, na década de 1970 os sete romances foram revistos, a partir de manuscritos do escritor, que comparava seu ciclo de romances a uma catedral gótica, erguida até os céus. Diante dessas mudanças, a Globo Livros precisou reeditar a obra — com base na edição de 1970. A tradução de “No caminho de Swann”, por exemplo, era de 1948, antes de a edição definitiva ser estabelecida na França. Para realizar o trabalho, foi chamado Guilherme Ignácio da Silva, o primeiro brasileiro a transcrever um dos cadernos de Proust, em 1998.
— Uma das melhores dicas para quem quer ler o livro vem de André Gide, que aconselha a leitura em voz alta. Na faculdade, fazemos exercícios de leitura em voz alta do original e na tradução brasileira — diz Da Silva, que também é professor de língua e literatura francesas na Unifesp.
Que a “Recherche”, como dizem os franceses, ainda seja discutida, é prova de um dos pensamentos de Proust. Só pela imaginação e pela lembrança o passado ganha significado. Para ele, que morreu em 1922, aos 51 anos, ao recriar a realidade por meio de sua visão particular, o artista consegue vencer o tempo.
Proust em outras mídias
QUADRINHOS: A editora Zahar publicou no Brasil uma adaptação de “Em busca…”, também em sete volumes, feita pelo artista Stéphane Heut. Os quadrinhos foram elogiados na França como uma boa introdução à obra do escritor. Já a L&PM prepara, para junho de 2014, uma adaptação em mangá da obra de Proust.
ANIMAÇÃO: Absorvido pela cultura pop, Proust virou referência até no desenho “Ratatouille”, da Pixar. A cena em que o crítico de gastronomia prova a comida e se lembra da infância é uma referência direta à passagem da madeleine.
CINEMA: Em 1984, Volker Schlondörff filmou “Um amor de Swann”, trecho do primeiro volume. Raúl Ruiz, em 1999, adaptou “O tempo redescoberto”, com Catherine Deneuve e Marcello Mazzarella (foto). Em 2000, a belga Chantal Akerman filmou o sexto livro, “A fugitiva”.

(Fonte: O Globo)

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