OUTUBRO – 2013

SAI O LIVRO ‘NOTAS SOBRE UMA POSSÍVEL A CASA DA FARINHA’, AUTO DE JOÃO CABRAL

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Em meados dos anos 1980, o poeta João Cabral de Melo Neto entregou para a filha Inez um fichário escolar com alguns manuscritos dentro. “A cegueira não me deixou terminar, faça o que quiser com isso”, disse o escritor a respeito do estudo para um auto que se chamaria A Casa da Farinha. O texto finalizado resumia-se a poucos diálogos, mas Inez percebeu que o material entregue pelo pai trazia uma joia rara: seu processo criativo.
“Ao ler o texto, deparei-me com seu jeito de ser e trabalhar, e com o caminho percorrido desde a ideia inicial até o trabalho concluído”, escreve ela no prefácio de Notas Sobre um Possível A Casa da Farinha, publicado agora pela editora Alfaguara.
Trata-se dos bastidores de uma criação na qual João Cabral começou a trabalhar em 1966 – e o livro traz os rascunhos incompletos dos primeiros versos, escritos em 1985. A cegueira impediu seu término e o aumento da falta de visão é notado na caligrafia do poeta que, de redonda e perfeita, torna-se, aos poucos, torta e quase ilegível.
Mesmo incompleto, o livro é precioso ao revelar a minuciosa pesquisa de João Cabral sobre um assunto que conhecia desde a meninice: o ambiente do local onde é tratada a mandioca até se chegar na farinha. O vocabulário, os hábitos, a prosódia, os detalhes mínimos do processo de produção, nada escapa ao poeta, que testa versos sobre o conflito entre tradição e modernidade.
Inez Cabral passou a limpo, na máquina de escrever, os dois últimos livros publicados pelo pai, o poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999): Sevilha Andando e Andando Sevilha. Também foi assim com Notas Sobre uma Possível A Casa da Farinha, que ela demorou para trabalhar, como conta na entrevista a seguir.
Novamente, será possível perceber a ruptura radical na linguagem da poesia brasileira provocada por João Cabral. Antes dele, os versos nacionais viviam à sombra do simbolismo e da retórica pomposa. A partir de Pedra do Sono, de 1942, mas especialmente com a publicação de O Cão sem Plumas (1950), o poeta revela uma escrita marcada pelo estilo seco, cortante, uma visão materialista da escrita, além de seu desprezo ao enfeite e à beleza fácil.
A leitura sempre surpreendente de seus poemas logo nos convence de que João Cabral era um arquiteto da poesia – cada verso era cuidadosamente pensado, a fim de dar forma a uma estrutura consistente do poema. Com isso, despertou a atenção dos concretistas que, para se legitimarem, elegeram-no seu precursor.

(Fonte: Estadão)

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O TRISTE DECLÍNIO DE TOM WOLFE

Tom Wolfe

Tom Wolfe

Tom Wolfe lançou, há quase trinta anos, aquele que é considerado o seu melhor romance, A Fogueira das Vaidades. Desde então, vem se ocupando em descer, degrau por degrau, do lugar de destaque a que ascendera com aquele primeiro e insuperável esforço ficcional. Um Homem por Inteiro, Eu sou Charlotte Simmons e o recém-lançadoSangue nas Veias configuram um caso único de depauperação estilística, em que os achados aos poucos se tornam truques patéticos, como se o autor norte-americano estivesse comprometido com a própria desconstrução. É algo triste de se acompanhar.
Jornalista, autor de alguns ensaios e artigos célebres no âmbito do que se convencionou chamar de New Journalism (como os reunidos em Radical Chic), Wolfe tem um processo criativo pautado pela escolha de um ou mais temas (por exemplo: “Miami”, “caldeirão racial”), ao que se segue uma pesquisa exaustiva e, por fim, a escrita do romance propriamente dito. Não há problema algum no processo em si, cada escritor trabalha como lhe convém, mas o fato é que, a cada novo trabalho, o didatismo e a artificialidade restringiram o horizonte estético de Wolfe, tornando-o uma espécie de Glória Perez da literatura contemporânea. Sangue nas Veias é a culminação dessa involução, um objeto literário incapaz de se sustentar sobre as próprias pernas.
Emulador confesso de Balzac e Dickens, Wolfe se esforça para caracterizar a Miami deste início do século XXI numa galeria de personagens que nunca dizem a que vieram. São cabeças falantes com carimbos étnicos reluzindo em suas respectivas testas: o policial cubano, o oligarca russo, o jornalista branco, o chefe de polícia negro e por aí afora. A expressão “oligarca russo”, aliás, aparece em todo o livro, e até entrevemos certa ironia nas primeiras vezes em que ocorre. Ironia, contudo, esvaziada logo depois, e o que resta é mais um estereótipo circulando pelas páginas, o vigarista a ser alcançado pelo jornalista branco e pelo policial cubano. Estes são parceiros na revelação de um tremendo golpe no mercado de arte, que envolve falsificações de Kandinsky e Malevich.
Talvez o único personagem digno de algum interesse seja o policial, Nestor Camacho. Filho de refugiados cubanos, aculturado ao ponto de não falar espanhol, Camacho tem uma habilidade especial para se enroscar no campo minado racial. Logo no começo, resgata um pobre coitado em alto-mar, impedindo que ele chegue à terra firme e, assim, tenha a possibilidade de pedir asilo político. O resgate, transmitido ao vivo pela televisão, transforma Camacho em um herói para seus colegas de farda e em um traidor para a comunidade cubana. Mais adiante, ele se envolve noutra querela racial ao estourar heroicamente uma boca de fumo, imobilizando um traficante negro.
No entanto, com outro policial também de ascendência cubana, Camacho agride o preso com ofensas racistas. Um vídeo com a “melhor” parte do ocorrido chegará ao YouTube e por muito pouco ele não será expulso da corporação; na verdade, e eis aqui mais uma ironia cansada, Camacho se safa graças ao chefe de polícia negro.
Essa é apenas uma das várias histórias que correm paralelamente. Temos, ainda, a ex-namorada de Camacho, uma enfermeira, seu patrão e amante, um psiquiatra-celebridade que alimenta a compulsão sexual de um paciente bilionário para usá-lo como trampolim social, o pintor russo responsável pelas falsificações, o editor do Miami Herald que está sempre pisando em ovos etc. A dispersão extrema, em vez de constituir uma boa recriação literária de Miami, acaba por impedir que as várias tramas respirem e se desenvolvam de um modo minimamente crível.
O pior, contudo, está no próprio texto de Wolfe. O uso gratuito de reticências, exclamações, onomatopeias e outros recursos corroem qualquer trabalho de carpintaria literária que pudesse vicejar por ali. Um exemplo: “De repente, a resistência do outro lado da porta… já não existe! Nestor se vê cambaleando para a frente… os olhos! Ele vê um monte de olhos! E por um milissegundo vê também o brilho sombrio, azulado e doentio de um televisor, antes de se esborrachar no chão. ::::::Onde está o grandalhão? Estou dentro da casa, completamente vulnerável”. Outro exemplo : “Ela deu um sorriso sugestivo, enquanto seguia DANÇANDO tummm REBOLANDO tummm DESCENDO tummm SUBINDO tummm BOMBEANDO tummm e também girando em torno do poste”.
Observem, no primeiro exemplo, o uso de “::::::” para explicitar a passagem da terceira para a primeira pessoa. E, no segundo, a risível caracterização de uma boate (tummm) de strip-tease. Tais expedientes poluem o romance inteiro e, longe de envolver o leitor, atiram-no para bem longe. Ao final, a impressão é de que até mesmo o tal oligarca russo desaparece não para evitar a prisão, coisa que provavelmente tiraria de letra, mas para escapar ao constrangimento de figurar em páginas tão calamitosas.

(Fonte: Estadão – André de Leones)

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MISHIMA SEM CENSURA

Ensaio sobre o escritor japonês cruza erotismo do autor com Joana d’Arc e São Sebastião

Ensaio sobre o escritor japonês cruza erotismo do autor com Joana d’Arc e São Sebastião

A interminável discussão sobre biografias previamente aprovadas nem teria começado se os interessados em separar vida pública e privada conhecessem Mishima ou A Visão do Vazio, da escritora francesa de origem belga Marguerite Yourcenar (1903-1987), primeira mulher a ser eleita para a Academia Francesa de Letras. O livro, há anos fora de catálogo no Brasil, ganhou nova tradução de Mauro Pinheiro para a editora Estação Liberdade e chega às livrarias na próxima semana. Continua sendo, após 33 anos de seu lançamento, o melhor ensaio sobre a obra do escritor japonês Yukio Mishima (1925-1970) – não apenas um estudo acadêmico, mas uma investigação destemida da vida do autor, capaz de redimensionar a herança literária daquele que Yourcenar definiu como “representante autêntico de um Japão violentamente ocidentalizado”.
Mishima foi, segundo suas palavras, o “mártir do Japão heroico que ele, de certa forma, alcançou à contracorrente”. Yourcenar, logo no prólogo, adianta que não pretende julgar seu suicídio, e não apenas porque Mishima pertencia a outro universo cultural, mas principalmente para evitar uma leitura equivocada de seu gesto extremo, o seppuku (suicídio ritual) presente na tradição japonesa. Mishima preparou rigorosamente o cenário de sua morte, segundo o biógrafo oficial do escritor, John Nathan, também seu tradutor. Esse ato suicida, analisa Yourcenar, foi também ensaiado em seus livros. Vida e obra em Mishima confundem-se de tal maneira que, para um historiador ou biógrafo, seria impossível trabalhar com dados autorizados ou com a supervisão de familiares do autor.
A escritora, corajosa, não se intimidou diante da família de Mishima, que preferia ver seu passado enterrado junto ao corpo mutilado do escritor (após o ritual suicida, no dia 24 de novembro de 1970, aos 45 anos, ele teve a cabeça degolada por um dos integrantes de sua milícia particular, que invadiu o quartel general das forças de autodefesa do Japão, em Tóquio). Mishima, casado e com dois filhos (Noriko e Iichiro), era bissexual. Sua mulher Yoko tentou esconder – sem muito sucesso – a orientação erótica do marido. Yourcenar, contudo, não usa a homossexualidade de Mishima como peça de escândalo, mas para relacioná-la aos personagens de sua extensa obra literária.
Ensaio sobre o escritor ‘A Visão do Vazio’, de Marguerite Yourcenar, não existiria se precisasse de autorização prévia
Marguerite Yourcenar era uma mulher curiosa e sem preconceitos. Jamais teria se curvado ao movimento organizado por artistas brasileiros contra as biografias não autorizadas, mesmo porque ela sempre procurou saber tudo – tudo mesmo – sobre a vida de quem “biografou”, seja o imperador romano Adriano, retratado numa autobiografia imaginária (Memórias de Adriano) endereçada ao filho adotivo Marco Aurélio, ou seu contemporâneo Mishima, escritor analisado em A Visão do Vazio, que a Estação Liberdade coloca nas livrarias na próxima semana. Em ambos os casos, são homens que se apaixonaram por outros homens, assunto um tanto incômodo e que talvez motive artistas conhecidos a defender o sistema de censura prévia imposto aos editores no Brasil, inibindo biógrafos.
Se a grande Yourcenar enfrentou a ira de historiadores por assumir, em primeira pessoa, a fala de um imperador romano morto, relacionando o suicídio de seu amante Antínoo a um ato político em sacrifício de Adriano, em A Visão do Vazio, ela trata o seppuku de Mishima como um ato heroico de um mártir contra a ocidentalização do Japão, logo ele que, desde criança, era fascinado pela cultura do antípoda. Figura contraditória, como tantos de seus personagens, Mishima, ainda criança, abandonou a leitura de um livro sobre Joana d’Arc por se sentir ofendido em sua masculinidade, ao descobrir que o cavaleiro era uma donzela . Mais tarde, já crescido, experimentou a primeira ejaculação diante de uma imagem de São Sebastião pintada pelo barroco italiano Guido Reni, antes de cair na farra (com uma sunga menor que a de Gabeira) no Carnaval carioca – mas apenas na terceira noite, como revela Yourcenar, sem pudor.
O que a interessa, no entanto, passa longe das especulações sobre as aventurais extraconjugais e homossexuais de Mishima, autor de obras-primas como Confissões de uma Máscara e da tetralogia O Mar da Fertilidade. Eros e Thanatos sempre caminharam freudianamente juntos em direção ao espetáculo final do seppuku do autor japonês, segundo ela. Por que Mishima decidiu fazer de seu suicídio sua “obra-prima” engajada?, pergunta Yourcenar. O escritor, afinal, não escrevera nada nitidamente politizado antes deEirei no Koe (As Vozes dos Mortos Heroicos), em 1966 – no texto, desapontado com a crescente ocidentalização do Japão, Mishima volta ao passado para prestar homenagem aos camicazes (pilotos suicidas) da 2ª. Guerra, além de repreender o Imperador por ter abdicado de sua condição de “deus”, traindo o ideal nipônico.
Como explicar, então, que o último grito de Mishima no quartel onde se matou tenha sido “Tenno heika Banzai” (Longa Vida ao Imperador!)? Yourcenar compara essa fidelidade a Hirohito à abnegação do católico que, mesmo considerando um papa medíocre, não se importa. Ambos, no final, julgam o ritual mais importante – e Yourcenar mostra que Mishima identifica no Imperador o papel místico de defensor dos humildes e oprimidos. Ainda que fosse para enfrentar o establishment imperial, conclui a escritora, Mishima sentia-se na obrigação de representar os idealistas que resistiam às forças da modernização do Japão.
Foi na conclusão de Cavalo Selvagem, segundo volume da tetralogia Mar de Fertilidade, que fala justamente da devoção ao Imperador e à pátria, que o autor fundou a Sociedade do Escudo, a Tatenokai, lembra Yourcenar, agrupando às próprias custas um grupo paramilitar treinado por ele sob proteção de um regimento do Exército. Yourcenar rejeita interpretações desse gesto como inclinação ao fascismo, preferindo classificar a adesão às forças reacionárias como uma resposta ao Estado moderno, materialista e laico. Ela lembra que, em agosto de 1970, ou seja, três meses antes de seu suicídio, Mishima disse a seu biógrafo inglês que o Japão moderno era “feio”, interessado apenas no dinheiro, comparando sua “maldição” a uma serpente verde que aparece em O Templo do Pavilhão Dourado como símbolo do mal e é identificada com a América).
Se, em Cavalo Selvagem, o suicídio em massa dos samurais limpa o Japão com o banho de sangue, o de Mishima, ensaiado em livros e peças, foi preparado com o requinte de quem decidira morrer não como escritor, mas samurai, revelando sua fixação nos códigos do Hagakure (tratado do século 18 que vê na morte o ponto culminante da combinação das artes, literária e militar). O culto do corpo em Mishima, particularmente em Sol e Aço, acentua Yourcenar, fez dele um ativista ultranacionalista e um homem de ação. Mas é no filme Patriotismo, filmado e interpretado por Mishima, que seu futuro foi, enfim, decidido: nele, um tenente (o escritor) reza para o Imperador antes de acabar com a própria vida. Nenhum bom biógrafo deixaria escapar essa relação.

(Fonte: Estadão)

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JUDEUS EXIGEM QUE LIVRARIA HOLANDESA DEIXE DE VENDER LIVRO DE HITLER

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A Federação de Judeus Holandeses anunciou que tomará medidas legais contra uma livraria de Amsterdã por vender exemplares de “Mein Kampf”, obra de Adolf Hitler cuja comercialização é proibida na Holanda desde 1974.
A “The Totalitarian Art Gallery” tem em suas prateleiras duas cópias do livro original e uma tradução em holandês, indicou nesta segunda-feira o jornal local “NRC”.
O proprietário da galeria, Michiel van Eyck, afirmou à publicação que não está “surpreso” com a ação, mas justificou a venda das obras por sua importância histórica e ressaltou que nunca as expôs em sua vitrine.
O presidente da Federação de Judeus Holandeses, Herman Loonstein, defendeu a medida, considerando que “em um momento do grande aumento do anti-semitismo é importante que sejam tomadas medidas duras contra esta forma de discurso do ódio”.
A federação disse que pedirá a retirada imedias das obras da livraria. A organização anunciou ainda que fará uma denúncia contra o site Wikipedia por permitir o download do livro de Hitler.
A polêmica reavivou um debate que já tinha vindo à tona há seis anos no país, quando o Parlamento holandês votou sobre a anulação da proibição, que impede a compra e venda da obra “Mein Kampf”, mas não sua leitura. De acordo com a “DutchNews”, a maioria do Parlamento conseguiu manter a proibição.
Van Eyck também vende em sua loja outros objetos da era nazista, assim como relíquias da ditadura stalinista e do regime maoísta na China.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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PAULO CESAR DE ARAÚJO VÊ AVANÇO TÍMIDO NA POSIÇÃO DE ROBERTO CARLOS SOBRE BIOGRAFIAS

Paulo César de Araujo

Paulo César de Araujo

A noite de domingo teve cinco segundos que “duraram uma eternidade” para Paulo Cesar de Araújo. Foi esse o tempo aproximado em que Roberto Carlos refletiu, em silêncio, para responder à pergunta de Renata Vasconcelos, em entrevista ao “Fantástico”, sobre a possibilidade de liberação da biografia “Roberto Carlos em detalhes”, escrita pelo historiador em 2007. A obra foi recolhida das livrarias após acordo entre o Rei e a editora Planeta, num dos casos mais emblemáticos de uso do polêmico artigo 20 do Código Civil, que condiciona a publicação à autorização dos personagens retratados. Após o intervalo, o cantor deu uma resposta inédita aos ouvidos do biógrafo.
– Ao dizer que é a favor das biografias não autorizadas desde que com restrição, dizendo “sim, mas é preciso conversar”, Roberto Carlos apenas arrumou um jeito mais elegante de dizer “não!”. A entrevista para o “Fantástico” só mostra que ele avançou pouco em relação à questão. Desde o início do processo contra o meu livro, todas as vezes nas quais foi perguntado, ele dizia “Não”, de modo radical. Desta vez, depois de refletir, ele respondeu em uma condicional tolerante, dizendo que era preciso conversar – disse Paulo Cesar.
O escritor contestou a tese de Roberto de que apenas ele próprio poderia narrar o episódio do acidente que o fez perder a perna.
– Ele disse que, como só ele sentiu a dor, ninguém mais poderia dimensionar o que aquilo representou. Isso é um erro. Jesus Cristo morreu na cruz depois de passar por toda sorte de sofrimento. Isso significaria, pela lógica de Roberto, que só Jesus Cristo poderia escrever sobre seu calvário – pondera ele, para depois completar: – Aliás, em 1973 ele fez uma música chamada “O homem”, que é uma minibiografia de Jesus, totalmente narrativa. Ela deveria ser proibida então.
Paulo Cesar de Araujo lembrou que o Rei já falou do acidente que sofreu algumas vezes nos anos 1970. E que desde a década de 1980 diz que está preparando sua biografia.
– A diferença é que antes, de 2000 a 2010, sempre que falava nesse assunto, ele falava do Okky de Souza como seu biógrafo. Ontem ele omitiu que haja um autor e, quando a repórter perguntou quem teria a bênção do Roberto Carlos para escrever sobre sua vida ele falou: “O próprio Roberto Carlos”. E disse que estaria escolhendo alguém para ajudá-lo a escrever. Cadê o Okky? Parece um recuo.

(Fonte: O Globo)

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LEIA TRECHO DO POEMA ‘OS CARREGADORES’, DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto

Confira início do poema ‘Os Carregadores’:
“Bom bom-dia, minha gente.
Bom dia para os presentes.
Bom dia, futuramente.
Bom dia ainda, no ventre
As mulheres de descascar
Bom dia tem que dizer
quem chega a todo presente Bom-dia é como Dizer bom dia é tirar
o chapéu, cumpridamente.
Bom-dia não antecipa
o dia que espera em frente.
Nem bom-dia tem a ver
se é sol ou chuvadamente.”

(Fonte: Estadão)

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CAPA DA EDIÇÃO COMEMORATIVA MÔNICA(S) É REVELADA

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Após divulgar a lista com o nome dos 150 artistas nacionais e internacionais que participarão do especial Mônicas(s), para comemorar os 50 anos da personagem criada por Mauricio de Sousa, o editor Sidney Gusman revelou a capa oficial nas redes sociais.
O desenho da capa é de José Luiz Benício, ilustrador nascido em 1936 na cidade de Rio Pardo/RS. Um dos principais nomes da área no Brasil, ele tem mais de 50 anos de carreira e ilustrou diversas capas de livros, discos e mais de 300 cartazes de filmes nacionais.
Dentre eles, estão os cartazes para Os Trapalhões, Dona Flor e seus dois maridos e A Super Fêmea, produção que levou Vera Ficher ao estrelato.
Também trabalhou na Veja, Playboy e Isto É, além de fazer trabalhos de publicidade para empresas como Coca-Cola, Esso e outras.
Mônica(s) será lançado em novembro, durante o FIQ – Feira Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte.

(Fonte: Universo HQ)

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STAR WARS – EPISÓDIO VII GANHA NOVO ROTEIRISTA

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A Lucasfilm revelou que houve uma mudança de roteirista em Star Wars – Episódio VII, o primeiro filme da nova trilogia da saga criada por George Lucas, e que será dirigido por J.J. Abrams.
Michael Arndt (Toy Story 3), envolvido desde o início, não faz mais parte do projeto. Em seu lugar, o diretor desenvolverá o script junto com Lawrance Kasdan, nome bem familiar aos fãs, pois coescreveu os roteiros de Star Wars – O Império Contra-Ataca e Star Wars – O Retorno de Jedi. Também trabalhou em Os Caçadores da Arca Perdida.
Ele já estava trabalhando na produção como consultor.
“Estou muito empolgado com a trama que estamos criando. Há poucas pessoas como Larry que entendem a maneira como a história de Star Wars funciona, e é incrível tê-lo envolvido mais a fundo nesse projeto”, afirmou Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm.
As filmagens começarão no primeiro semestre de 2014, e o lançamento está programado para o verão norte-americano de 2015.

(Fonte: Universo HQ)

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LEIA TRECHOS DO LIVRO A ESCALADA DE EVA – AS DUAS FACES DE UMA HISTÓRIA

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Muitos podem se emocionar com uma história de amor assim, linda e trágica. Outros podem considerá-la piegas, e na tentativa de evitar que me julguem de alguma forma, evito falar sobre o meu passado.

*

Reinventei-me no dia em que decidi enfrentar a dor e escalar o abismo em que caí, e essa é a Eva que a maioria das pessoas conhece.

*

Sempre que conheço alguém que me desperta o interesse, apenas me deixo levar, satisfaço as minhas necessidades. Até gosto do jogo da conquista, da arte da caça e, na tentativa de conseguir despertar os meus sentidos, já machuquei muita gente que não merecia (…)

*

No terreno das conquistas faço um sucesso incrível, acho que isso se deve ao fato de não estar disponível, de nunca telefonar de volta, de não esperar por um segundo encontro e de jamais me entusiasmar.

*

Ficamos nos olhando por alguns segundos, o olhar dele me esquadrinha, e ao mesmo tempo em que me sinto constrangida também me sinto excitada, jamais o incentivaria, porém não tenho certeza de que gostaria de detê-lo.

*

Thomas sorri e fica ainda mais encantador. Os meus sinais de alerta começam a soar, não sei direito quem é esse homem, me sinto bem ao lado dele, só que não consigo esquecer que os meus sentimentos são uma incógnita.

*

Pela primeira vez, sou capaz de sentir as sensações que busquei durante muito tempo e que pensei que nunca encontraria, não posso acreditar que estou flutuando, que o arrebatamento do meu corpo, que pulsa e vibra, é tão grande quanto o do meu coração, que bate esperançoso.

*

Agora sei por que esse homem sabe usar tão bem as palavras, ele deve ler muito e admiro profundamente as pessoas que gostam de ler.

*

Angustia-me constatar o que não tenho como explicar. Como duas pessoas podem parecer tanto? Tem que existir alguma explicação. Eu não sei se quero, mas tenho que descobrir.

A ESCALADA DE EVA – AS DUAS FACES DE UMA HISTÓRIA
TRILOGIA – ROMANCE ERÓTICO

AUTOR: Elaine Elesbão
EDITORA: ISIS
QUANTO: R$ 44,90
FORMATO: 16X23

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MORRISSEY CONTA SOBRE PAULISTANA CEGA EM SUA AUTOBIOGRAFIA

Morrissey

Morrissey

Livro mais vendido nas livrarias da Inglaterra atualmente, a autobiografia do cantor Morrissey, ex-Smiths, tem escondido em suas páginas uma personagem acidental e paulistana.
É a professora de inglês Lara Siaulys, cega desde bebê, condição que nunca a impediu de frequentar shows e casas noturnas.
Lara é citada por Morrissey quando ele fala sobre um fato que ocorreu em um show em São Paulo, em abril de 2000, em sua primeira passagem pelo Brasil.
O cantor estava no final da apresentação quando uma garota foi levada a ele pelos braços da plateia.
Assim que ela chegou ao palco, Morrissey percebeu que a menina era cega. Ela lhe entregou um bilhete, e ele se emocionou: “Eu não posso te ver, mas eu amo você” (leia trecho na página anterior). “Montei uma estratégia para chegar perto dele”, conta ela agora.
“Eu sabia que fãs dos Smiths levavam flores aos shows e levei algumas rosas naquele dia. E um monte de bilhetinhos, alguns em braile. Tinha várias frases, como ‘eu não posso te ver, mas posso ouvir sua voz'”.
Lara recorda o que fez quando sentiu que estava próxima de Morrissey e que ele havia pegado o bilhete de suas mãos: “Eu disse ‘I love you’ e tentei dar um beijo nele. Mas aí um segurança já me puxava para um outro lado, para me retirar do palco, e o beijo pegou no ombro dele. Tudo bem para mim. No fim, eu dei um beijo no ombro do Morrissey”.
Hoje com 35 anos, Lara é formada em música pela Unicamp e, além de dar aulas de inglês, é diretora de uma ONG para assistir pessoas com problemas visuais.
CLÁSSICO?
A obra do músico, que vendeu 35 mil cópias na primeira semana em Londres, chama-se simplesmente “Autobiography”.
Por exigência do artista, o livro saiu pela Penguin Classics, uma série especial da Penguin Books normalmente dedicada a grandes escritores mortos.
A concessão causou espanto por lá. O jornal “The Guardian” publicou um artigo com o seguinte título: “Morrissey ganha o que queria, e a Penguin Classics afunda no Tâmisa”.
Na terça, assim que soube que tinha ido parar no polêmico livro, Lara nem foi trabalhar: passou o dia no telefone e nas redes sociais (seu computador tem um sintetizador que transforma as palavras escritas em som, e assim ela consegue se comunicar virtualmente).
“Eu, que sou de dormir cedo, fui dormir 1h da manhã”, disse a paulistana do livro de Morrissey.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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