ASSUNTOS ABORDADOS

ERRANDO E PERDOANDO-SE, SEMPRE!

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       De vez em quando, topo comigo insone em alguma noite e acabo por refletir sobre assuntos que me incomodam. E o perdão foi o tema do meu debate interior mais recente. É… Eu poderia ter tentado dormir, mas a reflexão não deu trégua.

       Se existe algo mais complicado do que a gente se perdoar, desconheço!

       Todos os dias, praticamos inúmeros atos. Todos os dias, lidamos com pessoas… Algumas que amamos, outras que toleramos e até com quem não suportamos. Viver é isso, a arte do relacionar-se. E nesse misto de agir e interagir, muita coisa acontece. Nem sempre boas coisas, diga-se de passagem.

       No ir e vir da rotina, raramente conseguimos ser tão bons e tolerantes como gostaríamos ou como deveríamos. Falta paciência, falta tempo, falta humor, falta tato… E sobra irritação, pressa, cansaço…

       E então, em uma manhã qualquer, o grito preso na garganta se liberta e reverbera pela casa, ou no trânsito, ou em um telefonema, ou até no ambiente de trabalho. E mesmo que peça desculpa e seja perdoado por aqueles que foram os alvos do seu destempero, você guarda isso. Dobra e coloca lá na mala com a etiqueta culpa. Essa mala, convém esclarecer, está quase sempre bagunçada, porque é a que a gente mais gosta de vasculhar.

       E como se não bastassem as culpas que cultivamos, sempre aparece alguém para nos atribuir mais algumas… E o pior é que a gente as recebe de braços abertos e vai lá guardar na tal mala e ainda aproveita e analisa as que já estavam guardadas há bastante tempo. Faz um revival e, diante das evidências expostas, passa a se rotular como uma pessoa péssima, que não vale nada, que só faz besteiras. Pode até ser que seja verdade, mas nenhuma verdade é absoluta… E o melhor, nenhuma verdade é imutável.

       Cultivar culpas não é atitude que sirva como mola propulsora para a melhoria… Sei disso, pode acreditar.

       A questão é que cada vez que a dieta é quebrada, ou que deixamos de amar alguém, ou que agimos em desacordo com o que a maioria dos que nos cercam esperam, ou que dizemos as verdades que nos sufocam, ou que não fazemos o que nos dizem ser o certo… Culpa, culpa e culpa são angariadas.

     Deixar de sentir culpa é uma tarefa quase impossível e também questionável. Uma pessoa empática não consegue, uma pessoa responsável não consegue, uma pessoa consciente não consegue… Um ser humano de princípios não consegue mesmo deixar de sentir culpa.

      Se é impossível deixar as culpas de lado, como é que a gente faz para se livrar delas? Como é que a gente faz para despachar essa mala pesadíssima que insistimos em carregar pelos caminhos pedregosos da vida?

      Perdão! Perdão?

    Isso mesmo, perdão! Aprender a perdoar-se é a melhor decisão que uma pessoa pode tomar em relação a si mesma.

    Se errar é inevitável, pois somos todos aprendizes nesse mundo; se a culpa vai surgir sorrateira cada vez que agirmos em desacordo com os padrões que definimos ou que definiram por aí; o perdão é o remédio que cura a ferida que cada culpa proporciona na alma.

     Você vai errar sim, vai sentir-se culpado sim, vai sofrer por isso, mas vai ter que aprender a se perdoar e seguir em frente. Perdoar-se não significa tocar o “nem aí” e sair fazendo o que dá na telha. Perdoar-se é ser capaz de avaliar o erro, aprender com ele e se dar uma chance de fazer melhor na próxima situação semelhante.

    O perdão é um gesto de amor nobre e grandioso. Perdoar os outros é importante e necessário, ajuda a manter o coração em paz. Perdoar a si mesmo é vital, ajuda a manter a autoestima e a evoluir.

     Perdoe-se!

(Texto de Elaine Elesbão)

 

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Gigante HarperCollins se une à Ediouro na criação da HarperCollins Brasil

Brian Murray, CEO da gigante americana

Brian Murray, CEO da gigante americana

Nova editora ficará com os best-sellers, com os livros românticos e eróticos da Herlequin e os religiosos da Thomas Nelson Brasil

Em outubro de 2014, Brian Murray, CEO da HarperCollins, um dos maiores grupos editoriais do mundo e subsidiária da News Corp, disse, em sabatina na Feira de Frankfurt: “Queremos estar e investir em todos os mercados onde vemos crescimento editorial em longo prazo. E o Brasil está no topo quando pensamos em tendências, economia em desenvolvimento, consumidores e alfabetização. Estamos tomando providências para estar lá”.

Uma semana antes, o grupo tinha anunciado a aquisição da Thomas Nelson Brasil, editora de livros cristãos que, desde 2006, era controlada pela Ediouro e pela americana Thomas Nelson (integrada à HarperCollins em 2012). E, antes, em maio, o grupo americano revelou que tinha comprado a Harlequin, de livros românticos e eróticos – também presente no Brasil devido a uma sociedade com o Grupo Record. Pois o contrato entre Harlequin e Record terminou na última semana e ontem Ediouro e HarperCollins anunciaram a criação da HarperCollins Brasil.

Com a joint venture, explica Antonio Araújo, que assume a diretoria executiva da nova editora, os títulos mais comerciais que eram publicados pela Nova Fronteira e Agir passam para a HarperCollins Brasil, que cuidará, também, do catálogo da Thomas Nelson e da Harlequin. Continuam sob o comando da Ediouro o que chamam de “clássicos”, o catálogo católico da Petra e os produtos Coquetel.

A ideia é publicar 350 títulos por ano. Na realidade, no primeiro ano, isso significa 100 lançamentos a mais do já estava programado anteriormente pelas editoras. Ainda segundo o diretor, a novidade de ontem não vai alterar a estrutura da editora, que não contratará ou demitirá funcionários. Tampouco representa uma internacionalização do catálogo, o que poderia diminuir o espaço para autores brasileiros. “Em torno de 50% do que a área trade da Ediouro publicava era de autores nacionais. Dentro da estratégia da HarperCollins Brasil os autores nacionais são fundamentais”, explica.

À época da sabatina em Frankfurt, quando Murray não escondeu o interesse pelo Brasil, ele estava empolgado com o serviço de assinatura/aluguel de e-books. O mercado de livros digitais não cresce por aqui conforme os editores esperavam e esses serviços de assinatura têm ganhado adeptos. E o mercado como um todo também está aquém das expectativas, com pesquisas mostrando um caminho para a recessão e comprovando a dependência que as casas brasileiras têm das vendas governamentais. Nada disso preocupa a gigante americana.

“A visão sobre o Brasil vai muito além do curto prazo. Não pensamos somente sobre o ano atual ou o ano que vem. O País é o 10.º maior mercado editorial do mundo e tem um mercado consumidor gigante. Além disso, mesmo em momentos de dificuldade econômica, é possível construir boas histórias, como mostra o trabalho da Thomas Nelson no País”, diz Araújo.

(Fonte: O Estadão)

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Será?

sera

Será?

A vida voa como um lenço ao vento,
e no âmago pesa o pensamento.
Será que o medo dança valsa comigo
ou será melhor um tango com o perigo?

Os meus olhos procuram a sua carne,
e a falsidade do seu sorriso invade a minha derme.
Será que enxergo a sua malícia
ou me embriago com a sua prepotência?

Fujo das palavras amargas
e ignoro as minhas amarras.
Será que os meus erros serão esquecidos
ou meus sonhos estão todos perdidos?

O lenço inerte jaz ao chão,
e já não resta qualquer emoção.
Será que a existe algo além
ou tudo  se vai e não escapa ninguém?

Será?

(Elaine Elesbão)

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Zombaria

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Alguns dias sou de gelo,
em outros de açúcar.
Vez ou outra sou bagunça,
e me desorganizo toda hora.
 
Não me peça pra ser pouco,
porque não sei me economizar.
Não me peça pra ser muito,
porque detesto exigências.
 
Não venha reclamar do meu silêncio
quando tolero a sua gritaria;
Não impeça o meu barulho
enquanto martelo pensamentos.
 
Não tenho paciência pra sua preguiça,
porque morro de preguiça de ser paciente.
Sei que sou tão fácil de ser explicada,
e tão difícil de ser compreendida.
 
Um dia desses eu tomo jeito,
mas só se não for engasgar.
Estou ocupada observando a vida,
perdi a deixa pra me justificar.
 
(Elaine Elesbão)

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Projeto Filosofia é Cultura – Em busca de Si: Siddharta, de Herman Hesse

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Comandada pela professora Renata Peluso, a palestra abordará uma das obras literárias mais lidas no século XX, “Sidharta” do escritor alemão Hermann Hesse. O evento inaugurará o ciclo de palestras de 2015 do “Filosofia é cultura”, projeto que aborda, mensalmente e às quintas-feiras, desde 2012, expoentes e marcos da literatura universal no Teatro Eva Herz.

(Fonte: CorreioWeb)

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SPRING POEM

borboletas

SPRING POEM

In spring rains a lot
and it isn’t hot.
Glip glop, the rain comes down
and all the kids make a frown.

The sun goes away
and the childrens can’t play.
Please use a coat…
When is raining use a boat.

In spring flowers are blooming
and look I am resuming.
Spring can be nice or not…
But I will tell you again: spring isn’t hot.

Marcela Elesbão, tem nove anos, é bilíngue, capricorniana,
leitora voraz e adora moda.

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Livro inédito de James Joyce revela origens do clássico ‘Finnegans Wake’

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‘Finn’s Hotel’ ensaia jogo com a linguagem que o escritor irlandês usaria de forma extraordinária em seu último romance

No prefácio de “Giacomo Joyce”(Iluminuras,1999), de James Joyce, o tradutor José Antonio Arantes conta que, em 1993, “Finn’s Hotel” deveria ter sido lançado pela Viking Press, mas Stephen Joyce, neto do escritor irlandês e administrador do seu espólio, não permitiu a publicação da obra, formada por excertos de “Finnegans Wake” descobertos por Danis Rose ao pesquisar os manuscritos do romance.

Desde aquela época, “Finn’s Hotel” gera controvérsias nos meios acadêmicos. Para o curador da Fundação James Joyce de Zurique, Fritz Senn, “‘Finn’s Hotel’ não é um livro de Joyce, é uma coleção dos primeiros rascunhos de ‘Finnegans Wake’. Já Danis Rose acredita que em algum momento Joyce quis publicá-los como um livreto”.

“Finn’s Hotel”, independentemente de ter pequenas anotações não aproveitadas por Joyce em “Finnegans Wake”, ou de ter sido concebido como um livro autônomo, é um mimo para os leitores e admiradores da obra de James Joyce, que agora a Companhia das Letras oferece na tradução de Caetano Galindo.

Quando se lê “Finn’s Hotel”, é, no entanto, inevitável compará-lo com “Finnegans Wake”. Os pequenos “épicos” do livro recém-lançado ensaiam muito timidamente uma brincadeira com a linguagem, que ganhará dimensões extraordinárias no “Wake”. Em “Finn’s Hotel”, Joyce não mistura 65 línguas, como o fez no seu último romance, mas explora aliterações, assonâncias e neologismos, que vão reaparecer mais tarde em “Finnegans Wake”, como se pode verificar no seguinte trecho de “A tale of a tub” (“Uma história de um tonel”): “where pious Kevin lives alone on an isle in the lake” (“onde pio vive Kevin solitário numa ínsula do lago”).

Há outras passagens, todavia, que dialogam efetivamente com o último romance de Joyce, como “Here’s Lettering You” (“Eis que te carto”), que nada mais é do que uma carta assinada por Anna Livia Plurabelle Earwicker, que será a futura heroína de “Finnegans Wake”, casada com Humphrey Chimpden Earwicker, e também autora de uma carta cujo conteúdo inocenta seu marido de um suposto crime. “The Staves of Memory” (“Bordões da memória”) vai se transformar, no “Wake”, no capítulo quatro do livro II: as quatro ondas irlandesas do conto serão, no livro seguinte, os quatro juízes que registram o sonho de H.C.E.

EDIÇÃO GANHA COM TRADUÇÃO

O conto intitulado “Here Comes Everybody” (“Homem comum enfim”) foi, sem a menor sombra de dúvida, reformulado e absorvido pelo segundo capítulo do livro I de “Finnegans Wake”, mesmo que Danis Rose afirme categoricamente que “esses episódios ‘bônus’ nunca foram absorvidos pelos textos posteriores de Joyce […]”. Além disso, Kevin ou Kevineen, o personagem de alguns contos de “Finn’s Hotel”, como o já citado “A tale of a tub”, metamorfoseia-se, no Wake, em Shaun ou Kev, um dos filhos de H.C.E e Anna Livia.

“Finn’s Hotel” foi escrito em 1923, justamente quando Joyce teria começado a escrever “Finnegans Wake”. Em 11 de março de 1923, Joyce enviou uma carta para Harriet Weaver, sua mecenas, em que dizia: “Ontem escrevi duas páginas — a primeira desde o Sim final de ‘Ulisses’. […] Il lupo perde il pelo ma non il vizio, dizem os italianos”. Segundo Richard Ellmann, essas duas páginas teriam sido inseridas de forma amplificada no final do capítulo 3, do livro II, do “Wake”. Passados alguns dias, em 23 de março de 1923, Joyce enviou outra carta a Weaver e, dessa vez, já lhe apresenta uma ideia concreta do que estava escrevendo: “eu tentarei lhe enviar a ‘exegese’ do episódio de Cila e Caríbdis antes de ir para o hospital”.

O título de um dos contos de “Finn’s Hotel” é “Issy and the Dragon” (“Seus encantos dela”, na tradução de Galindo), e permito-me aqui especular que esse título teria relações com o episódio de Cila e Caríbdis, citado por Joyce na carta enviada a Harriet Weaver. Lembro que Issy é uma das protagonistas do “Wake” e incorpora nesse romance muitas figuras mitológicas, entre elas Cila, uma bonita moça transformada em monstro marinho, numa das versões do mito. Caríbdis é também um monstro marinho feminino ou, quem sabe, um dragão, como Joyce, a meu ver, parece ter se referido a ele no título do conto.

“Finn’s Hotel” é uma pequena amostra do “Work in Progress”, como Joyce chamava seu novo romance ainda sem título, o qual daria origem, em 1939, ao exuberante “Finnegans Wake”. Joyce via cada capítulo do “Wake” como uma história independente, cada capítulo valeria por si só, de modo que o romance seria feito de pequenos (ou grandes) contos, os quais não apresentam títulos.

A edição ganha com a tradução humorada, embora bem pouco ortodoxa, de Galindo, mas perde por não ser bilíngue e por ter colocado juntos dois textos bastante diferentes entre si, “Finn’s Hotel” e o relato autobiográfico “Giacomo Joyce”, este já traduzido para o português por Paulo Leminski e José Arantes. Diria que os dois livros têm em comum apenas a concisão narrativa e o fato de Joyce tê-los abandonado, os quais foram “resgatados” posteriormente por Stanislaus Joyce e Danis Rose.

A Companhia das Letras poderia apostar no futuro numa edição juvenil da obra, aproveitando a leveza e a brevidade das narrativas, para que o jovem leitor possa conhecer Joyce e sua linguagem experimental.

(Fonte: O Globo)

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Olhos que dizem adeus

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Você observava o céu noturno na área de embarque. A lua estava cheia, e era uma noite perfeita de verão.

Havia algo de delicado na forma em que você se perdia em seus próprios pensamentos, na forma em que contorcia o rosto ao lembrar de alguma coisa. Nada mais importava, e a única coisa que te ligava ao mundo real era a insistente mania de colocar o cabelo atrás da orelha.

Eu estava atrás de você, exausto, implorando por um minuto de descanso. Você não sabe, mas eu não havia dormido na noite anterior. Depois de todas as palavras e promessas, de tudo aquilo sobre como voltaria depois de um mês, você adormeceu, mas eu não. Eu a observei dormir. Não porque eu sou um maníaco, mas porque adorava como suas pálpebras se mexiam quando você sonhava; adorava quando você sussurrava qualquer coisa que eu não era capaz de entender; adorava simplesmente ver você em paz. É, talvez eu seja um maníaco.

Mas, principalmente, te observei porque sabia que seria a última vez. Não importava o que você tinha dito, todas as promessas, havia algo em você, algo no que me dizia, em como dizia, que me deixou convencido de que não voltaria. Era assim que as coisas seriam, e eu precisava me conformar.

Ali estava você, banhada pela luz da lua. Queria fotografar aquele momento, guardá-lo em minha memória; durante um segundo cogitei fazer exatamente isso. Mas depois pensei direito. Não havia motivo para me torturar.

Uma voz soou dos alto-falantes. Era o seu vôo; era a hora de partir. Você deixou o transe e olhou para trás. Nossos olhos se encontraram. Durante um longo instante, algo dentro de mim pareceu queimar. Não era nada além do meu coração sofrendo por antecedência. Pensei comigo mesmo que devia ser proibido ter olhos tão bonitos como os seus. Ou, pelo menos, deveria ser proibido sofrer por eles.

Você pegou a mala das minhas mãos e me deu um beijo nos lábios. Um beijo doce, intenso e apaixonante; tão bom que eu não quis te largar. Por um momento, pensei que era isso que faria. E, por outro, pensei que você quisesse o mesmo. Me equivoquei. Você se afastou, não sem antes piscar os olhos para mim. Parecia que você estava dizendo que iria voltar. Na verdade, estava dizendo adeus.

Eu lembro até hoje de como são seus olhos. Olhos verdes, tão bonitos que eram capazes de partir o coração de um homem. Certamente que partiram o meu.

Nicholas Nogueira
Carioca de Aquário, estudante de Direito, 23 anos e escritor de um romance que nunca chega ao fim.

http://alemdoroteiro.wordpress.com

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O Homem e a Estrada

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O Homem e a Estrada
Brenno Matthias Pereira

Sentado na beira de uma estrada, ficava um homem que vivia observando os carros passarem. Sua rotina era imaginar o que acontecia dentro de cada um que vinha e dentro de cada um que ia.

Ficava imaginando os sonhos em olhos encostados na janela, a alegria de sorrisos passageiros e a tristeza de lágrimas que se misturavam com a chuva no vidro. Imaginava qual o destino de cada um, pra onde iriam se seguissem em frente e pra onde voltariam se seguissem para trás.

Ele nunca ficava satisfeito, por não saber realmente o que acontecia. Em seus devaneios ele criava historias mirabolantes como a da menina de sorriso largo que estampava a felicidade de seus poucos anos. Ela passou por ele por mínimos segundos, mas marcou a sua vida em uma eternidade, qual seria o destino dela? Ou então a mulher de rosto enrugado que olhava indiferentemente para o horizonte, como se nada mais importasse, como se a vida fosse apenas mais um ultimo e cruel obstáculo a se enfrentar.

Mas o que mais inquietava seus pensamentos é que ele criava fantasias, baseadas em pequenas frações de imagens que seus olhos fotografavam naquela beira de estrada. Nada era real, apenas em sua mente ele tentava desvendar aquelas misteriosas vidas que por alguns momentos cruzavam com a sua.

Sua habilidade em desenvolver essas trajetórias estava tão aguçada que, em poucos segundos, desenrolava um roteiro dependendo apenas da velocidade do carro. Se estava devagar, ele imaginava dois amantes que disputavam contra o tempo a necessidade de estarem juntos. Se passava muito rápido ele acreditava que alguém precisava deixar para trás algo que não era mais importante.

Com o passar do tempo, esse homem possuía uma interminável experiência de viver a vida dos outros. Mesmo sabendo que essa vida que ele vivia não era de verdade, eram apenas criações de sua mente fértil.

Então sem mais nem menos, um dia a estrada amanheceu vazia, o homem não estava mais lá. Os carros continuaram a ir e a vir, só que agora eles não possuíam mais seu guardião silencioso.

Ninguém notou, ninguém se importou. Mas se um dia parassem o carro naquele local, veriam escrito na beira daquela estrada…

“Vivi tanto os sonhos dos outros que nunca tive a oportunidade de conhecer os meus, sigo agora em busca de outra estrada… A minha.”

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Paulo Coelho lança livro sobre traição e diz que não vem à Copa em protesto

Inspirado em histórias pesquisadas na internet, ‘Adultério’ chega às livrarias na quinta-feira

Inspirado em histórias pesquisadas na internet, ‘Adultério’ chega às livrarias na quinta-feira

Após cancelar sua participação na Feira de Frankfurt, que homenageava o Brasil, no ano passado, Paulo Coelho também não vem a seu país para a Copa do Mundo, em protesto. Ele fez campanha pela escolha do Brasil, mas se diz decepcionado com os rumos do país. Prestes a lançar seu novo romance, “Adultério” (Sextante), que chega às livrarias na quinta-feira, ele falou ao GLOBO por telefone de sua casa, em Genebra, na Suíça. O livro, escrito após o mago participar anonimamente de fóruns na internet sobre traição, conta a história de uma mulher que resolve trair o marido com um ex-namorado de adolescência. Na entrevista abaixo, Coelho, nunca alheio a polêmicas, volta a criticar a comitiva de Frankfurt, defende as biografias não autorizadas e explica por que, depois de anos apoiando o PT, resolveu não participar da campanha eleitoral do partido.
Como um homem casado há mais de 30 anos com a mesma mulher se inspirou para escrever sobre adultério?
Tenho 26 milhões de seguidores no Twitter (somando-se as redes sociais, são 28 milhões), e pedi que me falassem anonimamente sobre depressão, para escrever no meu blog. Recebi mais de mil respostas. Notei que, dessas, 10% tinham mesmo depressão, e 90% tinham na verdade problemas afetivos. Depois, me inscrevi anonimamente em fóruns de pessoas que sofrem com traição. E reuni um material riquíssimo. Cheguei a cinco pessoas que tinham histórias bem emblemáticas, disse quem eu era e usei as histórias. Troquei nomes e o lugar de origem delas. Quando vi, estava pronto. É um livro sobre amor. O adultério não é sobre sexo. O problema do adultério se resume à traição afetiva.
O que motiva as pessoas a cometer adultério?
Minha intenção não é julgar e analisar. Meu medo é só que as pessoas não comprem o livro por causa do título. Foi a preocupação de alguns editores no exterior, que sugeriram nomes como “O caso” ou “Fidelidade”, que dá menos bandeira. Mas, a esta altura da vida, eu tenho que fazer aquilo em que acredito. Eu corro meus riscos. Sempre corri. Não é agora que vou deixar de correr.
Em “As valkírias”, você também fala de uma crise no casamento. Alguma relação entre as duas histórias?
“As valkírias” é sobre a minha relação com a Christina (Oiticica, sua mulher). “Adultério” é baseado em experiências alheias. Mas nem estabeleci essa relação. Eu começo o novo livro com a protagonista quase em depressão. Ela tem uma sensação, muito comum, de que o casamento limitou sua vida.
É verdade que pela primeira vez você não vai participar da campanha do PT?
Há uma profunda decepção. Eu acho que o poder cega. O PT foi muito bem, é responsável por um grande avanço; mas que não começou com ele, e sim com o FHC. De repente eu vi que a coisa toda começou a virar meio um clientelismo. Acho que o PT infelizmente perdeu o rumo, como qualquer partido que fica muito tempo no poder.
Essa decisão tem algo a ver com as manifestações do ano passado?
Não. Mas acho as manifestações profundamente justas. Foi um momento para o PT se dar conta de que não pensa o Brasil sozinho. E também não vou à Copa, embora tenha ingressos.
Por quê?
Eu não posso estar dentro do estádio sabendo o que se passa lá fora com os hospitais, a educação e tudo o que o clientelismo do PT tem renegado muito.
Esse afastamento do partido também significou um afastamento das amizades, como de José Dirceu?
Podendo pular essa pergunta, eu te agradeço. Não tem nada a ver. O Zé é uma pessoa… Eu não falei com ele porque ele está preso. Não tem nada a ver.
O que achou da polêmica das biografias no ano passado?
Dia 18 eu vi o filme sobre a minha vida (“Não pare na pista”, de Daniel Augusto, com previsão de estreia em agosto). Não li roteiro, não quis nem saber o que era. Mas, se você tem uma vida pública, você não pode querer, a não ser que você se encarregue disso, que ela seja privada. A atitude dessas pessoas me decepcionou muito. Acho que fora o Gilberto Gil, que é um cara que sei que entrou naquilo por amizade, essas pessoas não estão sabendo envelhecer. Pessoas que lutaram pela liberdade, usaram a arte contra a ditadura. Talvez eu também não esteja sabendo envelhecer. Mas me entristeceu muito.
Você gostou do filme?
Eu adorei. Pensei que, já que minha agente vendeu os direitos, fosse o que Deus quisesse. Falei que não ia ver. Sabe aquele negócio de dar uma de avestruz? O que eu não ia era censurar. Eu já tinha permitido ao Fernando Morais entrar fundo na minha vida, embora não ache a melhor biografia.
Na época da biografia escrita por Morais, “O mago”, você disse que não se lembrava de ter sido tão trágico.
O filme também tem esse lado. Minha irmã estava lá. Eu a vi chorar o tempo todo ao meu lado. E eu fiquei muito comovido. O que fica de mais marcante é que no fundo esse filme é uma apologia do meu pai. Coitado! Eu era severo, ele também. Batemos os dois de frente. E o filme é muito justo com ele.
No ano passado, comentou-se que você cancelou a participação na Feira de Frankfurt porque não foi convidado para fazer o discurso de abertura. É verdade?
Não. Vive-se nesse negócio do Estado que sustenta. Está bem o Estado sustentar a literatura, o que não fica bem é se criar um núcleo de escritores avalizados pelo Estado. Li uma boa entrevista com o (escritor) Luiz Ruffato dizendo que não sobrou nada do que se gastou em Frankfurt. E é verdade. Você vai à Alemanha e não vê absolutamente nenhum resultado do esforço gigantesco que foi feito. Porque foi um esforço muito mal feito. Havia pessoas com imensa capacidade, mas a maioria estava ali pelo famoso nepotismo. Nem toca nesse negócio de discurso de abertura, porque é desmentir uma coisa que não é verdade: “Paulo Coelho diz que não assaltou o banco”.
Você foi a Frankfurt “à paisana”?
Fui, para falar com meus editores. Vi de longe os ônibus, todos tinham o meu rosto. Estava tudo preparado para eu ir. E eu vou este ano, porque não quero me queimar com a feira.
Sua aproximação dos autores fantásticos se dá por identificação, por ter sido rejeitado pela crítica no começo da carreira?
Não é que a crítica não goste deles. A crítica os ignora, como me ignorava. Quando descobre, é para falar mal. Eu não fui descoberto pela crítica. Hoje é muito diferente. Naquela época não havia alternativas. Sabe quem é o (escritor) Eduardo Spohr? Foi a primeira vez em que pedi para dar uma entrevista. Pedi para ele me botar em contato com o pessoal do Jovem Nerd (blog com que Spohr colabora). Foi a única entrevista que dei em Frankfurt.
Você dançou “Sandra Rosa Madalena” na entrevista…
Era “O meu sangue ferve por você” (risos). São pessoas interessantíssimas e representam uma virada nessa cultura (literária). Comecei a ler e gostar dessa nova literatura, acho uma linguagem maravilhosa. E a aproximação se deu por isso. Eles são nerds, mas não têm o ranço do pseudointelectualismo.

(Fonte: O Globo)

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