SETEMBRO – 2013

NEGÓCIOS

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Segredos revelados
A Saraiva publica, no início de 2014, livro de Duff McDonald sobre a consultoria Mckinsey, uma das pioneiras no ramo e que emprega quase 8 mil pessoas em 85 países. Um dos segredos de seu sucesso é a discrição. Pouco se sabe sobre seus métodos, mas boa parte das maiores empresas relacionadas pela Fortune estão em seu portfólio.

(Fonte: Babel – Estadão)

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SUSPENSE

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Ilha do medo
O sueco John Ajvide Lindqvist, de Deixa Ela Entrar, lança, em outubro, pela Tordesilhas, A Maldição de Domaro – sobre um homem que volta à ilha onde a filha desapareceu dois anos antes. E aí começa o terror.

(Fonte: Babel – Estadão)

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TERROR

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Para o dia de finados Zé do Caixão, que vai assinar o prefácio de Senhores de Salem – O Julgamento das Bruxas, de Robie Zombie e B. K. Evenson, passou pela Darkside e posou para foto com o neto Pedro (frente) e com os donos da editora Christiano Menezes e Chico de Assis.

(Fonte: Babel – Estadão)

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AVENIDA DAS LETRAS REÚNE ESCRITORES E PERSONALIDADES NO CIDADE JARDIM

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Primeira feira literária gratuita da Barra da Tijuca acontece em dois dias de evento

Palco das edições cariocas da Bienal do Livro, a Barra da Tijuca, ano após ano, ganha bagagem cultural significativa. Nos dias 28 e 29 de setembro, a região recebe sua primeira feira literária gratuita: Avenidas das Letras. Parceria entre Carvalho Hosken e RJZ Cyrela, com o apoio da Editora Saraiva e da ASCIJA, o evento acontecerá na Cidade Jardim, das 10h às 17h, e terá a participação de escritores, jornalistas e personalidades.
Durante os dois dias serão oferecidas oficinas, palestras, atrações, sessões de autógrafos e bate-papo com escritores que fazem sucesso no mercado literário, como a escritora Mel Fronckowiak, autora do livro “Inclassificável – Memórias de estrada”, em que conta os bastidores das turnês com o grupo Rebeldes, e o escritor Felipe Colbert, autor do thriller “Ponto cego” e coautor do livro “A última nota”. A criançada que passar pela “Avenida das Letras” também poderá se divertir e aprender com o show de Bia Bedran, a mais conhecida contadora de histórias infantis do Brasil, que em 2013 celebra 40 anos de carreira.
Os amantes da leitura terão mais uma oportunidade de aproveitar tudo de bom que o mundo literário oferece. Além dos encontros com os renomados autores, os visitantes poderão se divertir nas oficinas de scrapbook, nas rodas de contação de história e debater sobre moda e relacionamento nas mídias sociais. A criançada também poderá aproveitar a recreação infantil durante todo o dia.
Um concurso cultura também promete agitar o evento e aguçar a criatividade de todos os presentes. Aquele que responder melhor à pergunta: “Aonde a leitura leva você?”, vai ganhar uma cesta com 15 livros da Editora Saraiva, que estará presente com todo o seu catálogo disponível para comercialização. Para participar, basta depositar os cupons que serão distribuídos no evento na urna localizada no empreendimento Majestic.
A expectativa dos organizadores é reunir milhares de pessoas nos dois dias de evento, que trará as jornalistas Bia Willcox e Cora Ronai para um debate sobre Relações e Relacionamento 2.0, tema atual da nossa sociedade, em qualquer idade.

PROGRAMAÇÃO:

Dia 28/9 – sábado:
• 10h às 10h30: Oficina de Scrapbook
• 10h30 às 11h30: Palestra de Drica Pinotti – estilista, consultora de moda e
• autora da série “De menina a mulher”
• 12h às 13h: Palestra de Felipe Colbert – especialista em estruturação de romances,
• autor do thriller “Ponto cego” e coautor do livro “A última nota”
• 15h às 16h: Debate com a editora Bia Willcox e a jornalista e escritora Cora Ronai: Relações e Relacionamentos 2.0
• 16h às 17h: Show do cantor e compositor Marcio Bragança
Recreação infantil durante todo o dia
Dia 29/9 – domingo:
• 10h às 11h: Contação de histórias
• 11h às 12h30: Show de Bia Bedran
• 14h às 15h: Oficina de Scrapbook
• 15h30 às 16h30: Palestra Mel Fronckowiak – atriz da novela “Rebeldes” e autora do livro “Inclassificável – Memórias de estrada”
Recreação infantil durante todo o dia.

(Fonte: Jornal do Brasil)

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NAZARENO CRIA LIVRO DE VERSOS E DESENHOS

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“E por mais que se tente alguns não concordarão em fingir de morto. Não se engane.” Esses versos, em uma caligrafia quase escolar, estão juntos da imagem de um cachorro de mentira, as patas pregadas ao corpo com tachinhas.
Em um livro que lança nesta quinta-feira (26), o artista paulistano Nazareno, conhecido por esculturas e desenhos diminutos, articula uma série de estranhamentos como esse, o que chama de “acidentes literários” entre poemas que encontra ao acaso e seus desenhos.
São paisagens visuais arquitetadas linha a linha, na ponta do lápis, com lobos, uniformes militares e labirintos de caminhos cruzados –tudo surgido do que parece ser um exercício solitário.
Nas páginas de “Num Lugar Não Longe de Você”, o artista condensa a delicadeza precisa de sua obra. Sua narrativa solta desliza entre as visões com a mesma placidez que marca seu temperamento –Nazareno é um sujeito discreto, de voz baixa, que parece calcular o peso de cada palavra antes de falar.
“Meu trabalho são possibilidades e alguns acertos”, diz. “É o jeito de estabelecer uma relação de tolerância. Crio metáforas para alguns acertos e outros erros absolutos.”
Entre erros e acertos, o artista reforça algumas imagens, entre elas um coração em toda sua crueza anatômica. No decorrer das páginas, como se sujeitos à pulsação do órgão, alguns desenhos aparecem em versões agigantadas e diminutas, beirando a abstração em alguns casos.
Mas Nazareno frisa que tudo, por estranho que pareça, está ancorado na observação do real. Tão real quanto os pelos da orelha de um coelho –que aparece no livro.

NUM LUGAR NÃO LONGE DE VOCÊ
AUTOR Nazareno
EDITORA independente
QUANTO R$ 50

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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CRÔNICAS DE CLARICE LISPECTOR VIRAM SÉRIE NO ‘FANTÁSTICO’

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Demorou, mas Luiz Fernando Carvalho está de volta à TV, envolvido no universo de Clarice Lispector.
O novo filhote do diretor é a série “Correio Feminino”, baseada em crônicas de Clarice, escritas sob o pseudônimo de Helen Palmer, em colunas femininas de jornais nos anos 1950 e 1960.
A produção estreia no dia 27, dentro do “Fantástico” (Globo) —que está passando por grandes mudanças na Globo.
A atriz Maria Fernanda Cândido dá voz a Helen Palmer na série. Os quadros são narrados pela personagem, que tem um programa de rádio e TV. Helen está sempre pronta a socorrer leitoras aflitas, em conversas intimistas que tratam de questões que permeiam o universo feminino até os dias de hoje como beleza, amor, moda, família, casamento, maternidade e sedução.
No elenco também estão a modelo Cintia Dicker, que faz a “adolescente”; a atriz e ex-modelo Luiza Brunet, na pele da “mulher madura”; e a atriz Alessandra Maestrini, que dá vida à “mulher jovem”. Elas representam gerações distintas e as várias facetas do feminino.
“O figurino e a produção de arte respeitam a época. A linguagem evoca o período, mas a forma de fazer é contemporânea”, explica Luiz Fernando.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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EDITORAS NACIONAIS QUEREM VENDER DE 3% A 5% MAIS NO EXTERIOR

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O mercado brasileiro de livros vendeu, em 2012, US$ 1,2 milhão em direitos autorais para o exterior (vale lembrar: o best-seller Paulo Coelho, cuja obra é negociada fora, não faz parte deste mercado). A Câmara Brasileira do Livro (CBL), que reúne as editoras, enxerga um potencial muito maior para os títulos nacionais e vai usar a homenagem ao Brasil na Feira de Frankfurt, entre 9 e 13 de outubro, para impulsionar as negociações no exterior. A ideia é que esse volume de vendas cresça entre 3% e 5% em 2013, disse nesta quinta-feira, em São Paulo, Karine Pansa, presidente da CBL. Em parceria com a Biblioteca Nacional, a entidade apresentou à imprensa o catálogo que levará ao evento, na cidade alemã.
Otimista de que o resultado será alcançado e “aliviada” com a conclusão das licitações abertas pelo Consulado Brasileiro em Frankfurt, que aconteceu apenas no último fim de semana, Karine detalhou a participação do Brasil na feira. O catálogo conta com mais de mil títulos de 170 editoras dos perfis mais variados — a maioria delas de pequeno e médio porte, já que as grandes costumam ter seus departamentos internacionais e vão sozinhas. Segundo Karine, o objetivo é oferecer “o que chamamos de bibliodiversidade”. Ela enxerga, por exemplo, um grande mercado para livros infantis, universitários e religiosos.
— Publicações infantis, especialmente as que falam da cultura brasileira, já vendiam muito bem lá fora, mesmo antes de o Brasil saber que seria homenageado em Frankfurt. Temos uma produção de livros universitários boa e consistente; o que fizemos foi, pelo projeto Brazilian Publishers (BP), treinar as editoras a preparar melhor seus títulos para o mercado internacional — disse.
Dolores Manzano, do BP, citou países de mercado-foco do Brasil: Alemanha, México, Estados Unidos, França, Coreia do Sul, Colômbia e Chile. O Reino Unido, disse Dolores, não compra tantos títulos de fora porque tem uma produção nacional muito forte.
Com investimentos de R$ 4 milhões (a maior parte do convênio com a Biblioteca Nacional), a CBL vai ocupar um espaço de 700 metros quadrados na Feira de Frankfurt. Ali ocorrerão uma série de eventos e palestras com foco na cultura brasileira — destaque para o programa “Cozinhando com Palavras” (numa parceria com o governo de Minas), em que seis chefs irão preparar pratos da cozinha nacional enquanto autores falarão sobre livros. Esse espaço vai operar separadamente do pavilhão dedicado ao Brasil, que soma 2.500 metros quadrados. O orçamento total do governo brasileiro na homenagem é de R$ 18,9 milhões, com a participação dos 70 autores escolhidos.
Num esforço em conjunto com a Biblioteca Nacional, as editoras conseguiram, nos meses que antecederam a feira, compilar a quantidade de títulos do Brasil lançados recentemente na Alemanha: foram 270 entre 2011 e 2013.
— Isso nos deu uma boa ideia do quanto estamos presentes lá fora, via bolsas para tradução. Enxergamos ainda um bom mercado para os títulos em português, especialmente dentro da América Latina — contou Karine, ressaltando que Frankfurt servirá, além de tudo, para preparar terreno para as próximas feiras, com destaque para a de Guadalajara, em novembro. — Demos um suporte para as editoras, mas a ideia é que elas participem de feiras com investimentos próprios daqui para a frente.

(Fonte: O Globo)

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PRÊMIO JABUTI DESCLASSIFICA TRÊS DOS FINALISTAS ANUNCIADOS NA SEMANA PASSADA

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Três obras anunciadas na semana passada como finalistas do Prêmio Jabuti foram desclassificadas na terça-feira (24) após questionamentos sobre sua adequação ao regulamento. A decisão foi tomada em reunião do conselho curador do mais tradicional prêmio literário do país.
A infantil “A Pedra na Praça” (Rovelle), de Ana Sofia e Tatiana Mariz, foi desclassificada por ser uma adaptação de contos de Tolstói, quando o regulamento estipula que “somente as obras inéditas podem concorrer”. Em seu lugar entre os finalistas na categoria, entrou “O Peixe e a Passarinha” (Companhia das Letras), de Blandina Franco e José Carlos Lollo.
Duas obras na categoria tradução foram desclassificadas após questionamento do jornal “O Globo”. Uma delas foi a tradução de Henryk Siewierski para “Ficção Completa – Bruno Schulz” (Cosac Naify), também pela questão do ineditismo, já que trata-se de tradução parcialmente publicada em edição anterior.
“Não se pode considerá-la uma nova tradução, e sim uma tradução revista”, informou o conselho. No lugar, entrou “O Comedido Fidalgo” (Benvirá), de Juan Eslava Gavan, na tradução de Josely Vianna Baptista.
A outra foi a tradução de Mamede Mustafa Jarouche para o “Livro das Mil e Uma Noites – Vol. 4” (Globo), devido ao item do regulamento que determina que, “no caso de traduções, quando houver vários volumes, será considerada a data do último publicado, desde que nenhum dos demais volumes tenha sido inscrito em edições anteriores do Prêmio”.
O primeiro livro da série de traduções já havia sido premiado no Jabuti, em 2006. O título foi substituído na lista por “Fora do Tempo” (Companhia das Letras), de David Grossman, na tradução de Paul Geiger.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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APÓS SER COMPRADO DE KELLY CLARKSON, ANEL QUE FOI DE JANE AUSTEN FICARÁ NA GRÃ-BRETANHA

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A disputa entre a cantora Kelly Clarkson e o governo britânico pelo anel que pertenceu à escritora Jane Austen teve um vencedor. A joia de ouro e turquesa vai permanecer na Grã-Bretanha após um museu ter conseguido levantar fundos para comprá-la da artista americana.
A peça foi a leilão pela casa Sotheby no ano passado. A cantora, primeira vencedora do programa de calouros “American idol”, há mais de uma década, a comprou por mais de £ 150 mil (US$ 227 mil).
Em agosto, porém, o ministro britânico da Cultura, Ed Vaizey, proibiu temporariamente a exportação do anel, e pediu a um comprador do próprio Reino Unido que se apresentasse e mantivesse o objeto no país. “Ela (Jane Austen) é uma das nossas maiores escritoras e dos nossos maiores tesouros nacionais, e acho que as pessoas vão lamentar muito se o anel deixar a Grã-Bretanha”, disse Vaizy à rádio BBC.
O Jane Austen’s House Museum, que não tinha dinheiro para arrematar o anel na época do leilão, lançou uma campanha para obter recursos. Recentemente, disse ter recebido uma doação anônima de £ 100 mil. O museu agora afirmou que a oferta para comprar a joia foi aceita.
Até Clarkson comemorou a conclusão do imbróglio. “O anel é um lindo tesouro nacional, e estou feliz em saber que tantos fãs de Jane Austen terão a chance de vê-lo no Austen’s House Museum.”
Ainda existem outras duas joias que sabidamente pertenceram à autora de “Orgulho e preconceito” e “Razão e sensibilidade”: uma cruz de topázio e uma pulseira de turquesa e marfim. Ambas já estão expostas no museu.

(Fonte: O Globo)

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UM RETRATO SENSÍVEL DE CLARICE LISPECTOR

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Obra apresenta perfil da escritora a partir do convívio com os amigos Marina e Affonso

Clarice Lispector (1920-1977) sempre foi devotada aos amigos, especialmente escritores. Diante deles, não era um ser fechado, amargurado, como se perfilava a partir de sua escrita intimista – na verdade, Clarice mostrava-se atenciosa e invariavelmente convidava as pessoas para a visitarem.
No rol das amizades, destacava-se o casal Marina Colasanti e Affonso Romano de Sant’Anna. Ambos a conheceram quando já era escritora consagrada, mas cultivaram com ela uma relação de profunda amizade, que percorreu os caminhos da literatura e da vida. É o que se observa em Com Clarice (Editora Unesp), volume em que Marina e Sant’Anna esboçam um retrato sensível de uma mulher, à primeira vista, indecifrável.
Por isso, o livro apresenta facetas por meio de estudos acadêmicos até da transcrição de um importante depoimento dado por Clarice ao Museu da Imagem e do Som do Rio, em 1976, e do qual participou o casal de amigos, a pedido da escritora. “Ela estava particularmente feliz naquele dia, sorrindo várias vezes”, lembra-se Sant’Anna, que teve a ideia da obra graças aos incessantes pedidos de pessoas que escreveram livros relevantes sobre Clarice: resolveu oferecer sua visão e a de Marina, lembranças de afeto e epifanias.
Enquanto o poeta Affonso Romano de Sant’Anna assina textos mais acadêmicos, Marina Colasanti aposta no lirismo e nas recordações mistas – visões distintas que só alimentam o baú já repleto de imagens múltiplas de Clarice Lispector. Em Com Clarice, o casal não busca decifrar um mistério, mas oferecer mais peças do enorme quebra-cabeça que era a escritora.
Boas histórias não faltam. “Um dia, ela nos cobrou que não a convidávamos para jantar. Não o fazíamos por pudor”, lembra Affonso. “Mas, tendo ela manifestado o desejo, armamos um jantar onde ela escolheria todos os convidados. Até o horário era cedo, como ela queria. Fui buscá-la em sua casa. Pois ela chegou, viu aqueles amigos todos, mas, daí a uns 15 minutos, fez um pedido que era uma ordem: ‘Quero ir embora.’ Levei-a de volta à sua solidão. E os amigos compreenderam.”
Clarice lamentava ter um espírito cansado e blasé. “Pouca coisa me entusiasma, eu bebi demais na literatura”, dizia. Essa a Clarice que vocês conheciam?
Affonso – Não se pode julgar, conhecer Clarice por parâmetros comuns. Ela era fora de série, ocupava o “não-lugar”– que é, aliás, o “lugar” dos artistas excepcionais. As pessoas que a conheceram, da geração dela, sabiam disto (Otto, Fernando, Hélio, Paulo Francis, Drummond); e nós, que viemos depois, captamos logo essa aura da pessoa extremamente delicada. Ela parecia um jarro de porcelana que ia quebrar a qualquer hora. E a linguagem com que ela se expressa (a literatura) tem essa tensão, essa frágil fortaleza. Talvez tenha sido o que ela quis dizer com “bebi demais na literatura”. Ela vivia de linguagem e para a linguagem.
Marina – Ela não era blasé, de jeito nenhum. Nem estava cansada, no sentido que se dá a isso. Sempre tive a impressão de que teria gostado muito de se entusiasmar com mais facilidade, de participar da vida de uma maneira fácil, despreocupada. Mas não era possível. Havia, entre ela e a despreocupação, uma barreira, e não era a literatura. Na literatura, ela buscava o abrigo que a vida não lhe oferecia.
Quais lembranças Clarice tinha do período diplomático do marido, que viajou por vários países?
Affonso – Pensei numa época em fazer o Itamaraty e desisti. Há que ter um certo talento. Clarice, me parece, era a anti diplomata: sorrir, ser gentil, representar, não era a dela. Deve ter se esforçado, mas, falando em termos psicanalíticos, diria que ela não “representava”, simplesmente “apresentava-se” como era. Veja o “não-jantar” lá em casa em que ela esteve e não-esteve. Aliás, uma boa definição para ela talvez seja essa: ela não estava nem aí.
Marina – Mais do que lembranças turísticas ou diplomáticas, tinha lembranças de sobrevivência. As cartas escritas às irmãs nos dizem de sua solidão em meio às festas de representação, e o seu olhar se pousa já inquiridor sobre pessoas desconhecidas, mais interessado no humano do que nas paisagens.
Como existem escassas imagens em movimento de Clarice, chama atenção a observação que vocês fazem sobre os silêncios que volta e meia interrompiam a fala dela. Como era isso?
Affonso – A coragem do silêncio, isto me apaixona. E ela fazia do silêncio o seu esconderijo. Eu me lembro na juventude ao ler Jean Christophe, de Romain Rolland, e ter ficado impressionado com um personagem (acho que o tio Gotfried) que havia dito 70 palavras em toda a sua vida. Por isto, pode-se pensar em poesia quando se fala de Clarice: poesia é o sentido rodeado de silêncio por todos os lados. Tem uma entrevista dela na TV que ilustra isto: seus silêncios e os entrevistadores sem saber o que fazer. Aliás, vou lhe dizer: o silêncio pode ser doentio mas é também um luxo. Ela se dava esse luxo.
Marina – Eram pausas mais longas do que o esperado, pausas suspensas, que podiam ser interrompidas a qualquer momento pela retomada da fala, como se ela estivesse apenas pensando antes de ir adiante. Reparei nisso na primeira vez que estive com ela, em sua casa. Eram pausas que o interlocutor não se atrevia a interromper, como se qualquer palavra fosse partir o discurso interior e calado que parecia prosseguir dentro dela.
Quais eram as preocupações de Clarice com o ofício de escrever ficção e fazer jornalismo?
Affonso – Andam fazendo uma certa confusão com certo material jornalístico de Clarice, como se tudo fosse “obra de arte”. Ela precisava sobreviver e até alugava sua força de trabalho e usava pseudônimos. Na biografia dela, volta e meia, o Otto Lara, que era uma alma amiga tentava arranjar um emprego para a amiga.
Marina – Há uma parte juvenil de sua atividade jornalística que tem um valor puramente documental, de forma alguma literário. O cruzamento entre as duas atividades se dá já na revista Senhor, quando cria a seção Children’s Corner, onde é visível sua técnica de escrita em fragmentos, fragmentos com os quais mais tarde construía os romances. Da mesma forma trabalha no Caderno B do Jornal do Brasil, sempre avisando os leitores de sua distância formal da crônica, de seu “não estar fazendo” crônica, de seu não saber sequer o que, exatamente, estava fazendo. E no entanto sabia: estava fazendo literatura.

COM CLARICE
Autores: Marina Colasanti e Affonso Romano de Sant’Anna
Editora: Unesp (256 págs., R$ 38)

(Fonte: Estadão)

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